Monday, July 16, 2007

EDGAR ALLAN POE - Enterro Prematuro

Eu li e resolvi postar aqui. Tá em português de Portugal eu acho, mas até que dá um charme à narração…
Que conto fantástico!!! Vou postar mais desses…;)

EDGAR ALLAN POE – FICÇÃO COMPLETA – CONTOS DE TERROR, MISTÉRIO E MORTE
O ENTERRAMENTO PREMATURO
Há certos temas de interesse totalmente absorventes mas por demais horríveis para os
fins da legítima ficção. O simples romancista deve evitá-los se não deseja ofender ou
desgostar. Só devem ser convenientemente utilizados quando a severidade e a imponência
da verdade os santificam e sustentam. Estremecemos, por exempLo, com o mais intenso
“pesar agradável”, diante das narrativas da Passagem do Beresina, do Terremoto de
Lisboa, da peste de Londres, do Massacre de São Bartolomeu, ou do asfixiamento de
cento e vinte três prisioneiros da Caverna Negra em Calcutá. Mas, nessas narrativas é o
fato, é a realidade, é a história o que excita. Como invenções, olhá-las-íamos com simples
aversão.
Mencionei algumas, apenas, das mais proeminentes e augustas calamidades que a
história registra. Mas nelas existe a extensão, bem como o caráter, de calamidade, que tão
vivamente impressiona a fantasia.
Não é necessário lembrar ao leitor que, do longo e pavoroso catálogo das misérias
humanas, poderia eu ter selecionado numerosos exemplos individuais mais repletos de
sofrimento essencial que qualquer daqueles vastos desastres generalizados. A verdadeira
desgraça, na verdade, o derradeiro infortúnio, é particular e não difuso. Demos graças a
um Deus misericordioso pelo fato de serem os espantosos extremos da agonia suportados
pelo homem-unidade e não pelo homem-massa!
Ser enterrado vivo é, fora de qualquer dúvida, o mais terrífico daqueles extremos que já
couberam por sorte aos simples mortais. Que isso haja acontecido freqüentemente, e bem
freqüentemente, mal pode ser negado por aqueles que pensam. Os limites que separam a
vida da morte são, quando muito, sombrios e vagos. Quem poderá dizer onde uma acaba
e a outra começa? Sabemos que há doença em que ocorre total cessação de todas as
aparentes funções de vitalidade, mas, de fato, essas cessações são meras suspensões,
propriamente ditas. Não passam de pausas temporárias no incompreensível mecanismo.
Certo período decorre e alguns princípios misteriosos e invisíveis põem de novo em
movimento os mágicos parafusos e as encantadas rodas. A corda de prata não estava
solta para sempre, nem o globo de ouro irreparavelmente quebrado. Mas, entrementes,
onde se achava a alma?
De parte, porém, a inevitável conclusão, a priori, de que causas tais devem produzir tais
efeitos, de que a bem conhecida ocorrência de tais casos de interrompida animação deve,
naturalmente, dar azo, em vez em quando, a enterros prematuros, de parte esta
consideração temos o testemunho direto da experiência médica e da experiência comum a
provar que grande número de semelhantes enterros se tem realmente realizado. Se fosse
necessário, poderia referir-me imediatamente a uma centena de casos bem autenticados.
Um dos mais famosos, e cujas circunstâncias podem estar ainda frescas na memória de
alguns de meus leitores, ocorreu, não faz muito, na vizinha cidade de Baltimore, onde
causou uma excitação penosa, intensa e de vasto alcance. A esposa de um dos mais
respeitáveis cidadãos, advogado eminente e membro do Congresso, foi atacada de súbita e
estranha moléstia que zombou completamente do saber de seus médicos. Depois de
muitos sofrimentos veio a falecer, ou supôs-se que houvesse falecido. Ninguém
suspeitava, na verdade, nem tinha razão de suspeitar, que ela não estivesse realmente
morta. Apresentava todos os sinais habituais de morte. O rosto tomara o usual contorno
cadavérico. Os lábios tinham a habitual palidez marmórea. Os olhos estavam sem brilho.
Não havia calor. A pulsação cessara. Durante três dias o corpo foi conservado insepulto,
adquirindo então uma rigidez de pedra. Afinal, o enterro foi apressado, por causa do
rápido avanço do que se supunha ser a decomposição.
