Faz tempo que não escrevo nada.
Faz tempo mesmo… Dessa vez resolvi parar de postar coisa de Ctrl+C e Ctrl+V e fazer algo pelo aspecto espiritual desse blog paradão
Vou postar meus textos sobre os pecados capitais.
A preguiça é, na minha opinião, o defeito capital mais terrível. Claro que há o Orgulho, célere destruidor, mas a preguiça aliada a procrastinação, e a acídia, é por demais temível.

Há a muitas facetas, a preguiça, e são discretas e envolventes… Como a preguiça do labor, do compromisso, que corrói o convívio social e o convívio interno.
Como cita Joanna de Ângelis: “Um preguiçoso para a psicologia é uma pessoa sem resistência moral e psicológica para os desafios impostos pela vida. Que busca justificativas sempre externas para a sua falta de ação naqueles momentos decisivos que lhe surgem”, ou seja, uma pessoa fraca, ou incapaz de tomar uma ação frente algum desafio e que culpa as pessoas próximas de sua inépcia.
Entra em cena a procrastinação. No latim, é deixar para amanhã. Procrastinadores geralmente possuem transtornos psíquicos nos graus mais variados, e evita tarefas ou uma tarefa específica e que, surpreendente, não é necessariamente vinculada a preguiça, mas também à ansiedade, mais conhecida pelos quadros de hiperatividade, mascaradora da atitude preguiçosa.
Tarefas complexas que são constantemente evitadas, baixa-estima, perfeccionismo não adapativo, ansiedade, stress, e outros são agravantes e agravados pela procrastinação.
Contudo, de todo ela não é sempre patológica, e a preguiça em si não é única dos seres humanos. Outros seres vivos usam dela como economia de energia, em períodos de escassez de alimento, sendo um artifício que a natureza usa na sobrevivência. Entre os seres humanos, há um nível natural e aceitável de procrastinação e preguiça, contudo, o estado patológico desses estados trazem transtornos psíquicos, fisiológicos e espirituais.
E há a acídia, a face mais perigosa desse defeito. É a tristeza pelo bem espiritual; a acidez, a queimadura interior do homem que recusa os bens do espírito. A preguiça de atentar para as Obras do Espírito, e de seu Bons Frutos. Atualmente, a acídia fora suplementada pela preguiça como pecado capital, tida como a “menos pior” dos defeitos, deixando de mostrar sua gravidade de adiar a Obra.
O autor Pieper salienta :”O fato de que a preguiça esteja entre os pecados capitais parece que é, por assim dizer, uma confirmação e sanção religiosa da ordem capitalista de trabalho. Ora, esta idéia é não só uma banalização e esvaziamento do conceito primário teológico-moral da acídia, mas até mesmo sua verdadeira inversão”. Ora, o oposto da preguiça não é trabalhar, não é gerar capital. O oposto dela é a iniciativa, espontaneidade, cometimento, ímpeto, ousadia, liderança, inovação. O conceito de preguiça como pecado além da preguiça de acordar cedo fora esquecido, mas ele atua, e mais do que nunca. A procrastinação de ler as Sagradas Escrituras, de meditar, de orar, de praticar caridade, de ascender espiritualmente.
Em nossos dias, estamos ocupados demais com a rotina de trabalhar, estudar, descansar para fazer tudo de novo, e de obter moedas para sobreviver. Em nosso cotidiano dificilmente cabe aquele tempo tão necessário, o momento de dedicar-se à Verdade Superior.
Um treino de Vontade, um constante exercício para aguçar a iniciativa, e de abandonar o costume de deixar para amanhã, e enfrentar ao invés de evitar o que teme, é necessário para combater esse pecado. A Vontade, unida ao Verbo são os que originam a ação, o movimento. Devemos possuir a Ousadia Divina, de ter ímpeto de agir e professar segundo Sua Obra, e isso começa nos pequenos atos. Afirmo novamente: A preguiça tem uma dinâmica parecida com a da ansiedade: Distração, irritabilidade, sensação opressora de algo sempre pendente, começar várias coisas a fazer sem concluir nenhuma, procrastinação quanto a uma tarefa difícil, nova ou importante, projeção de culpa da preguiça/ansiedade em outras pessoas, depressão, desenvolvimento de manias e de compulsões, depreciação de si próprio através de transtornos disformes, baixa-estima e outros. Geralmente o preguiçoso não consegue realizar tarefas simples, o que provoca negligência, fatal na Obra como ilustra sabiamente Eliphas Levi: “O pó (sobre móveis da casa que acumula com o tempo) é sinônimo de negligência, e negligência no Caminho Mágico é fatal”. Um amigo, um cônjuge podem ajudar neste sentido, no de introduzir novos hábitos sendo um exemplo e vencer a estagnação, mostrando novas formas de realizar alguma tarefa que o preguiçoso evade, e, principalmente, apresentar ao enfermo novidades.
A novidade, podendo ser dito um grande oposto à preguiça, é de grande auxílio pois a estagnação é dissipada rapidamente. Mudar a disposição dos móveis da casa, mudar de casa, mudar para uma dieta mais frugal, natural e evitando excesso de carnes e alimentos pesados, fazer exercícios físicos com frequência, conhecer pessoas e visitá-las e ser visitado renova o movimento do espírito.
E uma religião forte, um vínculo poderoso com Deus, e orações verdadeiras e fervorosas no sentido de combater esse defeito é de vital importância.
Vale lembrar que Cristo mostrava calma e benignidade de espírito, mas nada de preguiça. Parcimônia, bondade, cautela, minúcia e dedicação não podem ser confundidos. Ademais, a Bíblia aborda este tema em várias partes, e nos exorta quanto a evitar esse defeito capital, como no Provébio 6: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento.”
A Mitologia Grega também cita, e há uma versão que explica a origem da constelação do signo de câncer que um Caranguejo fora mandado para beliscar Hércules para “avivar-lhe o espírito”, quando estava prostrado de cansaço durante o combate da Hidra. O Caranguejo enviado fora esmagado durante o embate, e pelo comprimento de seu objetivo, fora eterno para os céus.
Ora, se Hércules teve de ser estimulado a continuar, porque houve “tristeza em continuar” o embate da criatura que multiplicava as cabeças ferozes à medida que eram decepadas, que dirá de nós humanos, frente aos problemas modernos tão conflitantes individuais? Exige Vontade forte, para vencermos este mal que surge sutil e confortavelmente envolvente, mas que priva de movimentos e nos faz sucumbir frente ao que pode ser combatido.