Vegetariano não gosta de spam…
Publicado por juan aka suddendevice em Jul 27, 2011, em Bad, Good, wisdom sources
Hoje tem 857. Só consigo ver comentário de verdade se vier de pré-aprovado e olhando post por post ou se ficar horas a fio deletando centenas de spams sobre Viagra, Forex, crescimento peniano, perfumes chiques, pílulas de aumento de volume seminal e de herbais de emagrecimento… ¬¬
Vou demorar pôr a casa em ordem, mas os filtros do worldpress são mais agressivos. A migração dos posts é complicada e delicada, mas acho mantenho intacto o conteúdo. Puxavida, são 5 anos de opiusdei, desde 2006.
Mesma coisa só que diferente.
Ponto de cisão
Publicado por juan aka suddendevice em Jul 25, 2011, em Bad, Good, wisdom sources
Quero é um ponto de cisão.
Jogar água na chama para exingui-la: o frio. Ou jogar água para produzir acetileno de carbureto: o calor.
Ou uma catarse une e traz nas lágrimas um amor renovado, ou o aval do caminho bifurcando…
É ousado? Sim. Doentio, até.
Cisão é algo bem borderlinesco.
O Yin não vai deixar de ter um pouco de Yiang. Mas é bom saber qual está bem vivo.
Acho que dessa vez eu estou em plena neurose.
Medicina?!?!?!
Publicado por juan aka suddendevice em Jul 13, 2011, em Good, wisdom sources
1 Comentário coisas bizonhas, Good, help, meanings, study!, wisdom sources mais...Desempoeirando / Videos traduzidos do TED Talks
Publicado por juan aka suddendevice em Jun 20, 2011, em Good, wisdom sources
Blog empoeirado tá com nada...
Então vou postar uns vídeos que gostei e aproveitei para exercitar vocabulário Yankee![]()
Vids traduzidos para Português do TED.com
Anthony Atala: Printing a human kidney
17:24, Posted: Mar 2011; Filmed Mar 2011
Susan Lim: Transplant cells, not organs
16:26, Posted: Apr 2011; Filmed Dec 2010
Eythor Bender demos human exoskeletons
06:23, Posted: Mar 2011; Filmed Mar 2011
E o vid "Compre esse Satélite", que fora solicitado para tradução no Grupo
do Facebook "I Translate TED Talks". Esse traduzido direto no dotSUB.com
Buy this satellite!
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Impressora de órgãos humanos
Publicado por juan aka suddendevice em Abr 20, 2011, em livros e textos biomedicina
Quando anunciaram uma impressora de latex para construir “impressões” tridimensionais, chegaram a falar de imprimir tecidos…
Mas órgãos é algo complexo… Como no filme Quinto Elemento… Reconstruiram a Leeloo “imprimindo” ela…
Claro que usam culturas de células do próprio paciente, e que é absolutamente experimental. Mas há cases de sucesso, e, como o Michael Crichton profetizou no Next, as conferências e ações como as do Anthony Atala estão disputadíssimas…
No findi legendo em portugês
+22/+17/+12+7 5D8+3 de dano com Sabre de Luz
Publicado por juan aka suddendevice em Abr 19, 2011, em Sem categoria
Não é pra qualquer um.
Sith Lord Darth Vader numa rodada de ataque total faz +22/+17/+12+7 5D8+3 de dano com Sabre de Luz…
Luke tem mais sorte que juízo.
Forte, essa força é
Goliath traduzido para português
Publicado por juan aka suddendevice em Mar 25, 2011, em escritos, Good, wisdom sources
Um conto do Gaiman de 1999 a pedido da Warner abrir o hotsite do filme The Matrix.
Gosto muito deste conto, e do Cinnamon, e depois de 12 anos preterindo traduzí-lo, finalmente acabei: uma noite dormindo tarde e aí está.
Tinha baixado pelo Filetopia além deste vários txts de contos do Gaiman, e nem sabia que o Goliath estava no Fragile Things…
Taí a dica de leitura.
