Segunda-feira, Julho 30, 2007

Grindhouse (bom, o Death Proof e o Planet Terror) é muito bom!!!

Sinopse do cinemacomrapadura:

 Pra quem gosta do trash mais puro… Uma obra de arte do melhor do mau gosto do Tarantino. Eu achei sublime. Os atores, bem escolhidos, e aquela guria manca (a Rose McGowan)… Uau… E ação e aqueles takes com todo o estilo da época em que os cinemas-espelunca apelavam pra sexo, sangue e palavrões e muitos filmes B por um só ingresso. Claro que isso foi nos USA… Tanto que querem lançar fora de lá os dois filmes separadamente.

 

Bom, eu não esperei e fui de emule, tô pegando um vídeo com resolução maior e quando chegar no cinema, certamente estarei na estréia. Aliás, Tarantino é bom, e esse tal de Rodriguez??? Vou baixar mais a respeito :P

Grind House / Death Proof / Planet Terror, 2007

 Sinopse: Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”, “Kill Bill”) e Robert Rodriguez (“Sin City”, “Um Drink no Inferno”), amigos de longas datas e freqüentes colaboradores em produções um do outro, finalmente dividem a direção de um longa. Rodriguez e Tarantino escrevem e dirigem, cada um, um filme de horror de uma hora de duração, que serão exibidos juntos sob o título de “GrindHouse”. Trata-se de uma homenagem da dupla às antigas salas de cinema que se dedicavam a exibir produções do gênero. E assim como na programação das grindhouses, o filme também inclui trailers e outras atrações, que são vistas no intervalo entre os dois segmentos principais. Em “Planet Terror”, segmento dirigido por Rodriguez, um casal tem que enfrentar um ataque de zumbis enlouquecidos. Já em “Death Proof”, segmento de Tarantino, um piloto-assassino persegue suas vítimas com um carro possante, usando-o como arma. Os dois cineastas mostraram ao público algumas cenas já rodadas de “Planet Terror,” segmento de Rodriguez, que confirmam a intenção da dupla de emular a sensação de se assistir a filmes de terror produzidos nos anos 1970, com direito a sujeiras e riscos na imagem, falhas na trilha sonora e tudo mais. Como é típico dos diretores, no elenco, estão nomes que já estrelaram grandes cults, mas atualmente andam meio sumidos. Na parte dirigida por Tarantino, estão nomes como Kurt Russell (“Fuga de Nova York”), Rosario Dawson (“Sin City”), Rose McGowan (“Pânico”), Marley Shelton (“Sin City”) e Mary Elizabeth Winstead (“Premonição 3″). Já no média-metragem de Rodriguez estão Freddy Rodriguez (“Poseidon”), Josh Brolin (“Os Goonies”), Naveen Andrews (o Said do seriado “Lost”), Michael Biehn (“O Exterminador do Futuro”), Stacy Fergunson (mais conhecida como Fergie, integrante do grupo Black Eyed Peas, que figurou no filme “Poseidon”), Jeff Fahey (“Wyatt Earp”), Michael Parks (“Kill Bill”), entre outros.

 

LOS ANGELES, 6 abr (AFP) - Quentin Tarantino e Robert Rodríguez jogarão sangue este fim de semana nas salas de cinema dos Estados Unidos com “Grindhouse”, uma homenagem aos filmes de terror e ação dos anos 70 e que, na América do Norte, será visto no sistema “double feature”, dois pelo preço um, mas que chegará em separado à Europa e à América Latina.

Zumbis decompostos contra um povo, uma heroína sensual sem uma perna, interpretada por Rose McGowan, um super-homem na pele de Freddy Rodríguez, corridas de carros fatais e sangue em excesso caracterizam “Planet Terror” (Planeta Terror) e “Death Proof” (Prova de Morte), os dois filmes que compõem “Grindhouse”: o primeiro de Robert Rodríguez e o segundo de Quentin Tarantino.

Essa ode aos filmes B das décadas de 60 e 70, que na América do Norte, Austrália e Grã-Bretanha podiam ser vistos como matinês em salas de cinema de bairro ao preço de apenas um ingresso, tem a particularidade de ser dirigida por dois cineastas considerados cult e com um orçamento paradoxal para a idéia: US$ 53 milhões.

“Para mim a única falha de nossos filmes ‘grindhouse’ (como eram chamadas em inglês essas salas decadentes) é que não são suficientemente ruins”, afirmou Tarantino ao jornal “Los Angeles Times” na pré-estréia da semana passada, no dia em que completou 44 anos.

Os 191 minutos de duração dos dois filmes, incluindo trailers de falsas estréias de terror e ação, recordam, por meio de um trabalho digital, as falhas de projeção e som da época.

No entanto, a audiência internacional não verá o trabalho conjunto destes dois amigos que ganharam fama com “Cães de Aluguel” e “El Mariachi”.

Até mesmo na América do Norte existe um mistério sobre como reagirão as novas gerações, que não lembram essa forma de assistir filmes, muito menos de fitas tecnicamente mal produzidas nos Estados Unidos.

“Internacionalmente não existiu essa cultura de filmes ‘grindhouse’ e é por essa razão que nós vamos lançar separadamente no exterior ‘Death Proof’ e ‘Planet Terror’”, explica à AFP Paula Woods, porta-voz do departamento internacional do estúdio Weinstein Company.

Ela acrescenta que a cada filme, de 75 minutos cada um - além de falsa publicidade -, serão adicionadas cenas cortadas da versão americana. Dessa forma, cada filme terá duração de quase duas horas no exterior.

As datas do lançamento internacional não estão definidas, mas o longa-metragem de Tarantino será exibido no próximo festival de Cannes, onde levou a Palma de Ouro por “Pulp Fiction” em 1994.

Em seu primeiro filme depois de “Kill Bill”, as mulheres são novamente as heroínas, interpretadas por Rosario Dawson, Jordan Ladd, Sydney Tamiia Poitier, Vanessa Ferlito, Tracie Thoms e Marley Shelton, temerárias motoristas que encaram o vilão interpretado por Kurt Russell, com direito a todos os clichês dos bandidos da época homenageada.

Rose McGowan, conhecida por seu papel como uma das três bruxas da série de televisão “Charmed” e ex-namorada do cantor Marilyn Manson, é a única atriz com papel de protagonista nos dois filmes.

