Friday, February 27, 2009

Vampiro Morto

    Dum livro de terror beeem da antiga, de autores menores de Brazil.
    Um saquinho de jujubas para quem descobrir o autor e o livro. :P
    Os nomes eu não lembro direito, e de umas partes eu esqueci, mas assim que der tempo, posto a história toda (que é bem grande) na íntegra e os nomes corrigidos. E o nome do livro e autor, claro.
    O nome tá errado??? É que eu tinha visto no Deviantart um desenho que era a exata imagem mental minha do tal bicho da caverna. Gravei como Griffu. O vid tá lá no fim do conto.

Griffu

Sempre soube que existiam. Sempre tive pesadelos sobre o momento em que desafiaria um. Dispendi muito tempo da minha vida, minha posição social, credibilidade, minha saúde, minha sanidade, minha vida pela prova concreta disso. Não possuo parente nem amigos, somente literaturas herméticas, malditas ou negras e algumas até santas que abordam esse tema.

As poucas pessoas que vejo são estranhas e nunca revelam detalhes de suas vidas. Nem sei seus nomes, mas para o meu objetivo não preciso sabê-los. São pessoas ligadas às magias dos graus mais variados, devotos aos deuses baixos e carnais, sanguinários, loucos e extáticos. Alguns poderia ousar chamar de santos.

Mal sabia eu que a verdade se esconde dos sábios no livro oculto mais difundido.

Numa das minhas viagens de encontro ao extra natural, Zimbábue na África, e após muita persuasão eu tive a oportunidade de acompanhar o ritual de zumbificação, num processo bem físico e realista: Muitos venenos e substâncias, uma morte induzida e umas putrefações contidas, produzindo uma morte prematura ou uma vida abortada. Nada demais exceto pelo inegável teor mágico na receita, o que a torna difícil de reproduzir sem as condições perfeitamente ideais. Mas nada de vampiros.

O tema dos Ghouls não deve ser abordado agora.

Os negros falaram de um ser muito antigo que há muitas gerações ronda os rebanhos novos, um ser que suga todos os líquidos das presas, e não só o sangue, resultando numa carcaça assustadoramente seca. Pelos relatos e exames de autoridades curiosas, os animais são atacados ainda com sinais vitais para facilitar a sucção, numa morte extremamente penosa e lenta podendo se estender por muitas horas a fio.

O que me levou até esse inóspito local era o fato de que poucos humanos foram atacados e nenhum sobrevivera, e de que os casos ocorrem somente à noite. Uma criatura dotada de uma força brutal, dominando leões, zebras e aves de toda sorte e tamanhos numa rapidez e destreza muito acima das suas presas. Todavia, as lendas a respeito são muito imprecisas e divergem concernente a constituição física desse terror, mas os relatos locais sempre conferem certos elementos animalescos e fantásticos, como levitar, ter os olhos flamejantes , possuir serpentes em lugar de dedos e uma boca dotada de presas maior que a boca.

Uma coisa que me chamou a atenção é que, apesar da morte tão lenta a dolorosa, em nenhum relato foi ouvido qualquer som durante o ataque.

O fato mais curioso é o de que ataques são mais freqüentes que o normal e considerados como um fenômeno natural da região: Para os corajosos, sondar em busca dessa criatura é imediatamente uma tentação arrebatadora.

Muitos dos meus contatos anônimos indicaram eu procurar nesse local o que era alvo da busca de toda minha vida. Mas fui advertido dos sortilégios proferidos pelos habitantes locais e do perigo iminente.

Os males que afetam essa existência passaram com o tempo a serem cada vez mais insondáveis e cada vez mais poderosos. A eminência de que existem e é necessário dar preocupação é inegável, porém a escuridão é difícil de ver quando se está imerso nela.

Depois de muita dificuldade em entender a língua dos habitantes e uma viagem extremamente exaustiva e desconfortável me foi revelada nas lendas a suposta moradia de tal criatura: Habita uma fenda na rocha, num outeiro seco e estéril muitíssimo longe da aldeia onde estava. Uma fenda na pedra nua, com muitos metros de profundidade, provavelmente um olho de luz na galeria de uma caverna. Diziam ser a porta do próprio inferno porque a noite emana calor e vapores e sempre fedia a podre, num “odor que dói na barriga e arde o olho“ como os anciães da aldeia ecoaram numa das cabanas em uníssono.

Tentei em vão organizar uma expedição ao local, pois os nativos se recusavam veementemente somente dizendo não quererem trazer o mal agouro para a aldeia, recém em paz com as tribos vizinhas, o que era sinônimo de negociações, escambo e uma amplitude maior de território para explorar sem as lanças, clavas e zarabatanas da rivalidade.

Minha insistência e teimosia tiveram um preço: Os principais da aldeia me amaldiçoaram por desafiar um poder maligno e me ameaçaram tirar a vida se a criatura não o fizesse. Propus num ato de repentina valentia ser conduzido até o local.

Todos admiraram minha tolice e finalmente concordaram, certos da minha morte.

Logo ao amanhecer dois guias me conduziram ao local. Concordaram em me levar apenas até onde a “grama é verde“. Concordei achando que fosse uma brincadeira, pois em todo lugar onde a vista alcança a relva nos agrada com sua viçosa cor verde-escuro entre moitas e árvores repletas de frutos e de aves barulhentas.

À medida que o dia despertava nos distanciávamos da aldeia, mas o sol já se erguia num brilho jamais visto, refletindo nas costas negras e robustas dos meus dois companheiros de trilha. Imaginava quão bravo eram aqueles esguios e altivos negros, possuidores de um vigor penosamente exigido pelo local inóspito. “Se algo der errado, eles com certeza sabem como agir“, pensava, “devem ter aqueles dardos com veneno de sapo que derruba um rinoceronte“, tentava me conformar diante de algum possível perigo iminente.

Logo o calor nos assola e eu em vários momentos pedi para descansar. A caminhada perdera sua graça e não havia onde escapar das golfadas de um calor calcinante emitida de todas as direções para dentro da carne.

Aproximadamente ao meio-dia os dois nativos me apontaram uma direção e se puseram a caminhar na direção oposta: Estavam voltando. Como não falo sua língua nem tinha fôlego para uma só palavra nem apresentei resistência -minha exaustão era total- me restava seguir, trôpego, à direção indicada.

Um deles voltou e me ofereceu a sua lança e umas palavras estranhas. Eu as aceitei.

Após aproximadamente onze horas de caminhada, quase desmaiando noto que a vida também ficou para trás: A vegetação rasteira e espinhenta, as moitas cheias de animais pequenos e as árvores frondosas, apinhadas de seres ativos e sonoros cederam lugar a um imenso árido infinito e sem traço de movimento, nenhuma pedra ou acidente no relevo e somente uma areia compacta e escurecida, como uma chapa de uma fornalha a arder.

Muito ao longe se via tremulando pelo calor um ponto, parecendo gasto pelo o tempo e pelo o sol, as únicas coisas presentes no local além de mim. Logo lembrei dos meus suprimentos: Possuía um cantil e meio d’água, uma carne de sol estranha para o almoço e massa seca. Mas o calor era tanto que provocara em mim um enjôo de fome que me impedira de ingerir qualquer coisa senão água.