Acho que posso dizer que sempre suspeitei que o mundo é uma réplica barata e mal feita, uma cobertura ruim para algo mais profundo e misterioso e infinitamente mais estranho, e isto, de alguma forma, eu já tinha como verdade. Mas acho que é apenas como o mundo sempre foi. E mesmo agora que sei a verdade, como você saberá, meu amor, se você estiver lendo isto, o mundo continua a réplica mal feita. Mundo diferente, mal feito diferente, mas é como parece.
Eles dizem, aqui está a verdade, e eu digo, é só isso? E eles dizem, mais ou menos. Até onde sabemos é isso aí. Então era 1977 e o mais perto de computadores que cheguei foi quando comprei uma calculadora grande e cara, e então tinha perdido o manual que vinha junto, e fiquei sem saber o que ela fazia. Eu adicionava, subtraia, multiplicava e dividia, e ficava muito grato por não precisar de cossenos, senos ou achar tangentes de funções de gráficos ou seja lá o que for que o gadget fazia, porque, depois de sair da RAF (nt – Royal Air Force – força aérea Britânica) eu trabalhei como contador numa loja de tapetes em Edgware, norte de Londres, perto do topo da Linha do Norte, e eu estava sentado no fundo da loja que para mim funcionava como escritório então o mundo começou a se derreter e pingar. Sério. Era como se as paredes e o teto e os rolos de tapete e o calendário anual das famosas nuas fossem feitos de cera, e começaram a desmantelar e a escorrer, fluindo juntos e pingando. Eu podia ver as casas e o céu e as nuvens e a estrada atrás deles, e então pingaram e fluiram para longe, e atrás de tudo era escuridão.
Eu estava em pé da poça que era o mundo, uma estranha, fortemente colorida poça que ondulava e marjeavam e não chegavam a cobrir meu sapato de couro (eu tenho pés do tamanho de caixas de sapatos. Botas tem que ser feitas sob medida para mim. Custam uma fortuna). Aquela poça emitia uma luz estranha para cima.
Teoricamente, acho que eu teria recusado a acreditar no que estava acontecendo, divaguei se estava drogado ou estava sonhando. Na verdade, porra, estava acontecendo, e eu olhei para a escuridão, e então, nada aconteceu, e eu comecei a caminhar, pés chapinhando no mundo líquido, chamando por alguém, vendo se ninguém estava por ali. Uma imagem oscilou na minha frente. “Ei,” disse a voz. O sotaque era americano, mas a entonação era estranha. “Oi,” eu disse. A imagem ficou oscilante por alguns instantes, então resolveu em um homem bem-vestido com óculos de nerd. “Você é um cara bem grande,” ele disse. “Sabia disso?” É claro que eu sabia disso. Eu tinha 19 anos e tinha quase 2 metros e 13 centímetros. Tenho dedos que nem bananas. Dou medo em crianças. Temo não estar no meu 40º aniversário: pessoas como eu morrem jovens. “Quê que está havendo?” Eu perguntei. “Você sabe?” “Míssil inimigo detonou uma unidade central,” ele disse. “Duzentas mil pessoas, plugadas em paralelo, viraram carne morta e explodida. Nós temos um mirror (nt- espelhamento redundante em TI) rodando, é claro, e teremos tudo isso rodando de novo em tempo zero. Você está aqui flutuando por alguns nanosegundos, enquanto colocamos Londres para processar de novo.” “Você é Deus?” Eu perguntei. Nada do que ele disse fez qualquer sentido para mim. “Sim. Não. Na verdade não,” ele disse. “Não da forma que você quer dizer, de qualquer forma.” E então o mundo dobrou-se violentamente e eu me encontrei indo trabalhar de novo naquela manhã, servindo uma xícara de café, e tive o mais longo e estranho ataque de deja vu que já tive.
Vinte minutos, que eu sabia tudo que qualquer um faria ou diria. E então passou, e o tempo transcorreu devidamente, cada segundo depois de cada segundo como deveria ser. E as horas passavam, e os dias, e os anos. Perdi meu trabalho na companhia de tapetes, e consegui trabalho de contador em outra companhia que vendia computadores e me casei com uma menina chamada Sandra que conheci na piscina do clube e tivemos duas crianças, ambas de tamanho normal, e eu pensei que tinha o tipo de casamento que sobreviveria tudo, mas eu não tinha, então ela foi embora e levou as crianças com ela. Estava com meus 20 e poucos, e isso era 1986, e eu consegui um emprego no Tottenham Court Road vendendo computadores, e eu comecei a ficar bom nisso.