Com papéis secundários aparecem nos dois longas as gêmeas venezuelanas Elise e Electra Avellán, babás insuportáveis e combativas em “Planet Terror”, o filme dirigido pelo tio delas, Robert Rodríguez, diretor de 38 anos nascido no Texas em uma família de origem mexicana.

Tarantino e Rodríguez passaram os últimos dias trocando elogios e palavras de admiração. Os dois são amigos desde o início da década de 90, quando começaram a se encontrar em festivais e passaram a ser tratados como especialistas em cinema violento.

A homenagem conjunta dos dois ao cinema “Grindhouse” já é considerada uma superprodução e será distribuído com pompa dentro e fora dos Estados Unidos, nas salas confortáveis que acomodam os espectadores atualmente.

Publicado por juan aka suddendevice em 03:47:58 | Permalink | Comentários (1) »

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Addicted to Bloggin

Publicado por juan aka suddendevice em 02:35:44 | Permalink | Sem Comentários »

EDGAR ALLAN POE - Enterro Prematuro

Eu li e resolvi postar aqui. Tá em português de Portugal eu acho, mas até que dá um charme à narração…
Que conto fantástico!!! Vou postar mais desses…;)

EDGAR ALLAN POE – FICÇÃO COMPLETA – CONTOS DE TERROR, MISTÉRIO E MORTE
O ENTERRAMENTO PREMATURO
Há certos temas de interesse totalmente absorventes mas por demais horríveis para os
fins da legítima ficção. O simples romancista deve evitá-los se não deseja ofender ou
desgostar. Só devem ser convenientemente utilizados quando a severidade e a imponência
da verdade os santificam e sustentam. Estremecemos, por exempLo, com o mais intenso
“pesar agradável”, diante das narrativas da Passagem do Beresina, do Terremoto de
Lisboa, da peste de Londres, do Massacre de São Bartolomeu, ou do asfixiamento de
cento e vinte três prisioneiros da Caverna Negra em Calcutá. Mas, nessas narrativas é o
fato, é a realidade, é a história o que excita. Como invenções, olhá-las-íamos com simples
aversão.
Mencionei algumas, apenas, das mais proeminentes e augustas calamidades que a
história registra. Mas nelas existe a extensão, bem como o caráter, de calamidade, que tão
vivamente impressiona a fantasia.
Não é necessário lembrar ao leitor que, do longo e pavoroso catálogo das misérias
humanas, poderia eu ter selecionado numerosos exemplos individuais mais repletos de
sofrimento essencial que qualquer daqueles vastos desastres generalizados. A verdadeira
desgraça, na verdade, o derradeiro infortúnio, é particular e não difuso. Demos graças a
um Deus misericordioso pelo fato de serem os espantosos extremos da agonia suportados
pelo homem-unidade e não pelo homem-massa!
Ser enterrado vivo é, fora de qualquer dúvida, o mais terrífico daqueles extremos que já
couberam por sorte aos simples mortais. Que isso haja acontecido freqüentemente, e bem
freqüentemente, mal pode ser negado por aqueles que pensam. Os limites que separam a
vida da morte são, quando muito, sombrios e vagos. Quem poderá dizer onde uma acaba
e a outra começa? Sabemos que há doença em que ocorre total cessação de todas as
aparentes funções de vitalidade, mas, de fato, essas cessações são meras suspensões,
propriamente ditas. Não passam de pausas temporárias no incompreensível mecanismo.
Certo período decorre e alguns princípios misteriosos e invisíveis põem de novo em
movimento os mágicos parafusos e as encantadas rodas. A corda de prata não estava
solta para sempre, nem o globo de ouro irreparavelmente quebrado. Mas, entrementes,
onde se achava a alma?
De parte, porém, a inevitável conclusão, a priori, de que causas tais devem produzir tais
efeitos, de que a bem conhecida ocorrência de tais casos de interrompida animação deve,
naturalmente, dar azo, em vez em quando, a enterros prematuros, de parte esta
consideração temos o testemunho direto da experiência médica e da experiência comum a
provar que grande número de semelhantes enterros se tem realmente realizado. Se fosse
necessário, poderia referir-me imediatamente a uma centena de casos bem autenticados.
Um dos mais famosos, e cujas circunstâncias podem estar ainda frescas na memória de
alguns de meus leitores, ocorreu, não faz muito, na vizinha cidade de Baltimore, onde
causou uma excitação penosa, intensa e de vasto alcance. A esposa de um dos mais
respeitáveis cidadãos, advogado eminente e membro do Congresso, foi atacada de súbita e
estranha moléstia que zombou completamente do saber de seus médicos. Depois de
muitos sofrimentos veio a falecer, ou supôs-se que houvesse falecido. Ninguém
suspeitava, na verdade, nem tinha razão de suspeitar, que ela não estivesse realmente
morta. Apresentava todos os sinais habituais de morte. O rosto tomara o usual contorno
cadavérico. Os lábios tinham a habitual palidez marmórea. Os olhos estavam sem brilho.
Não havia calor. A pulsação cessara. Durante três dias o corpo foi conservado insepulto,
adquirindo então uma rigidez de pedra. Afinal, o enterro foi apressado, por causa do
rápido avanço do que se supunha ser a decomposição.
A mulher fora depositada no jazigo da família, que não fora aberto nos três anos
subseqüentes. Ao expirar esse prazo, abriram-no para receber um ataúde; mas, ai!, que
pavoroso choque esperava o marido que abrira - em pessoa a porta. Ao se escancararem
os portais, certo objeto branco caiu-lhe ruidosamente nos braços. Era o esqueleto de sua
mulher, ainda com a mortalha intacta.
Cuidadosa investigação tornou evidente que ela recuperara a vida dois dias depois de seu
enterramento; que sua luta dentro do ataúde fizera-o cair de uma saliência ou prateleira,