Chegando no local, logo à vista, um pouco na esquerda a tal fenda da rocha, no sopé do grande morro gasto. O sol incidia fortemente na pedra e me impossibilitava tocá-la sob a pena de fritar vivo. Não me restou nada senão entrar no buraco, a salvo do escaldante clima.

A fenda possui uns três metros de altura e algumas dezenas de centímetros de largura, me obrigando a passar primeiro os cantis e depois a mim. O ar imediatamente se tornou sulfúrico e gelado, fedendo de tal forma que tive que retornar à abertura para respirar, vendo que seria difícil explorar a caverna dado aquele odor insuportável.

Enquanto eu olhava o nada do horizonte serpenteando em ondulações de calor eu pensava a fonte desse odor, a razão daquela aridez e como eu passaria a noite numa caverna dita ser o covil da criatura mais cruel e irracionalmente perversa.

Meu corpo tórrido e febril arrepia-se lentamente dos pés à cabeça numa dor lancinante pelas costas: Soprava de dentro daquela fissura um vento glacial, como das tocas dos Loup-Garous da França, num indício de outra saída além daquela.

Respirando fundo, joguei-me caverna adentro. Vi em seguida que somente a entrada era estreita, o interior era surpreendentemente grande -e úmido- para minha surpresa: água vertia lentamente pelas paredes de rocha escura e pontiaguda.

Bem ao centro da galeria havia um fio d’água, pequeno córrego que produzia o som persistente e ecoante de água vertendo. Apesar da minha vontade incontrolável de me refrescar aquele som me parecia tremendamente irritante. Pensei o lugar ser realmente possuidor de uma maldição das mais negras e infernais, pois do contrário seria um oásis aconchegante: Um local protegido do sol e com água corrente no meio do nada que eram aquelas areias estéreis. Mas o silêncio da vida inexistente persistia ali, sem insetos, sem limo ou liquens aparentes, pedras frias e lisas, sem morcegos, centopéias, aranhas, baratas, vermes, cobras e outros andarilhos típicos de cavernas.

Aquela estava doente e padecia de algum mal de morte.

A cada passo que dava a luz se distanciava, me voltando para onde viera notei que estava a uns cinqüenta metros de distância da entrada, e o calor solar dera lugar a um arrepio incontido de frio. Passei logo a tremer convulsivamente, possivelmente devido à insolação excessiva e a súbita queda de temperatura. E esse ódio imaterial que adensa o ar estagna qualquer coisa que desça às suas câmaras acentuava minha debilidade. Congela, petrifica, fixa e imobiliza o corpo quase deixando escapar a alma agoniada.

O fedor tremendo dá lugar agora a um irritante cheiro ácido. Os meus olhos passam a lacrimejar abundantemente, me obrigando a piscar vertiginosamente abro caminho cambaleando no chão irregular tateando na rocha gelada que ao contato surpreendentemente torna-se morna, pulsante.

-Em direção ao córrego, falta pouco. Estava a poucos passos de mim, pensava. Ajoelho-me, pego aquelas águas gélidas, vindas das entranhas da terra e com as mãos em forma de concha refresco meu rosto. Um providencial instante de sensação de alívio e frescor toma conta do meu corpo, uma leveza deliciosa me possui por momentos, para ceder lugar ao fogo que consumiu minha pele.

E me sinto arder. A pele do meu rosto começa a soltar carnes como se estivesse deteriorando-se aceleradamente e agora mostra veios preciosos de escarlate, corroendo-se e escorrendo lentamente com um tipo de solução cáustica daquela água. Meus olhos sofrem uma pressão tão intensa que quase saltam das órbitas e minhas mãos passam a doer com força. Caio sentado no chão e aos berros abro o cantil para derramar água dele em minha face.

A água da aldeia é quente e de gosto ruim, mas é de boa fé. Sendo uma das muitas coisas que deixei para trás em busca duma coisa nem se sabe ser viva mas certa de estar com as hostes infernais a atormentar-lhe. Água, família, cama, meus escritos, minha Bíblia, a boa fé. Já estava por demais arrependido e de coração esmagado para desistir.

Resolvido o enigma de tamanha esterilidade naquele local, me retiro para fora da fenda, já farto daquela tumba sem vida e totalmente incrédulo de que algo vivesse do meio da rocha nua, enxofre ou amônia e águas corrosivas.

Só uma criatura descarnada e fantasmagórica pode dar aquela fenda por habitação.

Mas me fez tremer por dentro: Pensei uma criatura sugar líquidos para obter nutrientes: Por viver exatamente naquele lugar, onde ninguém a perturbaria e poderia assimilar calmamente os sumos vitais de outrem Sugando dum ser com vida o que aquele terreno morto não provê.

Se bem que meus gritos e dores daquela água traiçoeira qualquer coisa naquela caverna despertaria. Foi quando notei o tempo ter passado muito rapidamente. Não havia mais luz lá fora.

Num suspiro agoniado, dessa vez mais intenso, me tenho como fora de mim, pois ao sair vejo que o sol já cedera lugar à lua.

A verdade se aproxima. E tem sede.

Eu possuía somente uma grande fome e muita dor na minha face, o que consumira todas minhas provisões e meu último meio cantil, o que me deixara somente mais sedento. “Que lugar horrível“, pensava, “se eu sobreviver essa noite, tratarei de deixar esses estudos fatais imediatamente“, repreendia-me.

Amontoei-me numas pedras a poucos metros da fenda escura no sopé daquela montanha gasta. À noite aquele lugar possuíam um ar sobremaneira sombrio e me fazia perguntava como tivera coragem de adentrar ali, naquela fenda alta e estreita, donde agora gases fumegam lentamente, como almas descarnadas numa dança macabra. Tudo somava mais e mais horror àquela noite.

Nesses momentos você se lembra de Deus e tem uma fé misteriosamente forte Nele.

Usando meu cantil vazio como encosto, o coloco atrás da minha cabeça, para recostá-la na pedra imensa logo atrás de mim. De certa forma fico um pouco confortável, e a temperatura passa a cair vertiginosamente.

A minha febre do sol, antes discreta agora dera lugar a uma sudorese fria e calafrios: O meu corpo incandescia e eu tinha frio a ponto de não sentir meus dedos e pés. Eu não podia me movimentar, temendo atrair a tal criatura, mas tremia e tinha espasmos de tal forma que as pedras mais altas e soltas cediam e rolavam sonoramente umas pelas outras no sopé do monte. Numa tentativa frustrada de tentar ficar mais confortável removi uma grande pedra achatada a minha frente, sem temer encontrar insetos ou bichos peçonhentos embaixo, dado aquele lugar impossibilitado de sustentar a vida, e descobri em tempo que as rochas mais abaixo eram mornas, conservando o uma ínfima parte do calor tórrido do dia.

Em instantes estava praticamente enterrado, agora sensivelmente aquecido pelas rochas pesadas e achatadas. Elas causavam um grande desconforto ao respirar mas me davam uma pequena soma à esperança de sobreviver àquele lugar.

Silêncio. Uma leve brisa glacial congelava meu rosto ardido e exposto. Não tinha notado, mas meus lábios tinham sofrido a ação ácida da água e agora estavam grudados uns ao outro. Somente um canto da boca respirava, e não ousaria abri-la, sob a pena de ter novamente a dor lancinante e prolongada do desgraçado banho. Somente os ardores intensos aliados ao frio eram suficientes para me manter insone e pasmo com minha tamanha imprudência.