Gostava de computadores. Gostava da forma que eles trabalhavam. Era uma fase excitante. Lembro do primeiro carregamento de ATs, alguns com disco de 40 MB… Bom, eu me impressionava facilmente naqueles tempos. Eu ainda vivia em Edgware, ia trabalhar usando a Northern Line. Estava num tunel numa tarde, indo para casa – tínhamos acabado de passar por Euston e metade dos passageiros tinham descido- olhando para as outras pessoas na estação acima da Evening Standard e imaginando quem eles são -quem eles realmente são, por dentro- a garota negra, magrela, escrevendo furiosamente em seu notebook, uma velha senhora com um chapéu de veludo verde, a garota com o cachorro, o homem barbeado de turbante. Então o trem parou, no tunel.
Foi o que pensei que aconteceu, de qualquer forma. Pensei que o trem tinha parado. Tudo ficou muito quieto. E então passamos por Euston, e metade dos passageiros desceram. E então passamos por Euston e metade dos passageiros desceram. E eu estava olhando os passageiros e pensando quem eles realmente são por dentro quando o tem passou no túnel. E tudo ficou muito quieto. E tudo dobrou-se e desdobrou-se tão violentamente que eu pensei que tivéssemos atingidou outro trem. E então passamos por Euston, e metade dos passageiros desceram, e o trem parou no tunel, e tudo ficou muito quieto – (Voltaremos em breve com a programação normal, sussurrou uma voz na minha cabeça.) E no momento que o trem desacelerou e começou a chegar em Euston eu comecei a me perguntar se não estava ficando maluco: me sentia como se estivesse indo e voltando num loop de vídeo. Sabia que estava acontecendo, mas não podia fazer nada para mudar qualquer coisa, nada que pudesse parar com isso.
A menina negra, sentada perto de mim passou-me um papel. ESTAMOS MORTOS? estava escrito. Eu encolhi os ombros. Não sabia. Parecia ser a melhor explicação de todas. E então tudo começou a esbranquiçar. Não havia chão abaixo dos pés, nada acima, não havia senso de distância, não havia senso de tempo. Eu estava num lugar branco. E eu não estava sozinho.
O homem de óculos de nerd usando um terno que parecia Armani. “Você de novo?” ele disse. “O cara grande. Acabei de falar contigo.” “Acho que não,” eu disse. “Meia hora atrás. Quando os mísseis nos atingiram.” “Na fábrica de tapetes? Foi anos atrás.” “Uns trinta e oito minutos atrás. Nós estamos rodando um modo acelerado desde então, tentando corrigir e cobrir, enquanto processamos soluções potenciais.” “Quem mandou os mísseis?” Perguntei. “A União Soviética? Os iranianos?” “Aliens,” ele disse. “Tá brincando?” “Não mesmo. Estávamos mandando para fora satélites por uns duzentos anos. Parece que alguma coisa seguiu um de volta. Soubemos disso quando o primeiro míssil chegou. Levou para nós uns bons 20 minutos para um plano de retaliação ser posto em ação. Por isso estamos processando em velocidade rápida. Não parece que a última década passou bem rápido?” “Sim. Parece.” “Taí. Nós rodamos bem rápido, tentando manter uma realidade comum enquanto processamos.” “Então o que você irá fazer?” “Nós vamos contra-atacar. Nós vamos derrubá-los. Vai levar um tempo: não temos o maquinário necessário agora. Teremos que construir.”
O branco está sumindo agora, sumindo para rosas escuros e vermelhos fortes. Abri meus olhos. Pela primeira vez. Então. Um mundo afiado e de tubos emaranhados estranhos e escuro em algum lugar além do crível. Não fazia sentido. Nada fazia sentido. Era real, e era um pesadelo. Isto durou uns 30 segundos e cada segundo senti como uma pequena eternidade. E então passamos por Euston, e metade dos passageiros desceram… Comecei a falar com a menina negra com o notebook. O nome dela era Susan. Várias semanas depois ela foi morar comigo. O tempo rugia e passava. Acho que comecei a ficar sensível a isso. Talvez eu sabia o que eu estava procurando – sabia que havia algo para procurar, mesmo que não soubesse o que era.