no chão, onde se quebrara, permitindo-lhe escapar. Uma lâmpada que fora, deixada cheia
de óleo dentro do jazigo foi encontrada vazia; contudo, poderia ter sido esgotada pela
evaporação. No alto dos degraus que levavam à câmara mortuária, havia um grande
fragmento do caixão, com o qual, parecia, tinha ela tentado chamar a atenção batendo na
porta de ferro. Enquanto assim fazia, provavelmente desfaleceu ou possivelmente morreu
tomada de terror ao cair, sua mortalha ficou presa a algum pedaço de ferro no interior. E
assim ela permaneceu e assim apodreceu, erecta.
No ano de 1810, um caso de inumação viva aconteceu na França, cercado de
circunstâncias que provam plenamente a afirmativa de que a verdade é, de fato, mais
estranha do que a ficção . A heroína da estória era Mademoiselle Vitorina Lafourcade,
moça de ilustre família, rica e de grande beleza pessoal. Entre seus numerosos
pretendentes havia um tal Julien Bossuet, pobre literato ou jornalista de Paris. Seu
talento e sua amabilidade tinham atraído a atenção da herdeira, por quem parecia ter
sido verdadeiramente amado; mas o orgulho de seu nascimento decidiu-a, por repeli-lo e
a casar-se com um certo Monsieur Renelle, banqueiro e diplomata de certa importância.
Depois do casamento, porém esse cavalheiro a desprezou e, talvez mesmo mais
positivamente, maltratou-a. Tendo passado a seu lado alguns anos infelizes, ela morreu;
pelo menos, seu aspecto se assemelhava tão de perto a morte que enganava a qualquer
que a visse. Foi enterrada, não no jazigo, mas num sepulcro comum, na vila onde
nascera. Cheio de desespero e ainda inflamado pela lembrança de sua profunda afeição, o
apaixonado viajou da capital para a longínqua província em que se achava a aldeia, no
romântico propósito de desenterrar o cadáver e apossar-se de suas fartas madeixas.
Chegou ao túmulo. À meia-noite desenterrou o caixão, abriu-o e, ao cortar-lhe o cabelo,
foi detido pelos olhos abertos de sua amada. De fato, a mulher tinha sido enterrada viva.
A vitalidade ainda não desaparecera de todo e ela foi despertada pelas carícias de seu
amado do letargo que fora tomado como morte.
Ele a levou, nervosamente, aos seus aposentos na aldeia. Empregou certos poderosos
analépticos sugeridos por seus não pequenos conhecimentos médicos. Por fim, ela
reviveu. Reconheceu seu salvador. Permaneceu com ele até que, gradativamente,
recobrou por completo, a primitiva saúde. Seu coração de mulher não tinha a dureza dos
diamantes e essa última lição de amor bastou para abrandá-lo. Concedeu-o a Bossuet.
Não voltou à companhia do marido; mas, ocultando dele a sua ressurreição, fugiu com
seu amante para a América. Vinte anos depois, ambos voltaram à França, persuadidos de
que o tempo tinha alterado tão grandemente o aspecto da mulher que seus amigos seriam
incapazes de reconhecê-la. Enganaram-se, porém, porque, ao primeiro encontro,
Monsieur Renelle reconheceu logo e reclamou sua mulher. Ela se opôs a essa reclamação
e um tribunal de justiça apoiou-a, decidindo que as circunstâncias peculiares e o lapso de
anos haviam extinguido, não só eqüitativa, mas legalmente, a autoridade do marido.
O Jornal de Cirurgia de Lipsia, periódico de alta autoridade e mérito, que alguns livreiros
americanos fariam bem em traduzir e republicar, relembra num dos últimos números um
acontecimento bem penoso dessa mesma espécie.
Um oficial de artilharia, homem de gigantesca estatura e vigorosa saúde, tendo sido
atirado de um cavalo indomável, recebeu fortíssima contusão na cabeça que o tornou
imediatamente insensível. O crânio ficou levemente fraturado, mas não se temia imediato
perigo. A trepanação foi executada com pleno êxito. Sangraram-no e puseram-se em
execução vários outros meios comuns de alívio. Gradualmente, porém, foi ele
mergulhando, cada vez mais, num estado de desesperado torpor e, finalmente, pensou-se
que havia morrido.O tempo era de calor, e enterraram-no, com pressa censurável, num
dos cemitérios públicos. Seu enterro realizou-se na quinta feira. No domingo seguinte o
cemitério, como de costume, encheu-se de visitantes e, ao meio-dia, produziu-se intensa
excitação quando um camponês declarou que, tendo-se sentado sobre o túmulo do oficial,
sentira distintamente um movimento da terra, como se ocasionado por alguém que
lutasse ali embaixo. A princípio, pouca atenção foi dada à afirmativa do homem, mas seu
evidente terror e a afirmativa obstinada com que persistia em sua estória produziram
afinal, natural efeito sobre a multidão. Procuraram-se, às pressas pás, e o túmulo, que
era vergonhosamente pouco profundo, foi em poucos minutos tão depressa escavado que
a cabeça do seu ocupante apareceu; ele estava, então, aparentemente morto, mas
sentara-se quase erecto dentro do caixão cuja tampa, na sua luta furiosa havia
parcialmente soerguido.
Foi imediatamente transportado ao mais próximo declarou-se que ele estava ainda vivo,
embora em estado de asfixia. Depois de algumas horas, reviveu, reconheceu pessoas de
sua amizade e, em frases entrecortadas, narrou as agonias que sofrera na sepultura. Pelo
que ele relatou ficou patente que devera ter estado consciente de perder os sentidos. A
sepultura fora descuidada e frouxamente cheia de uma terra excessivamente porosa, e
assim, algum ar podia, necessariamente, penetrar. Ele ouviu o tropel de passos da
multidão por cima de sua cabeça e procurou fazer-se ouvir por sua vez. Foi o barulho
dentro do cemitério, disse ele, que pareceu despertá-lo de um profundo sono, mas logo