A noite adentra, e já nem sinto mais meu corpo. Talvez o frio e o peso das pedras tivessem privado meus membros de circulação do sangue, mas estava demasiado exausto para me importar. As estrelas são brilhantes e nítidas, pedras lapidadas cravejadas no céu como jamais vira antes, a lua se assemelha a um anzol de prata, metálico, afiado e sem isca espetada.

Por momentos em delírio esqueci-me completamente do monstro que tinha me levado até aquele lugar para me deformar o rosto e fazer-me enterrar vivo.

E o mundo dos sonhos arrebatou-me.

Após meu corpo ceder e recuperar debilmente as energias, novamente o calor maldito e persistente arde na minha carne de forma incrível. Amanhecera e eu estava debaixo de um corpo. Num choque de realidade bato violentamente a cabeça na rocha e noto que meu cantil que servira de travesseiro sumira.

Um símio notavelmente grande, de braços compridos e de pêlos largos, o que julgo ter me aquecido de forma razoável, o que me evidenciara também que as pedras que eu tinha como cobertor foram cuidadosamente removidas.

Os nativos me pregaram uma peça. A criatura é uma ficção turística, aproveitando-se desse sombrio manancial cáustico: Fui pego de jeito nessa brincadeira, piada que quase me custa a vida.

Rolo aquele mamífero morto para o lado, provável vítima inocente desse embuste imbecil de gente sem diversão há séculos, me ergo cambaleante e sinto minhas costas estalarem como nunca antes. O sol não dá trégua e queima a tudo, o que me faz baixar meu olhar para aquele macaco, examinar como aquele bicho foi morto. Quando me detenho em sua face noto que não possui olhos nas suas órbitas e sim dois orifícios profundos, ausentes de sinais de violência: Parecia terem sido retirados por um cirirgião. Espreito tomado de pavor para todos os lados. Não há nada senão o calor ondulando no chão ao longe. O silêncio. Instintos de defesa são automaticamente acionados. Vejo a boca do símio semi aberta, com uma língua cinza e enrugada. Suas articulações estão duras e seus dedos firmemente dobrados. Seu tórax é voltado para dentro, suas costelas são evidentes sob a fina pele e seu pênis está ereto, seco e enegrecido. São reflexos de um ataque brutal e realizado ainda com sinais vitais, conferindo agonia máxima prolongadamente.

Aquele corpo estava sobre mim por toda à noite, não me manchou de sangue porque não havia ali, provavelmente não havia massa cefálica a julgar pela órbitas profundas e suas vísceras deviam estar secas ou ausentes, o que lhe conferia um peso suportável e nojento.

Com muito enjôo e pena do mamífero, o pus por debaixo das pedras o mais fundo que pude, num sepulcro muito rudimentar. Pensei devorar suas carnes, mas era demasiado repulsivo e imundo comer um ser morto em dor lenta e intensa por uma besta terrível que procura por fluídos.

Adentrei na caverna. Agora os odores não me eram mais tão desagradáveis, até me eram familiares agora. Logo que os olhos se adaptam a escuridão, adentro em galerias mais estreitas, sem medo e com muita raiva da criatura que fez aquilo, ou dos nativos fazendo chacota. Enquanto tateava a rocha úmida com as mãos queimadas lembrei-me que era o ácido que a dava uma impressão de estar viva e pulsante: Me queimava discretamente a mão dando à dúbia percepção humana que as rochas eram mornas e dotadas de pulsação.

Esta caverna antes detestável agora parecia dotada de um horror acolhedor, melhor que lá fora, e com mistérios mortais.

Pensava porque eu não fora o ser de órbitas sem vida, andando para onde o fedor diminuía até se ausentar. Pensei retornar a aldeia, porém fazê-lo sem provisões, severamente machucado e sem saber para onde seguir, para talvez conseguir encontrar uma multidão odiosa da minha ousadia de atiçar o espírito devorador dos rebanhos é no mínimo encontrar com a morte.

Deduzi que a água em seu manancial original seria pura, e com o contato da rocha clara e amarelada de enxofre ou amônia então assumisse sua corrosividade. E estava parcialmente correto. A água fluía lentamente de umas pedras altas, as escalei e vi que havia um túnel, uma galeria apertada que o córrego pelos milênios havia construído.

Toda água corre para o mar. É nessa simplicidade de razão que ela inexoravelmente atinge seu objetivo. E aquela não foge à regra: Construira um bolsão d’água que compõe provavelmente um grande lençol freático. E ali a água era boa. Terrivelmente amarga mas a sede superava seu gosto adstringente. Amônia??? Talvez fosse mais palatável galeria adentro, mas não ousei penetrar mais, já que a luz a luz ali já era escassa demais.

Ao me retirar minhas mão vacilaram ao tocar as paredes: Havia um denso limo negro e liquens imensos ali, o que me dera alívio, mesmo sendo uma associação primitiva de vida, algas e fungos simbiônticos.

Algo vivia de forma inofensiva e extrema além de mim naquele lugar tão solitário e penoso.

E o dia correu assim: Penosa e passivamente, numa letargia contagiante. Consegui cochilar entre as rochas fazendo uma cama com a tórrida areia que trazia para o interior da fenda.

Agora a morada da besta tinha um inquilino ousado.

A fome me dava intensas dores de cabeça, e cólicas abdominais fortes a ponto de me fazer perder a consciência por momentos, mas passados esses espasmos o sono sobrepunha qualquer coisa.

A tarde mostra-se preguiçosa em ir, e eu, reluto em fazer qualquer movimento, apesar de minha mente estar totalmente ativa. As feridas na minha face, agora com uma casca de sangue e secreções coaguladas formavam uma máscara macabra, sendo o lado esquerdo o mais afetado. Apesar dos meus cuidados escassos, tivera a precaução de evitar o sol e de limpar as luxações com a água estéril do estreito d`água, porém não foram suficientes. Minha máscara orgânica abrigava sob sua manta dura e latejante uma imensa infecção que purgava nas beiradas e me prostrava numa febre constante.

Minhas mãos não foram gravemente afetadas: Me bastou rasgar pano da calça e envolvê-las para não pegarem areia, mas constituíam um desafio constrangedor para fazer a “toalete diária“, como diria outro viajante solitário a respeito de revolver vulcões, regar uma rosa e arrancar jatobás.

Mas havia água, o que me dava poucos dias a mais para observar o tal caçador e morrer.

A noite vem, é o pôr-do-sol que a anuncia, com seu rubro intenso e deslumbrante, indicando segundo os antigos, uma noite com sangue a ser derramado.

Imediatamente me lembro daquela longa lança que o nativo alto me cedera com as palavras. Mas me esquecera totalmente onde a pusera. Essas lanças são um indício de maturidade e virilidade na África, sendo todas personalizadas segundo o seu possuidor, tendo obrigatoriamente o tamanho do seu proprietário. Naquela havia mais de dois metros, a altura do seu antigo dono, mas muito longe do meu tamanho. Talvez o nativo ao me dar seu precioso item estava a medir minha imprudência e não minha estatura.

Mas como deixara de vista um presente tão valioso e ainda mais naqueles momentos!!! Pus-me imediatamente, mesmo com uma nauseabunda tontura, a ir à sepultura do macaco. Caminhei até minha cama-sarcófago da primeira noite, apressado porque a noite espreitava e junto os temores que a escuridão traz, sabendo que provavelmente daquela noite eu não lograsse viver após.