Cometi o erro de contar à Susan no que eu acreditava numa noite – que nada disso era real. Que nós estamos na verdade só plugados e com fios, unidades de processamento central ou apenas circuitos de memória baratos para computadores do tamanho do mundo, sendo alimentados com uma alucinação consensual para nos mantermos felizes, para nos comunicarmos e sonharmos usando a pequena fração de nossos cérebros que não são usadas para mastigar números e guardar informação. “Somos memória,” falei para ela. “É o que somos. Memória.” “Não acredito nessas coisas,” ela me disse, sua voz trêmula. “É uma história.” Então fizemos amor, ela sempre queria que eu fosse agressivo com ela, mas eu nunca ousava. Não conheço minha própria força, e sou tão desastrado… Não quero machucá-la. Nunca quis machucá-la, então parei de contar minhas ideias. Não importava mesmo. Mesmo assim ela se mudou no outro fim de semana.
Senti falta dela.
Os momentos de deja vu começaram a ficar cada vez mais frequentes, agora. Momentos que podiam gaguejar, e soluçar, faltar e repetir. E então acordei numa manhã e era 1975 de novo, e eu tinha 16 anos, e depois de um dia infernal na escola eu estava indo embora da escola, indo no escritório da RAF perto da Chapel Road. “Você é um rapaz grande,” disse o oficial do recrutamento. Pensei que fosse americano, mas ele disse que era canadense. Ele usava óculos de nerd. “Sim,” eu disse. “E você quer voar?” “Mais que qualquer coisa,” eu disse. Parecia que eu quase lembrava do mundo que eu esqueci que queria voar em aviões, que parecia para mim estranho como esquecer o próprio nome. “Bom,” disse o homem de óculos de nerd, “vamos ter que quebrar algumas regras. Mas nós precisamos de você no ar sem demora.” E ele estava sério sobre isso.
Os próximos anos passaram bem rápido. Parecia que tinha passado eles todos em aviões de diferentes tipos, socado dentro de cockpits, em assentos que mal cabia, apertando botões pequenos demais para meus dedos.
Recebi passe Secreto, então recebi passe Nobre, que deixa o passe Secreto na sombra, e então recebi o passe Gracioso, que o próprio primeiro ministro não possui, sendo que estava voando com discos voadores e outros veículos que se moviam sem suporte visível. Comecei a me encontrar com uma garota chamada Sandra, e então nos casamos, porque se casássemos iríamos para quartos de casados, que era uma excelente casa perto de Dartmoor. Nunca tivemos crianças: fui avisado que tinha sido exposto a tanta radiação que era possível terem fritado minhas gônadas, e parecia prudente não tentar ter crianças, para não criar monstros.
Era 1985 quando o homem de óculos de nerd entrou em minha casa. Minha esposa estava na sogra naquela semana. As coisas tinham ficado um pouco tensas, e ela se mudou para “deixar a poeira baixar.” Ela disse que eu dava nos nervos dela. Mas se eu estava dando nos nervos de alguém, acho que eram meus próprios. Parecia que eu sabia o que ia acontecer. Como se estivéssemos sonâmbulos pelas nossas vidas pela décima ou a vigésima ou a centésima vez. Queria contar para Sandra, mas de alguma forma sabia, sabia que perderia ela se abrisse minha boca. Ainda assim, parecia estar perdendo ela de qualquer forma. Então eu estava sentado assistindo The Tube no canal 4 e tomando um chá, e sentindo pena de mim mesmo. O homem com óculos de nerd entrou em minha casa como se fosse ele mesmo o dono. “Certo,” ele disse. “Hora de ir. Você estará pilotando algo como o PL-47.” Mesmo pessoas com passe Gracioso não deveriam saber do PL-47. Eu havia voado com aquilo umas dez vezes. Parecia uma xícara de chá, voava como alguma coisa do Star Wars. “Deveria deixar um recado para Sandra?” Perguntei. “Nah,” ele disse, friamente. “Agora, sente-se no chão e respire fundo, e regularmente, para dentro, para fora.” Nunca me ocorreu discordar dele, ou desobedecer.