A mulher fora depositada no jazigo da família, que não fora aberto nos três anos
subseqüentes. Ao expirar esse prazo, abriram-no para receber um ataúde; mas, ai!, que
pavoroso choque esperava o marido que abrira - em pessoa a porta. Ao se escancararem
os portais, certo objeto branco caiu-lhe ruidosamente nos braços. Era o esqueleto de sua
mulher, ainda com a mortalha intacta.
Cuidadosa investigação tornou evidente que ela recuperara a vida dois dias depois de seu
enterramento; que sua luta dentro do ataúde fizera-o cair de uma saliência ou prateleira,
no chão, onde se quebrara, permitindo-lhe escapar. Uma lâmpada que fora, deixada cheia
de óleo dentro do jazigo foi encontrada vazia; contudo, poderia ter sido esgotada pela
evaporação. No alto dos degraus que levavam à câmara mortuária, havia um grande
fragmento do caixão, com o qual, parecia, tinha ela tentado chamar a atenção batendo na
porta de ferro. Enquanto assim fazia, provavelmente desfaleceu ou possivelmente morreu
tomada de terror ao cair, sua mortalha ficou presa a algum pedaço de ferro no interior. E
assim ela permaneceu e assim apodreceu, erecta.
No ano de 1810, um caso de inumação viva aconteceu na França, cercado de
circunstâncias que provam plenamente a afirmativa de que a verdade é, de fato, mais
estranha do que a ficção . A heroína da estória era Mademoiselle Vitorina Lafourcade,
moça de ilustre família, rica e de grande beleza pessoal. Entre seus numerosos
pretendentes havia um tal Julien Bossuet, pobre literato ou jornalista de Paris. Seu
talento e sua amabilidade tinham atraído a atenção da herdeira, por quem parecia ter
sido verdadeiramente amado; mas o orgulho de seu nascimento decidiu-a, por repeli-lo e
a casar-se com um certo Monsieur Renelle, banqueiro e diplomata de certa importância.
Depois do casamento, porém esse cavalheiro a desprezou e, talvez mesmo mais
positivamente, maltratou-a. Tendo passado a seu lado alguns anos infelizes, ela morreu;
pelo menos, seu aspecto se assemelhava tão de perto a morte que enganava a qualquer
que a visse. Foi enterrada, não no jazigo, mas num sepulcro comum, na vila onde
nascera. Cheio de desespero e ainda inflamado pela lembrança de sua profunda afeição, o
apaixonado viajou da capital para a longínqua província em que se achava a aldeia, no
romântico propósito de desenterrar o cadáver e apossar-se de suas fartas madeixas.
Chegou ao túmulo. À meia-noite desenterrou o caixão, abriu-o e, ao cortar-lhe o cabelo,
foi detido pelos olhos abertos de sua amada. De fato, a mulher tinha sido enterrada viva.
A vitalidade ainda não desaparecera de todo e ela foi despertada pelas carícias de seu
amado do letargo que fora tomado como morte.
Ele a levou, nervosamente, aos seus aposentos na aldeia. Empregou certos poderosos
analépticos sugeridos por seus não pequenos conhecimentos médicos. Por fim, ela
reviveu. Reconheceu seu salvador. Permaneceu com ele até que, gradativamente,
recobrou por completo, a primitiva saúde. Seu coração de mulher não tinha a dureza dos
diamantes e essa última lição de amor bastou para abrandá-lo. Concedeu-o a Bossuet.
Não voltou à companhia do marido; mas, ocultando dele a sua ressurreição, fugiu com
seu amante para a América. Vinte anos depois, ambos voltaram à França, persuadidos de
que o tempo tinha alterado tão grandemente o aspecto da mulher que seus amigos seriam
incapazes de reconhecê-la. Enganaram-se, porém, porque, ao primeiro encontro,
Monsieur Renelle reconheceu logo e reclamou sua mulher. Ela se opôs a essa reclamação
e um tribunal de justiça apoiou-a, decidindo que as circunstâncias peculiares e o lapso de
anos haviam extinguido, não só eqüitativa, mas legalmente, a autoridade do marido.
O Jornal de Cirurgia de Lipsia, periódico de alta autoridade e mérito, que alguns livreiros
americanos fariam bem em traduzir e republicar, relembra num dos últimos números um
acontecimento bem penoso dessa mesma espécie.