que despertou sentiu-se cônscio do horror pavoroso de sua situação.
Este paciente, conta-se, estava indo bem e parecia achar-se em franco caminho de
completo restabelecimento, mas foi vítima do charlatanismo das experiências médicas.
Aplicaram-lhe uma bateria elétrica, de repente, expirou num daqueles extáticos
paroxismos que ela ocasionalmente provoca.
A menção da bateria elétrica, aliás, traz-me à memória um caso bem conhecido e
extraordinário, em que sua ação provou-se eficaz em fazer voltar à vida um jovem
procurador londrino que estivera enterrado durante oito dias. Isto ocorreu em 1831, e
causou, em seu tempo, profundíssima sensação, em toda a parte em que se tornasse o
assunto da conversa.
O paciente, Sr. Eduardo Stapleton, tinha morrido, parece, de tifo, com seus sintomas
anômalos que haviam excitado a curiosidade de seus médicos assistentes. A respeito
dessa morte aparente, solicitou-se de seus amigos que permitissem um exame post
mortem mas eles se negaram a consentir nisso. Como acontece muitas vezes quando se
fazem tais recusas, os profissionais resolveram desenterrar o corpo e dissecá-lo, com
vagar, por sua conta.
Realizaram-se facilmente os preparativos, com os numerosos grupos de desenterradores
de cadáveres, então muito encontradiços em Londres, e, na terceira noite depois do
funeral, o suposto cadáver foi desenterrado de uma cova de dois metros e quarenta de
profundidade e depositado na sala de operações de um dos hospitais particulares.Uma
incisão de certo tamanho fora já feita no abdômen, quando a aparência fresca e
incorrupta do paciente sugeriu que se fizesse aplicação duma bateria. As experiências se
sucederam e sobrevieram costumeiros sinais, sem nada que, de algum modo, os
caracterizasse exceto, numa ou duas ocasiões, certo grau um pouco incomum de
vivacidade na ação convulsiva.
Fazia- se tarde. O dia estava prestes a raiar e achou-se, afinal, que era conveniente
proceder, sem demora, à dissecação. Um estudante, porém, estava especialmente
desejoso de provar certa teoria sua e insistiu em que se aplicasse a bateria num dos
músculos peitorais. Deu-se um grosseiro talho e aplicou-se apressadamente o fio; então o
paciente. num movimento ligeiro, mas não convulsivo , ergueu-se da mesa, andou até o
meio do soalho, olhou inquieto antes em redor de si e depois. . . falou. Não se podia
entender o que dizia, mas as palavras eram ditas e as formação das distinta. Depois de
falar, caiu pesadamente no soalho. Por alguns instantes todos ficaram paralisados de
terror, mas a urgência do caso em breve os fez recuperar a presença de espírito. Via-se
que o Sr. Stapleton estava vivo, embora desmaiado. Com aplicação de éter reviveu, e, sem
demora, recuperou a saúde, voltou convívio de seus amigos, dos quais, porém, todo
conhecimento de sua ressurreição fora oculto, até passar o perigo de uma recaída. Podem
imaginar-se sua admiração e seu arrebatador espanto.
A mais emocionante particularidade desse incidente, contudo, consiste no que o próprio
Sr. Stapleton afirma. Declara ele que em nenhuma ocasião esteve totalmente insensível;
que vaga e confusamente tinha consciência de tudo quanto lhe acontecia, desde o
momento em que foi declarado morto pelos médicos, até aquele em que desmaiou no
soalho do hospital. “Eu estou vivo” foram as palavras incompreendidas que, ao
reconhecer que se achava na sala de dissecação, tinha tentado pronunciar, naquela hora
extrema.
Seria coisa fácil multiplicar estórias como esta, mas abstenho-me disso porque, na
verdade, não temos necessidade de tal coisa para demonstrar que, efetivamente, ocorrem
enterramento prematuros. Quando refletimos, dada a natureza do caso, quão raramente
nos é possível descobri-los, devemos admitir que eles possam ocorrer freqüentemente sem
que o saibamos. É raro, na verdade que um cemitério seja revolvido, alguma vez, com
qualquer grande extensão, e não se encontrem esqueletos em posições que sugerem as
mais terríveis suspeitas.
Terrível, na verdade, a suspeita, porém mais terrível é tal destino! Podemos asseverar,
sem hesitação, que nenhum acontecimento é tão horrivelmente capaz de inspirar o
supremo desespero do corpo e do espírito como ser enterrado vivo. A insuportável
opressão dos pulmões, os vapores sufocantes da terra úmida, o contato nos ornamentos
fúnebres, o rígido aperto das tábuas do caixão, o negror da noite absoluta, o silêncio
como um mar que nos afoga, a invisível, porém sensível, presença do Verme
Conquistador, tudo isso com a idéia do ar e da relva lá em cima, a lembrança dos amigos
que voariam a salvar-nos se informados de nosso destino e a consciência de que eles
jamais poderão ser informados deste destino, e de que nossa desesperada sorte é a do
realmente morto, essas considerações, digo, acarretam ao coração que ainda palpita um
grau tal de horror espantoso e intolerável que a mais ousada imaginação recua diante
dele.
Nada conhecemos de mais agonizante sobre a terra. Não podemos imaginar nem a metade
de coisa tão horrível nas regiões do mais profundo inferno. E, por isso, qualquer
narrativa a respeito tem interesse profundo; interesse, porém, que através do sagrado
terror do próprio assunto, bem própria e caracteristicamente depende de nossa convicção
da verdade do caso narrado. O que tenho agora a contar é do meu real conhecimento, da
minha própria, positiva e pessoal experiência.
Durante vários anos estive sujeito a ataques da estranha moléstia que os médicos
acordaram em chamar catalepsia, na falta de denominação mais definida. Embora tanto