Sentei no chão, e comecei a respirar, devagar, para dentro e para fora e… Dentro. E para fora. Para dentro. Senti uma torção por dentro. A pior dor que já senti. Estava me afogando. Para dentro e para fora. Estava gritando, mas podia ouvir minha voz e não estava gritando. Tudo que ouvia era um gemido borbulhando. Para dentro. Para fora. Era como nascer. Não era confortável, ou prazeroso. Era a respiração que fazia eu conseguir passar por isso, por toda a dor e escuridão e o borbulhamento nos meus pulmões. Abri meus olhos. Estava deitado num disco de metal de uns dois metros e meio. Estava nu, molhado e circundado por um emaranhado de cabos. Eles estavam retraindo, se afastando de mim como minhocas medrosas ou cobras nervosas e fortemente coloridas. Estava nu. Olhei para meu corpo. Sem pelos, sem verrugas. Imaginei minha idade, em termos reais. Dezoito? Vinte? Não sabia dizer.
Havia uma tela no disco de metal. Ela oscilou e ficou tomada de vida. Estava olhando para o homem com óculos de nerd. “Você se lembra?” ele perguntou. “Você pode acessar grande parte da sua memória neste momento.” “Acho que sim,” disse para ele. “Você estará no PL-47,” ele disse. “Acabamos de construir. Muita coisa teve que voltar para o princípio. Modificar algumas coisas para poder construir-lo. Teremos outra remessa dele amanhã. Por hora temos só este.” “Então se não funcionar, há substitutos para mim.” “Se sobrevivermos para tanto,” ele disse. “Outro bombardeio começou 15 minutos atrás. Levou quase toda a Austrália. Projetamos que seja um prelúdio do bombardeio de verdade.” “O que eles estão nos bombardeando?” Armas nucleares? “Pedras.” “Pedras?” “Uh-huh. Pedras. Asteróides. Dos grandes. Consideramos que amanhã, a não ser que nos rendamos, eles possam largar a lua em cima de nós. “Você tá brincando.” “Gostaria que fosse brincadeira.” A tela escureceu.
O disco de metal estava navegando entre o emaranhado de cabos e um mundo de pessoas nuas dormindo. Passou silenciosamente por torres de microchips e de espirais de silício brilhando tenuamente. O PL-47 estava esperando por mim no topo de uma montanha de metal. Pequenos carangueijos de metal perscrutava a nave, polindo e verificando cada parte dele. Caminhei para dentro da nave com pernas que pareciam galhos de árvore que tremiam e sacudiam.
Sentei-me no assento do piloto, e fiquei horrorizado de perceber que fora construido para mim. Eu cabia. Coloquei os cintos. Minhas mãos começaram a sequencia de aquecimento. Cabos clicavam nos meus braços. Eu senti algo plugando na base da minha espinha, algo mais se movendo e conectando-se na minha nuca. Minha percepção da nava expandiu radicalmente. Eu a via em 360 graus, acima, abaixo. Ao mesmo tempo, estava sentado na cabine, ativando os códigos de lançamento. “Boa sorte,” disse o homem de óculos de nerd numa pequena tela na minha esquerda. “Obrigado. Posso perguntar uma última coisa?” “Não vejo porque não.” “Por que eu?” “Bom,” ele disse, “a resposta curta é que você foi desenhado para fazer isto. Nós melhoramos umas coisas do desenho humano básico no seu caso. Você é maoir. Você é muito mais rápido. Você tem velocidades de resposta e reação mais rápidos.” “Não sou mais rápido. Sou grande, mas sou desajeitado.” “Não na vida real,” ele disse. “Era assim só no mundo.” E ele saiu.
Nunca vi os aliens, nem se havia algum alien, mas vi a nave deles. Parecia como fungo ou algas marinhas: a coisa era orgânica, uma coisa enorme e viscosa, orbitando a lua. Parecia algo que você veria brotando num rio apodrecido, semi-submergido no mar. Era do tamanho da Tazmania. Tentáculos grudentos de 300 quilômetros arrastavam asteróides de vários tamanhos atrás deles. Me lembrava um pouco dos tentáculos de uma caravela do mar, aquela criatura composta e estranha. Eles começaram a arremessar pedras contra mim enquanto eu estava a poucas centenas de quilômetros de distância. Meus dedos estavam ativando os mísseis, mirando o núcleo flutuante, enquanto eu imaginava o que eu estava fazendo. Eu não estava salvando o mundo que conheci. Aquele mundo era imaginário: uma sequência de uns e zeros. Eu estava salvando um pesadelo… Mas se o pesadelo morresse, o sonho morreria também.