E nada. Meu cantil sumira também, talvez na peça dos nativos tenham levado a lança também. Então porque temer uma criatura fictícia??? Eu estava a cambalear no sopé de um monte chato e pedregoso, que emana calor de baixo para cima, buscando a arma de defesa duma coisa feita para chacota local???

Senti-me traído pelo medo irracional e inconsciente por um momento, mas me recordei que por meio nenhum, sequer de um aparato mecânico moderno um macaco desidrataria daquela forma como o vira.

Voltei à caverna, os fátuos gases já começavam a ondular, etéreos, vagamente luminosos, recomeçando a macabra cena noturna repetida há milênios. Logo que os passei na fenda, não conseguia ver mais nada. Parei bem ao meio da galeria: Aspirei bem aquele fedor e ergui os braços. Após me escolar tantos anos mortais, sabia plenamente que em alguns momentos convém atiçar os sentidos e amplificar a percepção para obter uma fração das faculdades instintivas humanas, de vencer, o que significa simplesmente continuar em vida para exercer seu primeiro objetivo.

Abaixei-me e retomado de um vigor ínfimo mas bem-vindo fui tateando o chão pelos cantos, como um animal que fareja e persegue, evitando o meio onde verte a água que me recorda a dor de perder as feições. Chegado ao paredão ao fundo da galeria, sabia que à esquerda havia uma entrada desconhecida, e à direita, longe de onde eu estava, o manancial duramente potável.

Segui a via desconhecida já desgostoso de ter vida e sem importar chocar-me com o ser vil. “Tomara que o aconteça quando estiver já munido de lança“, desejava com muito medo e ira.

Nessa via esquerda, que descia pronunciadamente, me forçando a primeiro calçar o pé numa pedra firme para depois seguir o passo, já não havia umidade, nem havia vento corrente, o que deduz estar longe do lençol freático e era desprovido de saída.

“Covil desta maldição grotesca!!!“ disse em voz alta, me arrependendo dessa atitude imprudente. A solidão e a dor me causara um efeito devastador de degeneração mental. Cometia atitudes imprudentes constantemente. Talvez degenerarei até adquirir a insanidade e mais além, mas provavelmente irei jazer sem consciência muito antes.

Chegado o fim daquela apertada galeria monótona acho, sem surpresa nada menos que meu cantil e minha lança. O que me surpreendeu foi minha única arma estar partida em vários pedaços pequenos, o que exigiu provavelmente uma força gigante. Pego o pedaço terminado em ponta, a alça do cantil no ombro e me retiro. Agora posso armazenar água, e o farei imediatamente.

Agora já conhecedor do caminho, saio sem dificuldade e sem ruído algum para a outra parte úmida que verte água menos amarga. Chego na grande galeria central e vejo a fenda iluminada, projetando uma sombra clara e vertical no meio do salão. Sentia-me para minha surpresa muito confortável naquela caverna, como se o escuro me aconchegasse, mas logo eliminei esse pensamento. Deve-se evitar desde o começo ceder à sedução da loucura.

O caminho d`água era muito bem conhecido, e foi feito como se não estivesse imerso no negrume denso daquela noite. Chegando à vertente, um buraco acima do chão uns três metros onde passaria confortavelmente uma pessoa, sai à água que causa enjôo mas é potável, ainda que horrível era menos terrífica que a vertente ácida do inicio da grande galeria que corroeria a ponta desta lança se a jogasse lá.

Agora refrescado e com cantil cheio me ponho a sair, evitando ferir os tímidos liquens nas bordas do manancial: `Me desejem sorte, companheiros em vida`, os confidenciei.

Caminhando na água inócua, logo evito o som dos meus pés a chapinhar no líquido, já sabendo da sua propriedade corrosiva acentuar.

Ao chegar à grande galeria, escuto algo que achava que jamais estaria ali: Um mugido bovino, sonoro a ponto de ecoar tenebrosamente nos paredões de rocha atrás de mim.

Seria uma besta como touro então? A criatura se revelara finalmente, produzindo seus sons. Mas não soava nada intimidadores, sequer assustadores, a não ser pelo eco grave pela acústica dentro da fenda. Logo deduzi que estava fora, o que um próximo som confirmara.

Uma vaca esta fora da fenda. Ora, uma vaca na beira do fim do mundo??? Quê quer o ruminante aqui além de perder sua vida??? Fui emergir à superfície, como se emergisse à tona dum mar caudaloso de escuridão e torpor. Na saída enchi de fôlego meus pulmões numa inspiração longa e prazerosa. A vaca nem sequer se moveu na minha repentina aparição. Apenas me fitou e, típico de ruminantes, deu as costas para mim.

Imediatamente pensei no seu leite e na sua carne. E pensei que, se houvesse algo aqui além da vaca, dos liquens amigos, do símio morto e de mim, essa outra criatura deduziria o mesmo desse grande portador de líquidos nutritivos.

De repente a vaca pôs-se a mascar, seu pasto regurgitado talvez, mas senti um suave cheiro de pêra vindo da boca salivante do vegetariano.

Três bacias tomadas de frutas, a maioria desconhecidas para mim, mas todas apetitosas. Joguei-me de encontro às bacias e devorei uma daquelas. Um sabor tenro, de grânulos suaves e doces, úmidas, encerradas numa casca dura e fibrosa. Logo uma dor intensa tomou meu estômago e pus a vomitar tudo, longe do ruminante, para que ele não ousasse comer minha bile junto à fruta deglutida, estragando suas tenras carnes que planejava saborear também. Infelizmente esse reflexo era esperado, pois meu jejum prolongado faria meu tubo digestivo reagir violentamente a qualquer estímulo.

Mas logo estava a fartar-me daquelas delícias, feliz a ponto de estar lacrimejando e de poder ter líquidos para sair pelos olhos, sem entender aquela brincadeira de mau gosto, de boca cheia e vertendo seiva por entre os lábios castigados.

O alívio me tomara e uma exaustão bruta me forçou a parar. Apesar de ter comido somente uma fruta daquelas já me sentia repleto, talvez pelo jejum ter reduzido drasticamente meu volume estomacal pela constante tensão muscular. Pus-me a cochilar ali mesmo.

Queria me levantar e ir a algum lugar protegido e mais acolhedor que o frio do deserto, mas o torpor era tanto que não conseguia me mover.

Supus ter veneno nas frutas mas eu não possuía sinais de tal.

Era a exaustão de um corpo que esquecera do labor de extrair os sumos vitais das coisas.

Após algumas horas de repouso na pedra gelada, tenho o corpo totalmente dolorido e ferido, devido às pontas de lâmina da rocha que fora meu leito. Apesar da rispidez do local, fora o sono mais agradável que já tivera.

Ao me por em pé, finalmente o ruminante percebe a minha presença: Mostra-se inquieto e ao me fitar parou de consumir a bacia de frutas.

Ao cochilar tinha me esquecido de reservar alguns frutos para mim, porém a vaca tratou de comer uma bacia inteira mais a segunda: Restara somente um cacho de pequenas deformidades carnosas para mim. A aceitei, um pouco relutante àquela espécie de uva bizarra.