Um oficial de artilharia, homem de gigantesca estatura e vigorosa saúde, tendo sido
atirado de um cavalo indomável, recebeu fortíssima contusão na cabeça que o tornou
imediatamente insensível. O crânio ficou levemente fraturado, mas não se temia imediato
perigo. A trepanação foi executada com pleno êxito. Sangraram-no e puseram-se em
execução vários outros meios comuns de alívio. Gradualmente, porém, foi ele
mergulhando, cada vez mais, num estado de desesperado torpor e, finalmente, pensou-se
que havia morrido.O tempo era de calor, e enterraram-no, com pressa censurável, num
dos cemitérios públicos. Seu enterro realizou-se na quinta feira. No domingo seguinte o
cemitério, como de costume, encheu-se de visitantes e, ao meio-dia, produziu-se intensa
excitação quando um camponês declarou que, tendo-se sentado sobre o túmulo do oficial,
sentira distintamente um movimento da terra, como se ocasionado por alguém que
lutasse ali embaixo. A princípio, pouca atenção foi dada à afirmativa do homem, mas seu
evidente terror e a afirmativa obstinada com que persistia em sua estória produziram
afinal, natural efeito sobre a multidão. Procuraram-se, às pressas pás, e o túmulo, que
era vergonhosamente pouco profundo, foi em poucos minutos tão depressa escavado que
a cabeça do seu ocupante apareceu; ele estava, então, aparentemente morto, mas
sentara-se quase erecto dentro do caixão cuja tampa, na sua luta furiosa havia
parcialmente soerguido.
Foi imediatamente transportado ao mais próximo declarou-se que ele estava ainda vivo,
embora em estado de asfixia. Depois de algumas horas, reviveu, reconheceu pessoas de
sua amizade e, em frases entrecortadas, narrou as agonias que sofrera na sepultura. Pelo
que ele relatou ficou patente que devera ter estado consciente de perder os sentidos. A
sepultura fora descuidada e frouxamente cheia de uma terra excessivamente porosa, e
assim, algum ar podia, necessariamente, penetrar. Ele ouviu o tropel de passos da
multidão por cima de sua cabeça e procurou fazer-se ouvir por sua vez. Foi o barulho
dentro do cemitério, disse ele, que pareceu despertá-lo de um profundo sono, mas logo
que despertou sentiu-se cônscio do horror pavoroso de sua situação.
Este paciente, conta-se, estava indo bem e parecia achar-se em franco caminho de
completo restabelecimento, mas foi vítima do charlatanismo das experiências médicas.
Aplicaram-lhe uma bateria elétrica, de repente, expirou num daqueles extáticos
paroxismos que ela ocasionalmente provoca.
A menção da bateria elétrica, aliás, traz-me à memória um caso bem conhecido e
extraordinário, em que sua ação provou-se eficaz em fazer voltar à vida um jovem
procurador londrino que estivera enterrado durante oito dias. Isto ocorreu em 1831, e
causou, em seu tempo, profundíssima sensação, em toda a parte em que se tornasse o
assunto da conversa.
O paciente, Sr. Eduardo Stapleton, tinha morrido, parece, de tifo, com seus sintomas
anômalos que haviam excitado a curiosidade de seus médicos assistentes. A respeito
dessa morte aparente, solicitou-se de seus amigos que permitissem um exame post
mortem mas eles se negaram a consentir nisso. Como acontece muitas vezes quando se
fazem tais recusas, os profissionais resolveram desenterrar o corpo e dissecá-lo, com
vagar, por sua conta.
Realizaram-se facilmente os preparativos, com os numerosos grupos de desenterradores
de cadáveres, então muito encontradiços em Londres, e, na terceira noite depois do
funeral, o suposto cadáver foi desenterrado de uma cova de dois metros e quarenta de
profundidade e depositado na sala de operações de um dos hospitais particulares.Uma
incisão de certo tamanho fora já feita no abdômen, quando a aparência fresca e
incorrupta do paciente sugeriu que se fizesse aplicação duma bateria. As experiências se
sucederam e sobrevieram costumeiros sinais, sem nada que, de algum modo, os
caracterizasse exceto, numa ou duas ocasiões, certo grau um pouco incomum de
vivacidade na ação convulsiva.