Havia uma garota chamada Susan. Lembrava dela, de uma quase outra vida atrás. Imaginava se ela estava viva ainda (foram umas horas atrás? Ou umas vidas atrás?). Supus que ela estava pendurada em cabos em algum lugar, sem memória de um gigande miserável e paranóico. Então eu estava perto a ponto de ver as dobras e ondulações da coisa. As pedras foram ficando menores, e mais precisas. Eu esquivava e costurava e deslizava. Parte de mim estava apenas admirando a economia da coisa: nada de explosivos caros para construir e comprar. Somente a boa e velha energia cinética. Se uma daquelas coisas me acertasse minha nave estaria morto. Simples assim. A única forma de evitar elas era correr delas. Então continuei correndo.
O núcleo olhava fixamente para mim. Era um olho de algum tipo. Tinha certeza. Eu estava a alguns quilômetros longe do núcleo quando liberei a carga da nave. Então eu corri. Não estava exatamente fora do alcance quando a coisa implodiu. Era como fogos de artifício -belo de um jeito estranho, de certa forma. E então não havia nada além de um leve traço de pó brilhante…
“Consegui!” Eu gritei. “Consegui! Porra eu mandei ver!” A tela oscilou. Os óculos de nerd estavam olhando para mim. Não havia mais uma face real atrás deles. Só uma aproximação vaga de preocupação e interesse. “Você conseguiu,” ele concordou. “Agora, como é que eu desço essa coisa aqui?” Eu perguntei. Não houve hesitação, então “Você não vai descer. Não desenhamos a nave para retornar. Isto seria uma redundância que não precisamos. Muito dispendioso, em termos de recursos.” “Então o que eu faço? Acabei de salvar a Terra. E agora eu sufoco no espaço?” Ele concordou com acenando que sim. “Exatamente. Sim.”
As luzes começaram a diminuir. Uma a uma, e os controles foram desativando. Perdi minha percepção de 360 graus da nave. Era só eu, amarrado num banco no meio do nada, à deriva numa nave que parece uma xícara de chá. “Quanto tempo eu tenho?” “Nós estamos fechando todos os sistemas, mas você tem umas duas horas, pelo menos. Não vamos retirar o ar restante da nave. Seria desumano.” “Sabe, lá no mundo de onde vim, me dariam uma medalha.” “Evidentemente, estamos gratos.” “Então vocês não podem oferecer uma forma mais tangível de gratidão?” “Na verdade não. Você é a parte descartável. Uma unidade. Não podemos lamentar mais que um ninho de vespas lamenta a morte de uma única vespa. Não é lógico nem viável trazê-lo de volta.” “E você não quer esse tipo de poder de fogo voltando para Terra, onde poderia ser utilizado contra você?” “Como você diz.”
E a tela ficou escura, sem nem um adeus. Do not adjust Your set, pensei. (nt- DNAYS era um programa de comédia britânico de 1969. A expressão se refere a quando um canal saia do ar exibia a expressão “não ajuste sua TV”). Realidade é o que é, quando tudo mais falha. Você presta atenção na sua respiração, quando há somente umas horas de ar. Inspira. Segura. Expira. Segura. Inspira. Segura. Expira. Segura… Eu estava lá sentado no meu banco na penumbra, e esperei, e pensei. Então disse, “Olá? Tem alguém aí?” Um momento passou. A tela oscilou com uns padrões. “Sim?” “Eu tenho uma pedido. Escuta. Você -você pessoa, máquina, sejá lá o que for- você me deve uma. Certo? Quero dizer, salvei todas suas vidas.” “Continue.” “Eu tenho umas horas ainda. Certo?” “Aproximadamente 57 minutos.” “Você poderia me plugar de volta no… mundo real. O outro mundo. Aquele de onde vim?” “Mmm? Não sei. Deixe-me ver.” Tela escura outra vez. Me reclinei e respirei, inspira, expira, inspira, expira, enquanto esperava. Me sentia imerso numa grande paz. Se não fosse por ter menos de uma hora para viver, eu estaria me sentindo muito bem. A tela brilhou. Não havia imagem, padrão, nada. Só um leve brilho. E uma voz, um pouco na minha cabeça, um pouco fora, e disse, “Temos um acordo.”