as causas imediatas e pré disponentes como o verdadeiro diagnóstico desta doença ainda
sejam misteriosos, seu caráter claro e evidente já está bastante compreendido. Suas
variações parecem ser, principalmente, de grau. As vezes, o paciente jaz, durante um dia
só, ou mesmo durante um curto período, numa espécie de exagerada letargia. Perde a
sensibilidade e os movimentos, mas a pulsação do coração é fracamente perceptível;
alguns restos de calor permanecem; ligeiro colorido se mantém no centro da face; e,
aplicando um espelho à boca, pode-se descobrir uma lenta, desigual e vacilante ação dos
pulmões. Outras vezes a duração do transe é de semanas ou mesmo de meses, e a mais
severa investigação, as mais rigorosas experiências médicas não conseguem estabelecer
qualquer distinção material entre o estado do paciente e o que concebemos como morte
absoluta.
Freqüentes vezes é ele salvo do enterramento prematuro apenas por saberem seus
amigos que fora anteriormente sujeito a ataques catalépticos, pela conseqüente suspeita
suscitada e, acima de tudo, pela aparência de incorrupção.
Os progressos da doença são, felizmente gradativos. As primeiras manifestações, além de
típicas, são inequívocas. Os acessos se tornam, sucessivamente, cada vez mais distintos,
prolongando-se cada um mais do que o anterior. Nisto faz a principal garantia contra a
inumação.
O infeliz cujo primeiro ataque for de caráter extremo, como ocasionalmente se vê, estará
quase sem remédio condenado a ser enterrado vivo.Meu próprio caso não diferia, em
pormenores importantes, dos mencionados nos livros médicos. Às vezes, sem nenhuma
causa aparente, eu mergulhava, pouco a pouco, num estado de semi-síncope, ou semidesmaio;
e neste estado, sem dor, sem possibilidade de mover-me ou, estritamente
falando, de pensar, mas com uma nevoenta e letárgica consciência da vida e da presença
dos que cercavam minha cama, eu permanecia até que a crise da doença me fizesse
recuperar, de súbito, a completa sensação. Outras vezes, era rápida e impetuosamente
surpreendido pelo ataque. Sentia-me doente, entorpecido, frio, aturdido e caía logo
prostrado. Depois durante semanas, tudo era vácuo, negror, silêncio, e num nada se
transformava o universo. Não poderia haver mais total aniquilação. Destes últimos
ataques eu despertava, porém, com lentidão gradativa na proporção da subitaneidade do
acesso. Da mesma forma por que o dia alvorece para o mendigo, sem lar e sem amigos,
que vaga pelas ruas, através da longa e desolada noite de inverno, assim também tardia,
assim também cansada, assim também alegre, voltava a luz à minha alma.
Exceto aquela predisposição para o ataque, meu estado geral de saúde apresentava-se
bom; nem mesmo eu podia perceber que todo ele se achava afetado por uma doença
predominante, a menos que, realmente, certa reação em meu sono comum pudesse ser
olhada como um sintoma. Logo ao despertar, nunca podia de imediato assenhorear-me de
meus sentidos e sempre permanecia, durante muitos minutos, em grande confusão e
perplexidade, com as faculdades mentais em geral, e especialmente a memória. num
estado de absoluta vaguidão.
Em tudo isso que eu experimentava não havia sofrimento físico, mas infinita a angústia
moral. Minha imaginação se tornava macabra. Falava de “vermes, de covas e epitáfios”.
Perdia-me em devaneios de morte e a idéia do enterramento prematuro se apossava de
contínuo de meu cérebro. O horrendo perigo a que estava sujeito, assombrava-me dia e
noite. De dia, a tortura da meditação era excessiva; de noite, suprema. Quando a
disforme escuridão inundava a terra, com todo o horror do pensamento eu tremia, tremia
como as plumas palpitantes que adornam os carros fúnebres. Quando a natureza não
podia mais suportar a insônia, era com relutância que eu consentia em dormir, pois me
abalava o pensar que ao despertar, poderia achar-me como habitante de um túmulo. E
quando, finalmente, mergulhava no sono, era apenas para precipitar-me imediatamente
num mundo de fantasmas acima do qual com asas enormes, lúridas, tenebrosas, pairava,
dominadora, Idéia sepulcral.
Das inúmeras imagens de tristeza que assim me oprimiam em sonhos escolho, para
ilustrar, apenas uma visão solitária. Creio que estava imerso num transe cataléptico de
duração e intensidade maiores que as habituais. De repente, senti uma mão gelada
pousar-se na minha fronte e uma voz, impaciente e inarticulada, sussurrou-me ao ouvido
a palavra: “Levanta-te!” Sentei-me. A escuridão era total. Não podia distinguir o vulto de
quem me havia despertado. Não podia recordar-me do momento em que caíra em transe,
nem do lugar em que então jazia, enquanto permanecia parado, ocupado em procurar
coordenar o pensamento, a fria mão agarrou-me, feroz, pelo punho, sacudindo-o com
aspereza, ao mesmo tempo em que a voz inarticulada dizia normalmente:Levanta-te! Não
te ordenei que te levantasses? Quem és tu? - perguntei.
- Não tenho nome nas regiões onde habito - respondeu a voz, funebremente. - Eu era
mortal, mas sou agora demônio. Eu era implacável, mas agora sou compassivo. Meus
dentes matraqueiam enquanto falo, embora não seja por causa da frialdade da noite, da
noite sem fim. Essa hediondez, porém, é insuportável. Como podes tu dormir tranqüilo?
Não posso repousar por causa do clamor dessas grandes agonias. Esse espetáculo é
superior às minhas forças. Põe-te de pé! Sai comigo para a noite e deixa que eu te
escancare os túmulos. Não é esta uma visão de horror? Contempla!Olhei, e o vulto