A vaca, magra porém apetitosa ao ver de um esfomeado, parecia não ver alimento há tanto tempo quanto eu, mas mugia incessantemente, de forma inquieta e nervosa, oscilava e fitava por todos os lados, balançando suas tetas cheias de leite.

O ruminante pressentia algo.

Logo me pus a correr para dentro da caverna, levando o cacho de fruta envolvida na camisa esfarrapada, temendo o tal ser estraçalhar a mim e ao quadrúpede lá fora. Conhecia bem a entrada para a vertente, e sabia que deveria evitar o centro da galeria, pois líquidos corrosivos vão vertendo por ali, fazendo caminho inverso ao meu. Depois de prosseguir tateando o caminho de rochas quentes chego no manancial, uma parede no fim de uma galeria estreita que tem um buraco a uns três metros de altura, da onde vem à água.

Aquele buraco alto , provavelmente mais uma galeria escavada pela água me produzia curiosidades e temores, provocando o desejo de subir e explorar e de superar o desconhecido e sobreviver.

O medo foi o primeiro sentimento no homem logo que conheceu o bem e o mal. Foi o fator que o faz sobreviver e morrer numa medida nem sempre equilibrada.

E agora estava lá, um ser humano agachado numas pedras gastas e úmidas, entre o limo, a água estranha e o medo irracional de uma besta irracional.

Logo estava deitado. E logo estava sonolento, pois qualquer coisa viva naquela região fenece. O homem ali era uma resistência extraordinária a essa regra, mas cedia lentamente.

Na sua vigília pela própria vida, e não mais por solver o mistério da sua vida, em instantes adormece, em outros salta atônito entre pesadelos e delírios macabros. E a o tempo escoa pela escuridão.

Muitas horas de espera após, as frutas retorcidas lhe pareciam um petisco saboroso para atenuar a tensão impregnada no ar. Deitado, com a cabeça recostada num montinho de pedras pequenas e a petiscar seu alimento sobre seu peito. Nenhum som além do seu maxilar a macerar o fruto surpreendentemente doce. E então um som forte de vibrar a caverna inteira.

Uns estrondos sonoros, graves, que retumbou em toda a caverna e fez a água vibrar no chão, como se uma pesada estalactite cedesse do teto e caísse. Pânico. Horror. Somente um coração batia dentro da caverna, vertiginosamente e descompassado, produzindo uma pressão craniana intensa e nauseante.

Ouvem-se outros sons, potentes porém menos intensos que o primeiro impacto, como se mais pedras caíssem, retinindo abafadas no momento que se chocam umas as outras no chão. Logo percebi que havia uma uniformidade e repetição nos sons, que se perdiam e se confundiam pelos ecos das reentrâncias da caverna.

Eram passos. De um ser imenso, dotado de membros fortes e pesado, os instrumentos que produzem aqueles passos tão aterradores, dotados de prováveis presas tão rígidas a ponto de me fazer acreditar que as pedras arranham as próprias pedras.

Uns mugidos fracos, curtos e últimos libera todos os meus medos e temores. O demônio de fato habita aqui e agora está em ação, ao alcance da minha audição.

Após o estarrecimento e choque iniciais, dei-me por conta que estava em pé e pronto para reagir, com os pés fixos no chão e as mãos trêmulas.

-Que devo fazer? Encolho-me entre as rochas para tentar não ter o mesmo fim do ruminante, ou me esgueiro para fitar o que acontece, ousando na sorte de não ser fitado?

Não havia meio de mover um único músculo. Por longos minutos o que se movia era meu coração a bater forte como a arrebentação dos mares e meus ouvidos aguçam-se para captar mais algo. Mas nenhum som após aqueles aterradores estrondos e a saída do ultimo fôlego da vitima.

Apos curtos pares de minutos ouço, mais rochas caindo rapidamente e silêncio. Senti-me obrigado de fazer algo, já que aparentemente o perigo passara.

Caminhei vacilante à galeria principal. Tudo estava igual, nenhuma rocha se movera. Acima, a fenda, abaixo a vertente com seu burburinho insistente e cáustico, no outro lado à galeria escura e sem saída. Nada.

Logo que me aproximava da saída percebi que o ruminante jazia no chão, bem na entrada da fenda, carcaça seca e com cada músculo firmemente contraído.

Uma comoção intensa pelo ser me tomou. A vaca que acompanhara meu jantar de frutas e me avisara do perigo iminente agora jaz na fenda maldita.

Saio da caverna. Esta brincadeira atingiu seu limite. Está mais frio no deserto que debaixo da terra. Caminho a passos rápidos e desajeitados para longe do monte para ver seu cume, na esperança de ver um nativo a se ocultar. Só havia pedras gastas e chatas. No horizonte só escuridão e brumas, um plano reto e angustiante ate onde a vista alcança. Nenhuma pegada no chão, nenhuma pegada da vaca, o que me pareceu extremamente estranho.

Paro e fito a fenda, e seus vapores ondulantes. Poderia passar a noite assistindo esse fenômeno tão bizarro e belo se não fosse o frio intenso e a ameaça constante de algo que não entendo ser homem ou fera. Parado em pé, no meio do nada, me deixo ficar absorto, como hipnotizado pela dança tão peculiar de transparências e luminosidades opacas e fantasmagóricas.

Um zunido de algo no ar precede o impacto de uma lança envenenada a espetar rígida no chão, ao meu lado. Antes que notasse estava a correr em direção a fenda, e mais zunidos de lanças por todos os lados. Um som assustador: zumbia no ar como o sibilo de uma foice em plena ceifa, para espetar no chão com força.

Se uma daquelas lanças me atingisse, quebrariam muitos ossos do meu corpo e liberariam dentro de mim várias toxinas fatais.

Ganhando distância, tonto e muito ofegante, choco muito violentamente o meu corpo contra a beira da fenda: Já não controlava mais meu corpo. A dor de ter se arremessado contra as pedras não foi maior que minha vontade de entrar na caverna. Levanto-me e logo estava dentro, tateando rochas e indo para o esconderijo da água potável.

Ao me deitar, ouvia muito ao longe, vozes frenéticas e distorcidas, e sentia tudo girar. Senti que adormecia o meu peito e formigava toda a extensão da minha coluna: Um dardo envenenado achou minhas costas.

Apos retirá-lo, tentei me esconder num canto onde não me achariam, caso os nativos entrassem, mas o pensamento era tão nebuloso e os movimentos tão confusos que fiquei prostrado ali, na água, com o corpo retorcido e sangrando as costas e a face.

Eu só me recordo dos liquens me fitarem e terem muita pena de mim.

Mas os negros, altos, magros e ágeis não temeram adentrar na caverna. Esses não eram temerosos e supersticiosos. Eram caçadores e queriam exterminar o ser que dizima rebanhos inteiros para só deixar a carcaça inútil nos campos.

Nômades, sábios e valentes, sondaram a caverna sem medo de enfrentar o que procuravam.

Eram quatro, e dois estavam com tochas e dois com lanças e zarabatanas. Mas a valentia de nada os valera. O ímpeto dera espaço à imprudência e pisaram na água ácida. Um deles se pôs a gritar e largou a tocha. O que estava na entrada da caverna pôs a lança em posição de ataque, o que adentrava a galeria de água potável ficou no escuro total, e o último se pôs a ajudar o infeliz que mergulhou o pá na solução caustica.