Fazia- se tarde. O dia estava prestes a raiar e achou-se, afinal, que era conveniente
proceder, sem demora, à dissecação. Um estudante, porém, estava especialmente
desejoso de provar certa teoria sua e insistiu em que se aplicasse a bateria num dos
músculos peitorais. Deu-se um grosseiro talho e aplicou-se apressadamente o fio; então o
paciente. num movimento ligeiro, mas não convulsivo , ergueu-se da mesa, andou até o
meio do soalho, olhou inquieto antes em redor de si e depois. . . falou. Não se podia
entender o que dizia, mas as palavras eram ditas e as formação das distinta. Depois de
falar, caiu pesadamente no soalho. Por alguns instantes todos ficaram paralisados de
terror, mas a urgência do caso em breve os fez recuperar a presença de espírito. Via-se
que o Sr. Stapleton estava vivo, embora desmaiado. Com aplicação de éter reviveu, e, sem
demora, recuperou a saúde, voltou convívio de seus amigos, dos quais, porém, todo
conhecimento de sua ressurreição fora oculto, até passar o perigo de uma recaída. Podem
imaginar-se sua admiração e seu arrebatador espanto.
A mais emocionante particularidade desse incidente, contudo, consiste no que o próprio
Sr. Stapleton afirma. Declara ele que em nenhuma ocasião esteve totalmente insensível;
que vaga e confusamente tinha consciência de tudo quanto lhe acontecia, desde o
momento em que foi declarado morto pelos médicos, até aquele em que desmaiou no
soalho do hospital. “Eu estou vivo” foram as palavras incompreendidas que, ao
reconhecer que se achava na sala de dissecação, tinha tentado pronunciar, naquela hora
extrema.
Seria coisa fácil multiplicar estórias como esta, mas abstenho-me disso porque, na
verdade, não temos necessidade de tal coisa para demonstrar que, efetivamente, ocorrem
enterramento prematuros. Quando refletimos, dada a natureza do caso, quão raramente
nos é possível descobri-los, devemos admitir que eles possam ocorrer freqüentemente sem
que o saibamos. É raro, na verdade que um cemitério seja revolvido, alguma vez, com
qualquer grande extensão, e não se encontrem esqueletos em posições que sugerem as
mais terríveis suspeitas.
Terrível, na verdade, a suspeita, porém mais terrível é tal destino! Podemos asseverar,
sem hesitação, que nenhum acontecimento é tão horrivelmente capaz de inspirar o
supremo desespero do corpo e do espírito como ser enterrado vivo. A insuportável
opressão dos pulmões, os vapores sufocantes da terra úmida, o contato nos ornamentos
fúnebres, o rígido aperto das tábuas do caixão, o negror da noite absoluta, o silêncio
como um mar que nos afoga, a invisível, porém sensível, presença do Verme
Conquistador, tudo isso com a idéia do ar e da relva lá em cima, a lembrança dos amigos
que voariam a salvar-nos se informados de nosso destino e a consciência de que eles
jamais poderão ser informados deste destino, e de que nossa desesperada sorte é a do
realmente morto, essas considerações, digo, acarretam ao coração que ainda palpita um
grau tal de horror espantoso e intolerável que a mais ousada imaginação recua diante
dele.
Nada conhecemos de mais agonizante sobre a terra. Não podemos imaginar nem a metade
de coisa tão horrível nas regiões do mais profundo inferno. E, por isso, qualquer
narrativa a respeito tem interesse profundo; interesse, porém, que através do sagrado
terror do próprio assunto, bem própria e caracteristicamente depende de nossa convicção
da verdade do caso narrado. O que tenho agora a contar é do meu real conhecimento, da
minha própria, positiva e pessoal experiência.
Durante vários anos estive sujeito a ataques da estranha moléstia que os médicos
acordaram em chamar catalepsia, na falta de denominação mais definida. Embora tanto
as causas imediatas e pré disponentes como o verdadeiro diagnóstico desta doença ainda
sejam misteriosos, seu caráter claro e evidente já está bastante compreendido. Suas
variações parecem ser, principalmente, de grau. As vezes, o paciente jaz, durante um dia
só, ou mesmo durante um curto período, numa espécie de exagerada letargia. Perde a
sensibilidade e os movimentos, mas a pulsação do coração é fracamente perceptível;
alguns restos de calor permanecem; ligeiro colorido se mantém no centro da face; e,
aplicando um espelho à boca, pode-se descobrir uma lenta, desigual e vacilante ação dos
pulmões. Outras vezes a duração do transe é de semanas ou mesmo de meses, e a mais
severa investigação, as mais rigorosas experiências médicas não conseguem estabelecer
qualquer distinção material entre o estado do paciente e o que concebemos como morte
absoluta.