invisível que ainda me agarrava pelo punho, fez com que se abrissem todos os túmulos da
humanidade, e de cada um saiu o fraco palor fosfórico da podridão; e então eu pude ver,
dentro dos mais absconsos recessos, pude ver os corpos amortalhados nos seus tristes e
solenes sonos com o verme.
Mas, ai! Os que dormiam verdadeiramente eram muitos milhões menos do que aqueles
que não dormiam absolutamente; e debatiam-se, sem força; havia uma agitação geral e
confrangedora; e das profundezas das covas incontáveis se elevava o ruído roçagante e
melancólico das mortalhas dos sepultos. E entre aqueles que pareciam tranqüilamente
repousar vi que grande número havia mudado, em maior ou menor proporção, a rígida e
incômoda posição em que haviam sido primitivamente enterrados. E a voz de novo me
disse, enquanto eu contemplava:Não é isto, oh!, não é isto uma visão lastimável?
Mas antes que eu pudesse encontrar palavras para replicar, o vulto largou-me o punho,
as luzes fosfóricas se extinguiram e as tumbas se fecharam com súbita violência,
enquanto delas se erguia um tumulto de clamores desesperados: e ele disse de novo: “
Não é isso, meu Deus!, não é isto uma visão lastimável?”
Fantasias como estas que se apresentavam à noite estendiam sua terrífica influência
muito além de minhas horas de vigília. Meus nervos se relaxaram inteiramente e me
tornei presa de perpétuo horror. Hesitava em cavalgar, em passear ou em praticar
exercício que me afastasse de casa. Na realidade, não ousava afastar-me da imediata
presença daqueles que sabiam de minha propensão à catalepsia, temendo que, ao cair
num de meus costumeiros ataques, viesse a ser enterrado antes de que minha
verdadeira condição fosse certificada.
Duvidava do cuidado, da fidelidade de meus mais queridos amigos. Receava que, em
algum transe de maior duração que a habitual, fossem eles induzidos a considerá-lo como
definitivo. Eu mesmo cheguei a ponto de temer por causar muito incômodo, ficassem eles
satisfeitos em considerar qualquer ataque muito demorado como suficiente excusa para
se verem livres de mim de uma vez por todas. Era em vão que eles procuravam
tranqüilizar-me com as mais solenes promessas, mais sagrados juramentos de que em
nenhuma circunstância eles me enterrariam sem que a decomposição estivesse
materialmente adiantada, que se tornasse impossível qualquer ulterior preservação. E
mesmo assim meus terrores mortais não queriam dar ouvidos à razão, não queriam
aceitar consolo.
Iniciei uma série de cuidadosas precauções. Entre outras coisas, mandei remodelar o
jazigo da família, de modo a facilitar o ser prontamente aberto de dentro. A mais leve
pressão sobre uma comprida manivela que avançava bem dentro do túmulo, causaria a
abertura dos portais de ferro. Havia também dispositivos para a livre admissão de ar e da
luz e adequados recipientes para comida e água, dentro do imediato alcance do caixão
preparado para receber-me.
O caixão estava quente e maciamente acolchoado e provido de tampa construída de
acordo com o sistema da porta do jazigo, com o acréscimo de molas tão engenhosas que o
mais fraco movimento do corpo seria suficiente para abri-lo .
Além de tudo isto, havia suspenso do teto do túmulo, um grande sino, cuja corda, como
determinei, deveria ser enfiada por um buraco do caixão e amarrada a uma das mãos do
cadáver. Mas, ah!, de que vale a vigilância contra o Destino do homem? Nem mesmo
aquelas tão engenhosas seguranças bastaram para salvar das extremas agonias de ser
enterrado vivo um desgraçado condenado de antemão a essas mesmas agonias!
Chegou uma época - como muitas vezes havia chegado antes - em que me achei
emergindo de total inconsciência para o início de um fraco e indefinido senso da
existência. Vagarosamente. Numa gradação tardia, aproximou-se a nevoenta madrugada
do dia psicológico. Um torpor incômodo. Um sofrimento apático de obscura dor. Nenhuma
atenção, nenhuma esperança, nenhum esforço. Em seguida, após longo intervalo, um
zumbido nos ouvidos; depois disso, após um lapso de tempo ainda mais longo, uma
comichão ou sensação de formigueiro nas extremidades; depois, um período
aparentemente eterno de aprazível quietude, durante o qual sentimentos despertos lutam
dentro do pensamento; depois, um breve e novo mergulho no nada; depois, uma súbita
revivescência. Afinal o rápido tremer de uma pálpebra, e, imediatamente após, um choque
elétrico do terror, mortal e indefinido, que arroja o sangue em torrentes das têmporas
para o coração. E agora, o primeiro positivo esforço para pensar. E agora, a primeira
tentativa de recordar. E agora, um êxito parcial e evanescente. E agora, a memória já
recuperou de tal modo seu domínio que, até certa medida consciente de meu estado.
Sinto que não estou despertando de um sono comum. Lembro-me de que estive sujeito à
catalepsia. E agora afinal, como que inundado por um oceano, meu espírito trêmulo é
dominado pelo perigo horrendo, por aquela espectral e tirânica idéia fixa.
Permaneci imóvel alguns minutos, depois que essa imagem se apoderou de mim. E por
quê? Eu não podia armar-me de coragem para mover-me. Não ousava fazer o esforço
necessário para certificar-me de minha sorte, e, contudo, havia algo no meu coração que
me sussurrava que ela era fatal. O desespero - como de nenhuma outra desgraça que
jamais salteou o ser humano - só o desespero me impeliu, após longa irresolução, a
erguer das pálpebras de meus olhos. Ergui-as.
Estava escuro, totalmente escuro. Senti que o ataque tinha passado. Senti que a minha
doença há muito desaparecera. Senti que me achava agora completamente, em pleno uso