Atordoado pela dor intensa, perdeu o equilíbrio e caiu no pequeno córrego, mergulhando seu corpo esguio totalmente na poça ácida. Seu amigo puxou-o para fora, com o preço de ter suas mãos e braços borbulharem líquidos sob a pele e clamava por ajuda e piedade aos elementos demoníacos presentes.

Não mais vivia o que caiu na armadilha natural. E o que retirou seu corpo não poderia segurar mais nada por um bom período de tempo. Todos retornando para fora, carregavam o corpo disforme e muquento para fora, e falando uma língua estranha, resmungavam entre eles nervosamente. Somente um silenciava: suas lágrimas protestavam por ele.

As oferendas deixadas à beira da fenda fora uma isca, onde o único humano presente fora fatalmente confundido.

E esse estava à beira de deixar a existência.

Agonizava, e após pouco tempo convulsionava. O veneno provoca taquicardia e total descontrole dos músculos torácicos, e antes os delírios. Respirava a curtos intervalos e seu coração pulsava sem prumo, provocando um fluxo-refluxo aleatório de sangue.

Vomitou e se engasgou gravemente, tossia e vomitava mais. Sua traquéia fechava-se cada vez mais, e os liquens eram arrancados das rochas durante seus espasmos. Depois desse intenso descompasso muscular, veio-lhe uma tontura muito agradável e um zumbido agudo e distante não sentiu mais seu coração bater. Não o ouvia. Respirava profundamente e pausadamente, depois notou que não respirava, na verdade. Agora a morte viria de fato. Silêncio: as pontudas rochas não o molestavam mais. Só lembrava debilmente o caminho que levava a galeria maior, a água ao chão e rochas negras por todos os lados. Nem o fedor havia mais.

Até fitar a criatura.

Havia desistido de viver, o veneno lhe arrebatara totalmente, mas a visão daquele ser se não o matasse de vez o reviveria.

Seu coração dispara novamente e ofega, ofega sem parar e de doer-lhe profundamente o peito.

Agora o demônio se fez carne e estava em pé na sua frente.

Possuía um corpo de constituição muito forte, alto, com pés como garras e um brilho intenso nas órbitas da face que, em lugar de olhos possuía duas achas verdes que acendiam e apagavam de vez em quando como se piscassem, observando fixamente com sua face inexpressiva e horrenda. De pele acinzentada de couraça e uns poucos pêlos, possuía mãos imensas com unhas de lâmina, agarrava-se a uma rocha ao seu lado com firmeza, parecendo que ao menor esforço partiria a parede.

Possuía cabelos estranhos, enrolados como tranças que pendiam para trás, e ofegava ansioso para se aproximar.

Após essa visão meu corpo não resistiu e como uma autodefesa última, desligou-se, e o mundo da morte arrebatou-me.

Acordei, depois de um sono de muitos dias numa escuridão diferente. Deitado numa larga mesa de forma irregular que, apesar de ser dura e rudimentar era limpa, plana e polida.

Mais tarde fui perceber que era uma cama.

Ao olhar a minha volta vi um salão imenso e de pouca altura, esculpido na mesma rocha escura da caverna e com muitos armários com centenas de seres conservados. Vi livros, poucos impressos, muitos escritos. Uma mesa de rocha brilhante e clara com uma máquina mecânica, mais armários com pecas de aparatos hidráulicos, de vapor, combustão e outras que jamais vira.

-Tal criatura não e tão irracional assim, ou possui um mentor que a criou para algum propósito.

Havia bem ao centro do salão um motor muito grande, roldanas e cabos de um ferro de cor avermelhada, fixados no teto baixo suspendendo uma prancha que seria provavelmente um elevador para descer.

Deduzi estar num andar superior ou acima de um andar subterrâneo.

Pus-me em pé, ao lado da tal cama, e me senti muito bem. Alguém cuidara de meus ferimentos de tal forma que o ferimento do dardo não mais existia e ao tocar minha face sentia uma delgada e frágil pele fortalecendo-se em minhas bochechas. A infecção desaparecera, minhas mãos estavam saradas e sentia-me bem nutrido e disposto.

Na mesa onde deduzi ser uma escrivaninha, dado a pena e muitos papéis grossos e de um branco que nunca havia visto, e havia um disposto de forma diferente na pilha.

Ali constava, com letras rebuscadas e delicadas, dignas de um monge escriba:

“Me ausento sem demora para obter metais e minerais raros. Sinta-se livre para explorar meu humilde lar.“

E abaixo uma palavra em letras tão bem trabalhadas e detalhes tão ricos e minuciosos que dificultavam a leitura:

“Gliffu.“

Seria seu nome, e assinava o amistoso recado.

Apos a leitura, extasiado, fitando todas aquelas obras, e pesquisas, e construções e máquinas e invenções e estudos, fiquei como fora de si.

Fiquei lacrimejando, e tomando assento na cama dura, vi que a carta fora lida graças a uma lamparina que emitia uma luz muito branca e luminosa, suspensa acima da escrivaninha. Um objeto inteiramente vítreo, na forma de cogumelo, onde o chapéu possuía a luminosidade de um liquido luminoso deslumbrante, que fluía lentamente numa convecção entre o fundo e o topo.

-Como uma espécie de luz líquida, dizia, tentando convencer ele mesmo no que via.

Sua base possuía um liquido totalmente incolor, como água, e não emitia calor algum. Seria talvez a energia química de uma pilha galvânica, como os inventores Ingleses especulavam ser possível, substituir o ácido da pele de sapos por chumaços de lã em meio ácido numa pilha de metais diferentes. Ou um vaga-lume artificial.

Qualquer que fosse a razão de meu anfitrião bizarro ter se retirado não sei se temo ou desejo seu retorno.

Os seres conservados eram encerrados em células vítreas sem tampa, totalmente herméticos, contendo desde insetos e vermes a mamíferos grandes, como fetos de rinocerontes, símios e seres muito estranhos, insetóides, répteis, germes de prováveis seres aquáticos e outros que recearia nem pertencerem a nossa realidade.

Seguramente o proprietário dessas relíquias tem um gosto refinado às ciências naturais, e dispendeu muito do seu tempo coletando estas maravilhas da vida.

Após um lampejo de preocupação fiquei feliz em constatar que não havia nenhum corpo humano em conserva, mas havia muitas enciclopédias a respeito da anatomia, fisiologia e psicologia humanas.

Achei ampulhetas, clepsidras, astrolábios que me levaram a achar mapas do céu e fórmulas matemáticas, Telescópios de Cristal do mais nítido, pólvora, mapas do mundo e de muitos lugares outros lugares estranhos, esculturas de metais, madeira, pedra, ossos, resina, vidro provavelmente, barro, e aparatos que não ousei tocar me provaram eu estar na habitação de um ser muito viajante e dotado de um vigor que se estende através dos séculos.

Pois certos seres conservados e relíquias simplesmente não existem na nossa época, nem nenhum colecionador de relicários jamais os conseguiria agrupar tal coleção de coleções numa curta vida mortal: Havia seres que a comunidade científica somente sabe existir através de fósseis mal-conservados em sedimentos ou âmbar.

Tal ser junta essas informações e amostras testemunhos da ascensão e queda das nações através dos séculos.

-Possivelmente a razão de isolar-se num retiro longe de tudo e estéril desde a fundamentação desse mundo seja por temer a ignorância da raça de homens, pensava em voz alta.