Era quinze anos atrás: 1984. Tinha voltado para os computadores. E tinha uma loja de computadores no Tottenham Court Road. E agora, que estamos rumando ao novo milênio, estou escrevendo isso. Nesse meio tempo, casei com a Susan. Me levou uns meses achar ela. Tivemos um filho. Tenho quase 40. Pessoas do meu tipo não vivem muito mais que isso, no geral. O coração para. Quando você ler isto, estarei morto. Você saberá que estou morto. Você vai ver um caixão grande o suficiente para dois homens caírem no buraco. Mas saiba disso, Susan, minha querida: meu túmulo na verdade está orbitando a Lua. Parece uma xícara de há voadora.
Eles me deram o mundo de volta, e você de volta para mim, por pouco tempo. Na última vez que contei a você, ou para alguém como você, a verdade, ou o que sabia dela, você se afastou de mim. E talvez não tenha sido você, e eu não era eu, mas eu não ousaria arriscar contar-lhe novamente. Então estou escrevendo isto, e será dado para você com o resto dos papéis quando eu morrer. Adeus.
Eles podem ser frios, bastardos computadorizados e sem coração, sugando as mentes do que restou da humanidade. Mas não posso evitar sentir gratidão por eles. Morrerei em breve. Mas os últimos vinte minutos foram os melhores anos da minha vida.
Icbs inundado
Publicado por juan aka suddendevice em Mar 25, 2011, em Sem categoria
Alguém sabe se o ratário tá seco???
Se os labs estão secos???
Já temos o Morris Water Maze?!?!?
zmfg?!?!?!
(twitpic da @marilinha)
Biscoitinho da sorte
Publicado por juan aka suddendevice em Mar 08, 2011, em Bad, Good, wisdom sources
“Batalhe para tornar-se uma pessoa ainda mais culta.”
Nada como a ordinarice do universo para melhorar meu complexo de burrice…
Mas que o biscoitinho é bom, é bom…
Repoooouso
Publicado por juan aka suddendevice em Fev 04, 2011, em Sem categoria
Menistectomia parcial.
Lesão radial no menisco medial.
Fui pra faca…
Cirurgia tranquila, pós tranquilo…
O que é chato é aquele acesso venoso pendurado no braço e a raqui que demooora passar… Essa é a anestesia que pode fazer o paciente precisar de uma sonda pra urinar…
Deusulivre!!!
Não me saia da cabeça um episódio de House que ele não mijava há três dias e usa uma sonda por causa do excesso de boletas analgésicas que espasmaram o esfíncter: fui logo logo no banheiro.
Coisa boua é que a namoradíssima foi me ver, mamãe foi me ver, e já em casa, amigos foram me ver, pai viajou pra Porto Alegre, irmã e cunhado…
Isso dá vontade de melhorar logo.
Tive uma amostra da convalescença: fiquei uma noite internado, companheiro de quarto emprestou muletas -caminhar sozinho nem pensar-, provei comidinhas de hospital e a namoradíssima foi me pegar noutro dia: nada demais.
Mas lá, pedem para ficar sem roupa -nem cueca!!!- só com avental e uma bermudinha genérica, sem relógio, sem piercing, celular nem pensar. Tu acordas numa sala com pessoas semi-anestesiadas, a sala de recuperação, não sente as pernas e a bunda pesa uma tonelada. O que identifica pacientes é uma pulseirinha com nome, convênio e número do leito de internação. O sentimento de anonimato e de vulnerabilidade é muito grande.
É nesse momento que pessoas que nos gostam são muito importantes. O apoio delas é muito poderoso.
Agora em casa é tentar não mexer muito o joelho e no 10º dia ir lá no orto retirar os pontos e pegar o encaminhamento pra fisioterapia.
Segundo a respectiva, vou ter que reabilitar a ponto de poder competir triatlo depois dessa….