de minhas faculdades visuais. E contudo, estava escuro, totalmente escuro, daquela
escuridão intensa e extrema da noite que dura para sempre.
Tentei gritar, e meus lábios e minha língua seca moveram-se convulsivamente, em
comum tentativa, mas nenhuma voz saiu dos cavernosos pulmões, que, como oprimidos
sob o peso de esmagadora montanha, arfavam e palpitavam com o coração a cada
trabalhosa e penosa respiração. O movimento das mandíbulas, no esforço de gritar bem
mostrava-me que elas estavam amarradas, como se faz usualmente com os mortos. Senti
também que jazia sobre alguma coisa sólida e que a mesma coisa também me comprimia
estreitamente em ambos os lados. Até então eu não me atrevera a mover qualquer dos
membros; mas agora, violentamente, levantei os braços que tinham estado até então
sobre o peito, com as mãos cruzadas. Eles bateram de encontro a uma madeira sólida,
que se estendia sobre uma altura de não mais do que seis polegadas de meu rosto. Não
podia mais duvidar de que repousava dentro de um caixão.
E então, entre todas as minhas infinitas aflições, senti aproximar-se suavemente o anjo
da Esperança, pois pensei nas precauções que havia tomado. Retorci-me e fiz esforços
espasmódicos para abrir a tampa: não se movia. Tateei os punhos à procura da corda do
sino: não foi encontrada. E então o anjo confortador voou para sempre e um desespero
ainda mais agudo reinou triunfante, porque clara se tornava a ausência das almofadas
que eu tinha tão cuidadosamente preparado, e depois, também, chegou-me subitamente
às narinas o forte e característico odor da terra úmida. A conclusão era irresistível. Eu
não estava dentro do jazigo. Fora vítima de um de meus ataques enquanto me achava
fora de casa e então alguns estranhos, quando ou como não me podia recordar, me
enterraram como a um cachorro, trancado dentro dum caixão e lançado no fundo, bem
no fundo e para sempre, de alguma cova ordinária e sem nome.
Quando essa terrível convicção se fixou à força nos recessos mais íntimos de minha alma,
esforcei-me mais uma vez por gritar bem alto. E essa segunda tentativa deu resultado.
Um longo, selvagem e contínuo grito, ou bramido de agonia, ressoou através dos domínios
da noite subterrânea.
- Eei! Ei! Olha aqui! - respondeu uma voz grosseira.
- Que diabo é isso agora? - disse um segundo.
- Acabe com isso! - gritou um terceiro.
- Que pretende você berrando desse jeito, como um danado? - disse um quarto.E nisso fui
agarrado e sacudido sem cerimônia durante muitos minutos por uma turma de sujeitos
mal-encarados. Não me despertaram do meu sono, porque eu estava bem desperto
quando gritei mas me fizeram recobrar a plena posse de minha memória.
Essa aventura ocorreu perto de Richmond, na Virgínia. Acompanhado por um amigo que
eu tinha avançado, seguindo uma expedição de caça, algumas milhas ao longo das
margens do rio Jaime. A noite se aproximou e fomos surpreendidos por uma
tempestade. O camarote duma pequena chalupa, ancorada no rio e carregada de terra
pastosa para jardim, oferecia-se como o único abrigo disponível. Arranjamo-nos o melhor
que pudemos para passar a noite a bordo. Adormeci em um dos dois únicos beliches da
embarcação. Os beliches duma chalupa de sessenta ou setenta toneladas quase não
precisam ser descritos. Aquele que eu ocupava não tinha colchão de espécie alguma. Sua
largura extrema era de dezoito polegadas. A distância até o tombadilho, por cima da
cabeça, era precisamente a mesma. Fora com excessiva dificuldade que me apertara
dentro dele. Apesar de tudo, adormeci profundamente, e toda aquela minha visão, porque
não era sonho, nem pesadelo. surgiu naturalmente das circunstâncias de minha posição,
do meu habitual pensamento impressionado e da dificuldade, a que já aludi, de recuperar
os sentidos e especialmente a memória durante muito tempo depois de despertar de um
sono. Os homens que me sacudiram eram da tripulação da chalupa e alguns
trabalhadores contratados para descarregá-la. Da própria carga é que provinha aquele
cheiro de terra. A ligadura em torno de meus queixos era um lenço de seda em que havia
enrolado minha cabeça, na falta de meu costumeiro barrete de dormir.
As torturas experimentadas, porém, eram, sem dúvida, completamente idênticas, no
momento, às duma verdadeira sepultura, eram pavorosas, eram inconcebivelmente
hediondas. Mas do Mal se origina o Bem, porque aqueles paroxismos operaram
inevitavelmente revulsão no meu espírito. Minha alma adquiriu tonalidade, têmpera.
Viajei para o estrangeiro. Fiz vigorosos exercícios. Aspirei o ar livre do Céu. Pensei em
outras coisas que não na morte. Descartei-me de meus livros de medicina. Queimei
Buchan, não li mais os Pensamentos Noturnos, nem aranzéis a respeito de cemitérios,
nem estórias de fantasmas como esta. Em resumo, tornei-me um novo homem e vivi vida
de homem. Desde aquela memorável noite afugentei para sempre minhas apreensões
sepulcrais e com elas esvaneceu-se a doença cataléptica, da qual, talvez, tivessem sido
menos a conseqüência que a causa.
Há momentos em que, mesmo aos olhos serenos da razão, o mundo de nossa triste
Humanidade pode assumir o aspecto de um inferno, mas a imaginação do homem não é
Carathis para explorar impunemente todas as suas cavernas. Ah! A horrenda região dos
terrores sepulcrais não pode ser olhada de modo tão completamente fantástico, mas,
como os Demônios em cuja companhia Afrasiab fez sua viagem até o Oxus, eles devem
dormir ou nos devorarão, devem ser mergulhados no sono ou nós pereceremos.