-‘’Lamentavelmente está certo’’, me estremece saber não ser eu o autor dessas palavras. Ouço, do elevador bem ao centro do salão. Uma voz seca, muito débil e fraca, quase fantasmagórica pela sua nasalização e muito esforço em proferí-las.

Talvez fosse o ser que vira antes de sucumbir. Subira na plataforma com sacos grandes e muitas caixinhas pequenas, e novamente me fitava com feições rígidas, com órbitas de chamas oscilantes verdes.

Aquela visão me chocara muito desde a primeira vez, dadas às circunstancia de estar há muito com fome, severamente ferido, febril e agonizante pelo veneno em ação. Imediatamente me recolhi para longe, me esgueirei entre duas estantes metálicas de livros e frascos e esbarrei numa pilha de manuscritos, numa atitude irracional e inútil de me esconder.

O ser, ao ver as folhas caindo, livros e frascos e a estante de tubos rusticamente forjados oscilando se pôs a caminhar na minha direção para evitar maior ruína.

Caso soubesse antes que aqueles livros e aquela estante feia e instável foram suas primeiras obras de todas daquele local jamais ousaria dar um passo em falso próximo daqueles relicários.

E sua primeira pesquisa abordara os ácidos e as cinzas e seu equilíbrio e sua eletricidade.

O primeiro frasco veio ao chão. Partiu-se ao lado do explorador desastrado num som quase inaudível, um pote pouco maior que uma maçã feita de vidro. Liberou seu conteúdo transparente que de forma curiosa sublimou-se no ar rapidamente. Outros potes saíram do lugar e rodopiavam numa prateleira mais baixa, porém não caíram.

Exceto um. O pequenino frasco comprido e curvo como um pescoço de cisne deixou sua posição vertical para deitar-se. Trincou, tão somente, e uma diminuta poça de um azul profundo imediatamente engole o próprio pote e a corrói a prateleira.

Antes de eu voltar meu olhar ao ser forte e misterioso, fui coberto por um pano grosso, um cobertor de um pêlo áspero e brutamente conduzido às pressas para algum lugar. O cobertor me ocultou tudo a não ser o chão, e vi que o ser que me conduzia tinha no lugar de pernas, uns feixes de ferros foscos e poderosos, movimentando-se para várias direções numa dança rítmica e vigorosa.

O frasco primeiro, formou um gás amarelo tênue e o líquido azul, conseguiu se libertar do frasco que internamente, de alguma forma o impedia de corroer o vidro. Os dois combinaram-se e uma labareda de fogo surgiu sozinha no ar. Um clarão visto até por alguém coberto por um denso cobertor, e intenso suficiente para iniciar a combustão de manuscritos próximos e, o pior, derrubar mais frascos.

O elemento azul libertara dos potes de vidro seus companheiros e outros rolaram e escorreram pelo buraco na prateleira. Havia líquidos, grânulos, e pó e pastas e pedras; algumas alcalinas, outras ácidas e todas altamente reagentes.

Uma explosão. Decolam aos pedaços livros e canos e vidros e ácidos. A parede oposta passa a produzir fumaça pelos poros abertos por algum corrosivo e o ser que valentemente me ergue urra de dor num gemido que causa pena e medo.

Agora o chão se move e parece ceder. O elevador desce. De supetão sinto um solavanco e o elevador desce mais rápido. A criatura saiu do meu lado e vejo logo que descubro o rosto a criatura imensa entrar nas chamas. Outra explosão, dessa vez mais fraca. Meu pano protetor fede a chamuscado. O elevador pára no centro da caverna que antes me abrigara por tanto tempo, acima do córrego corrosivo. Tão logo que alivio meu peso da plataforma, rapidamente sobe. No teto alto da caverna há um buraco que arde em chamas vermelho e laranja iluminando a caverna, e encerra seu espetáculo de brilhos e clarões quando o elevador chega ao seu posto.

O ser, açoitado por labaredas que queimam sua pele grossa, engatinha à procura de algo. O fogo lambe tudo, e pequenas chamas pululam alegremente pelos séculos de labor escritos. Frascos de seres conservados estouram a todo instante dando mais combustível às chamas.

Ele tem que agir logo, para entregar a ele o que interessa.

Escondido debaixo de sua mesa de autópsia, mira seu próximo deslocamento. Arremessa seu pesado corpo com suas pernas metálicas ainda mais pesadas em direção a uma caixa de madeira que recém ganhou sua lambida consumidora do fogo. Sem esforço arranca a tampa e tira de lá muito papel amassado e mau cuidado.

A caixa é grande e provavelmente um depositário de coisas que para o dono não servem pra nada mas não é posto fora por vários motivos.

Quase chegando ao fundo, achou um livro grande e grosso, de folhas amarelas e corroídas de traças e uma capa tremendamente rígida de couro.

Por um momento esquecera-se do fogo, mas esse tratou de lembra-lo. Agora uma prateleira de livros bem encapados transformou-se num braseiro vivo, que desaba para queimar-lhe severamente as costas. A dor que sentiu lembra dos sofrimentos que já passara e retoma a marcha desviando-se dos focos de fogo para respirar o pouco de ar que as chamas gulosas ainda não consumiram. Se dirige ao outro extremo do salão, esquivando-se de brasas e equipamentos ao chão que agora incandescem vermelhos.

Certamente qualquer humano facilmente sucumbiria naquele lugar. Mas aquele prevalece devido às asperezas que já se submetera.

Pegou debaixo duma espécie de pia um rolinho de pano fino, e pôs dentro do grande livro. E foi ao elevador que fielmente funcionava, e o motor ligou-se e cedia vagarosamente para baixo, mas o fogo queria mais porém não infringiu dano ao maquinário mas sim ao chão onde estava. Na realidade todo o teto da caverna estava comprometido devido ao calor produzido, e a saída foi a primeira a ceder.

O homem observou o ser, negro como carvão pela fuligem e com as carnes das costas expostas, descer com um livro grande até para aquela besta até quando um som de pedras caindo por toda parte invadiu a caverna. A única coisa que fez foi correr para a fenda na caverna. Um estrondo e muitas pedras e depois um lago de fogo e muitas brasas e faíscas caíram. O fedor do ácido corroendo tudo que caíra sobre ele era tanto que o intruso não ousava nem olhar para dentro da caverna, sob a pena de ter os olhos derreterem dentro das órbitas.

O Griffu, agora com a perna direita presa juntamente com o braço direito que leva o livro e o paninho enrolado, debaixo de um denso bloco de pedra negra e cortante. Uma de suas órbitas não reluz o verde fantasmagórico, e parece estar amassada. Sua face inexpressiva permanece impassível, mas sua respiração curta e frenética revelam sua agonia. Tenta remover seu braço com o livro, e berra uma dor de vibrar as paredes e as chamas da caverna. O braço nem se moveu. Novamente ele puxa com o ombro o restante do braço e a rocha cruel rompe-lhe a carne com farpas frias, e lentamente sai. O antebraço, e o braço, e a mão sem pele com o livro firmemente preso nela.

Mal tira seu membro quando mais e mais pedras caem e as brasas o atingem. Está queimando vivo, preso na rocha.

Algumas coisas exigem sacrifícios, e o amor incondicional o faz sem esperar nada. Esta foi sua purificação.

Com o livro protegido debaixo do seu corpo, agarrou-se às rochas com a mão boa e com a perna robótica livre imóvel puxou seu corpo para fora da pedra pesada. Puxou e sentiu suas fibras da coluna se romperem e a violência do movimento fazia com que parafusos e ferrolhos atachados aos seus ossos deslocarem-se lentamente para fora, na dor mais terrível e horrenda que já sentiu, berrando e sentindo gosto de um sangue velho e ruim. Parou de puxar-se. A carne retesou-se e os ossos pulsavam sangue para fora. Berros grotescos de uma fera punida inocentemente.

E chorou. Atrás daquelas lentes luminescentes agora falhas e oscilantes haviam olhos de carne, atrofiados e mutilados desde muito, onde uma glândula lacrimal produzia lágrima. E era a coisa mais pura que tocou aquele chão, e a caverna estremeceu. O fogo aumentou e consumia aquela gota cristalina, odiando aquele ato, mas aquele ser, reduzido ao estado que estava por ambição à matéria agora queria livrar-se da matéria, que não temia mais a morte.

A lágrima não se consumiu, e rolaram outras depois daquela. Rolaram sobre um metal que cobria um rosto dolorido e deformado de eras de guerras e egoísmos e horrores, que esquecera de quão bom é ser puro e simples, pingaram na pedra e sumiram, cumpridoras da tarefa de purificar a alma.

E a criatura puxou seu corpo, num esforço último separou-se de solavanco das pernas pela cintura, liberando vísceras e um golfo de sangue e água, sujando completamente o livro de capa dura. Pegou-o e arastou-se penosamente em direção a saída da caverna, que estava demasiado longe e cheia de pedras calcinadas pelo calor.

Um véu macabro de suas próprias entranhas o acompanhava enquanto lentamente, com o único braço bom segurando o grande livro besuntado de sangue grosso tracionava a carcaça moribunda.

O fogo secou suas tripas e fazia a pele da barriga grudar contra cada pedra onde avançava. Não resta mais tempo.

Gritou:“João!!!“, numa voz rouca e dissonante que perdeu-se entre os estalidos das coisas queimando e das rochas caindo do teto.

-João!!!

Lá fora, o único testemunho do evento ouve, mas acha ser loucura algo viver ainda lá dentro. De fora o dia recém começa a raiar.

-Tu estás vivo Griffu??? Pergunta entrando na caverna tomada de fumaça quente e vapor ácido.

Forçando os olhos, entre uma grande rocha e outra menor vê, coberto de chamas um crânio deformado com uma máscara metálica, ligado a uns canos para um pescoço grosso e severamente queimado que tem uma caixa toráxica revelando poucas costelas entre carne queimada, um braço pela metade e outro completo segurando um livro parcialmente queimado. Sua face fica constrita e, ignorando o fogo e as pedras caindo sem parar do teto, corre e pega o livro, arremessa-o à fenda na entrada, à salvo das chamas e tenta resgatar seu amigo.

Não consegue nem movê-lo: É incrivelmente pesado, e as chamas que queimaram suas roupas agora queimam sua pele e o asfixiam.

-Não desiste!!!

Mais potes herméticos rompem-se ao mesmo tempo e de lá de cima começa a verter uma catarata de chamas.

Antes de se jogar para longe, o invasor que veio, não para destruir a criatura, mas sim fazer manifestar um Milagre, ouve do ser palavras do seu último fôlego: “João, dezesseis, vinte e um. Agora estou livre. É você.“

O fogo toma conta do lugar, e antes o homem cai nas rochas, cambaleia e foge para longe. Suas queimaduras são severas, e o livro, grande, negro e pesado está chamuscando ainda.

Saiu da caverna. Lá fora o ar é bom, e depois de muita tosse, nota que o monte está desabando sobre si mesmo. Uma coluna de fumaça ergue-se, e clarões emergem de dentro do lugar. Algumas fizeram a terra tremer, para em poucos minutos, somente escombros de rochas e pó restarem do local que o acolhera do mundo e o expulsara ferozmente.

Na metade do outro dia os nativos, que viram a fumaça do sucedido, o buscaram e cuidaram de seus ferimentos, e uma grande festa foi feita para o estrangeiro que matou o sugador de animais. Realmente, o sugador de animais se fora, e deixara uma Bíblia e um mapa, enrolado cuidadosamente. Indica algum lugar completamente desconhecido para a época. Sua pele regenerou-se rápido e havia mais vigor no seu corpo como nunca antes. Num banho de bacia, antes de retirar-se de volta à civilização, notara cicatrizes de furo na nuca, atrás dos joelhos, na virilha, no umbigo e na axila . Mais tarde notara uma cicatriz um pouco dolorida dentro do nariz, que nunca sarou completamente e sentiu como que se rejuvenesse quase uma década, e seus dentes misteriosamente afastaram-se sensivelmente uns dos outros.

Agora, com família, amigos e Deus, até hoje procuro o local que o mapa indica. Talvez o local não exista, e minha busca tem sido infrutífera, porém o livro com que foi presenteado me tem sido de grande valia nos estudos, junto com o estímulo e vigor de meu filho em continuar. A chave de meus maiores mistérios reside ali, naquele mapa e naquela coleção de 66 livros, e só muitos anos depois de tentativas desesperadas é que fui lembrar-me da citação que Griffu fez:

“A mulher, quando está para dar a luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas depois de ter dado a luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.“ João 16:21

Talvez ele tenha dado início a algo, ou orgulha-se de ter sido o homem que sobreviveu e realizou feitos.

Kudos 4 Barontieri, o desenhista. Um artiste, como diria Ratz :P


Posted by juan aka suddendevice at 00:38:04 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, February 25, 2009

Carnival

O quê seria ideal???
Bem longe do Carnaval.
Headshot no Brad Armpit.
Muito calor, mas um pouco de frio pela madrugada.
Curtir a chuva da janela.
Banho de chuva de repente, à noite. Por que não???
-Ela é gelada, eu sei. Mas se eu te abraçar bem, ficamos quentinhos.
Tomatinho Cereja, bisnaga de Ketchup???
Muito Radicci e Rúcula, certamente.
Cortar logo o rabo e a cabeça da gata -por mais maluco que pareça- e não ficar afiando muito os três sabres, como no conto interpretado.
Para lembrar sempre, deixar vivaz no aposento melhor iluminado do Palácio das Memórias, junto com aquele atrapalhado carnaval.
Reunir os elementos necessários para o Carnaval que vem ter sua divindade devidamente venerada:
Ainda mais longe do Carnaval.
Posted by juan aka suddendevice at 02:26:37 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, February 18, 2009

Mel

I know U r njoyin and havin loadsa fun, in a cool and nice weather in an almost paradisiac place with cool ppl and that U deserve all joy on it…
Well, I fell myself a lil egocentric, but I miss U a hell of a lot. The good thing on it is that’s not only me: We are three, and of course we know U miss us too.
Get back sooon.
Posted by juan aka suddendevice at 01:17:16 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, February 10, 2009

Alien Post

First post made out of 127.0.0.1.
Usin a livecd, Linux of course.
A remember to get updated isos to put in de backpack :P
You know, writing outta home is not that bad… Once U get runnin a live Linux enviroment, U fell @ home.

Gotta find something 2 eat. Got starving. Later I’ll see what goin on on this box.

Posted by juan aka suddendevice at 21:22:57 | Permalink | Comments (2)