Publicado por juan aka suddendevice em 01:34:32 | Permalink | Comentários (1) »

Terça-feira, Julho 10, 2007

Como o RPG arruinou minha vida.

Bah!!! Achei isso nas andanças pela rede, e tive que ler… Acabei me surpreendendo muito!!! Não sei quem escreveu, mas é um grande entusiasta do RPG, e muito bom de pena e pergaminho :P Se o autor aparecer, que se manifeste!!!

Como o RPG arruinou minha vida.
Já que é apenas isso que os preconceituosos aceitam como verdade, vamos lá. Contarei aqui em algumas
linhas como esse jogo arruinou minha vida.
- O RPG Arruinou meus Estudos:
Antes de jogar RPG, eu estudava horas por dia, para conseguir notas como 5 e 6 na escola. Assistia as aulas
de má vontade, e não encontrava motivações para permanecer estudando.
Depois que comecei a jogar RPG, passei a me interessar bastante por Historia, Política, Geografia, Biologia,
Física, Matemática, Química, Inglês, Literatura… passei a ler livros de historiadores e cientistas com gosto,
me esforçando para aprender tudo. No jogo, queria sempre estar ciente das coisas, e por isso, parei de estudar
com o intuito de passar de ano, e passei a estudar para me divertir. Li dezenas de livros para vestibular que os
jovens de hoje torcem o nariz, estudei com gosto, e sabendo para que serviam, todas as matérias. Claro, parei
de estudar para a escola por horas. Agora estudo para me divertir. Como resultado, passei nos melhores
vestibulares do pais nas primeiras posições, e hoje sou um dos melhores alunos de meu curso.
O RPG arruinou meus estudos. O jogo me fez pegar gosto por leitura e por aprender, algo inconcebível! Acho
que eu deveria largar minhas notas altas e o jogo, e voltar a ficar intermináveis horas estudando sem vontade
para tirar notas medíocres.
- O RPG criou-me um problema com Álcool:
Antes de jogar RPG, divertia-me saindo com os amigos, bebendo até cair nas boates, e recuperando o dinheiro
de todas as festas em cerveja. Arriscava a vida dos outros dirigindo alcoolizado, e toda semana tinha um
grande bafo. Saia de noite, e deixava meus pais aflitos por horas (ou dias), sem saber quando voltaria, e se eu
estava bem. Depois que comecei a jogar RPG, passei a rejeitar o Álcool. É impossível jogar sem estar com a
mente limpa e bem ativa, já que o jogo é um exercício de inteligência e imaginação. O jogo me ensinou que é
possível se divertir e se socializar sem estar sob efeito de nenhum tipo de droga, nem mesmo algo inocente
como o álcool. O RPG criou-me um problema com Álcool. Agora, eu não bebo, e acho que isto é um grande
problema para a industria de bebidas. Um jovem consciente e inteligente não deveria ficar em casa sem causar
preocupação aos pais, ou evitar dirigir alcoolizado, sem por em risco a vida das pessoas. Ele deveria se
embebedar e sair por ai cometendo barbaridades.
- O RPG arruinou minha religião:
Antes de jogar RPG, eu odiava religião, e blasfemava como um jovem revoltado. Odiava qualquer tipo de
cerimonia religiosa, e nem sequer tinha idéia do que era a bíblia. Ofendia bravamente todos os que
acreditavam. Depois que comecei a jogar RPG, me interessei por religião, pois meus personagens favoritos
em jogos eram padres. Passei a perguntar para pessoas entendidas no assunto, e acabei me sentido motivado a
ler o livro sagrado, bem como assistir cerimonias religiosas para entender seu funcionamento. Nunca mais
blasfemei, e agora me sinto uma pessoa mais culta. O RPG arruinou minha religião. É bem mais saudável
para uma pessoa chegar em um templo gritando e blasfemando, do que entender, respeitar e até mesmo se
interessar por seus credos. Obviamente, ter interesse por religião é algo profano, e eu deveria ter continuado a
blasfemar livremente.
- O RPG me mostrou a violência:
Antes de jogar RPG, eu assistia todo o tipo de violência na TV, e achava normal. Fazia inclusive maldades
infantis com animais, e brigava muito na escola, mesmo sem motivo. As vezes, discutia com as pessoas por
nada. Depois que comecei a jogar RPG, passei a pensar mais nos fatos do dia a dia, e conclui o quão grave era
a violência no mundo. O Jogo me mostrou uma diferença que a TV não conseguia - a da realidade para a
ficção. Passei a fazer partes de movimentos pela paz, e hoje prefiro dialogar, mesmo que sendo ofendido e
não compreendido, do que partir para a ignorância. Não assisto muitos filmes de ação, por considera-los sem
historia, apenas uma pilha de sangue e mortes. O RPG me mostrou a violência. Com certeza, eu deveria ter
ficado como tantos outros jovens, influenciado pela mídia, e quem sabe cometer algum crime? Ser pacifista e
prezar pela vida é com certeza um defeito que este jogo me deu.
- O RPG destruiu minha vida social:
Antes de jogar RPG, eu ia em festas e encontros onde as pessoas humilhavam umas as outras, bêbadas e
drogadas, fazendo um eterno teatro de falsidade. Muitas vezes, fazíamos coisas dignas de bandidos. Era
aficionado por estar sempre na moda, beber mais que todos, ter o melhor carro, assistir todos os programas da
TV, ir mal na escola, apostar rachas, e todo o tipo de coisa que jovens desmiolados fazem em suas vidas
sociais. Tinha preconceito de tudo, e estava sempre pronto a humilhar alguém diferente, sem sequer tentar
entende-lo. Depois que comecei a jogar RPG, passei a ver o quão infantil e idiota era meu antigo
comportamento. Passei a encontrar-me com amigos mais saudáveis, não para beber e ficar, mas para
conversar amigavelmente, aumentar meus horizontes, e me sentir menos enganado. Passei a conhecer as
pessoas pelo que elas realmente são, e nunca mais tive preconceito com nada. Tenho uma vida social mais
ativa e mais estável agora, com pessoas que pensam como eu e não tem intenções ruins.
O RPG destruiu minha vida social. É indiscutível que as barbaridades sexualistas das festas, o consumo
pesado de drogas e a pronta capacidade de humilhar alguém é algo totalmente necessário para a formação de
um indivíduo integro. Pessoas que preferem encontrar os amigos em cinemas, livrarias ou restaurantes, ao
invés de boates, clubes e botecos com certeza são a pior escoria da sociedade.
Acho que o RPG contribui fortemente para fazer um adolescente padrão e revoltado se tornasse um adulto
estudioso, amigável e aberto a novas idéias. Obviamente, isto é um grande problema. Como uma pessoa
integra poderia ser útil no mundo de hoje? Bem, amigos, pela minha historia de vida, que acredito ser
semelhante à de muitos de vocês, acredito que se o RPG foi responsável por isso, com certeza ele deva ser
proibido. É claro, a menos que você não entenda ironia.

Publicado por juan aka suddendevice em 01:31:37 | Permalink | Comentários (2)

Sábado, Julho 7, 2007

Kopete: Como abrir MSN no Kurumin Linux

Depois de um tremendo jejum de posts…

Tava com problema pra conectar na minha conta do gmail usando o Kopete. Dá a seguinte mensagem de erro: “O SSL não pôde ser inicializado para a conta fulano@gmail.com. Isto normalmente ocorre porque o plugin QCA TLS não está instalado no sistema.” Fiz o seguinte: Fui pro Yakuake e botei sudo apt-get install qca-tls…

Tarááááááaá!!!

Ôpa, não rolou…

Não funcionou ainda o Kopete!!!

Olhei a porta, lá no Menu Configurações/Configurar e opção Contas escolhi a Jabber e cliquei no botão Modificar. Na aba Conexão tem que marcar as três primeiras opções, “Usar criptografia do protocolo (SSL)”, “Permitir senha de autenticação em segundo plano” e “Sobrepor informações padrão do servidor”. No campo abaixo, coloque “talk.google.com”, e em “Porta” bota 5222 (eu botei aqui 5223 e fluiu) ou outra que preferir.

Agora siiim!!!

Esse Kopete tem suporte a todas as frescuras do MSN e é à prova de crash por MSN Floods e encheções de saco que o IM da Micro$oft padece, além de ser de grátis, suporta acho que todos os protocolos de IM atuais e usa os Styles do KDE pra dar uma personalizada…

Outra coisa: Ler os comentários e escrever comentários é uma forma utilíssima de colaborar com pessoas que tiveram a mesma dificuldade que tu teve… Eles já me salvaram muitas vezes, junto com fórums, manuais, HOW-TOs e até tópicos no Orkut…

Fontes que o Google profetizou:
http://blog.elcio.com.br/configurando_o_kopete_para_o_google_talk/
http://www.guiadohardware.net/dicas/google-talk-kopete.html

Publicado por juan aka suddendevice em 15:03:22 | Permalink | Comentários (1) »