Freqüentes vezes é ele salvo do enterramento prematuro apenas por saberem seus
amigos que fora anteriormente sujeito a ataques catalépticos, pela conseqüente suspeita
suscitada e, acima de tudo, pela aparência de incorrupção.
Os progressos da doença são, felizmente gradativos. As primeiras manifestações, além de
típicas, são inequívocas. Os acessos se tornam, sucessivamente, cada vez mais distintos,
prolongando-se cada um mais do que o anterior. Nisto faz a principal garantia contra a
inumação.
O infeliz cujo primeiro ataque for de caráter extremo, como ocasionalmente se vê, estará
quase sem remédio condenado a ser enterrado vivo.Meu próprio caso não diferia, em
pormenores importantes, dos mencionados nos livros médicos. Às vezes, sem nenhuma
causa aparente, eu mergulhava, pouco a pouco, num estado de semi-síncope, ou semidesmaio;
e neste estado, sem dor, sem possibilidade de mover-me ou, estritamente
falando, de pensar, mas com uma nevoenta e letárgica consciência da vida e da presença
dos que cercavam minha cama, eu permanecia até que a crise da doença me fizesse
recuperar, de súbito, a completa sensação. Outras vezes, era rápida e impetuosamente
surpreendido pelo ataque. Sentia-me doente, entorpecido, frio, aturdido e caía logo
prostrado. Depois durante semanas, tudo era vácuo, negror, silêncio, e num nada se
transformava o universo. Não poderia haver mais total aniquilação. Destes últimos
ataques eu despertava, porém, com lentidão gradativa na proporção da subitaneidade do
acesso. Da mesma forma por que o dia alvorece para o mendigo, sem lar e sem amigos,
que vaga pelas ruas, através da longa e desolada noite de inverno, assim também tardia,
assim também cansada, assim também alegre, voltava a luz à minha alma.
Exceto aquela predisposição para o ataque, meu estado geral de saúde apresentava-se
bom; nem mesmo eu podia perceber que todo ele se achava afetado por uma doença
predominante, a menos que, realmente, certa reação em meu sono comum pudesse ser
olhada como um sintoma. Logo ao despertar, nunca podia de imediato assenhorear-me de
meus sentidos e sempre permanecia, durante muitos minutos, em grande confusão e
perplexidade, com as faculdades mentais em geral, e especialmente a memória. num
estado de absoluta vaguidão.
Em tudo isso que eu experimentava não havia sofrimento físico, mas infinita a angústia
moral. Minha imaginação se tornava macabra. Falava de “vermes, de covas e epitáfios”.
Perdia-me em devaneios de morte e a idéia do enterramento prematuro se apossava de
contínuo de meu cérebro. O horrendo perigo a que estava sujeito, assombrava-me dia e
noite. De dia, a tortura da meditação era excessiva; de noite, suprema. Quando a
disforme escuridão inundava a terra, com todo o horror do pensamento eu tremia, tremia
como as plumas palpitantes que adornam os carros fúnebres. Quando a natureza não
podia mais suportar a insônia, era com relutância que eu consentia em dormir, pois me
abalava o pensar que ao despertar, poderia achar-me como habitante de um túmulo. E
quando, finalmente, mergulhava no sono, era apenas para precipitar-me imediatamente
num mundo de fantasmas acima do qual com asas enormes, lúridas, tenebrosas, pairava,
dominadora, Idéia sepulcral.
Das inúmeras imagens de tristeza que assim me oprimiam em sonhos escolho, para
ilustrar, apenas uma visão solitária. Creio que estava imerso num transe cataléptico de
duração e intensidade maiores que as habituais. De repente, senti uma mão gelada
pousar-se na minha fronte e uma voz, impaciente e inarticulada, sussurrou-me ao ouvido
a palavra: “Levanta-te!” Sentei-me. A escuridão era total. Não podia distinguir o vulto de
quem me havia despertado. Não podia recordar-me do momento em que caíra em transe,
nem do lugar em que então jazia, enquanto permanecia parado, ocupado em procurar
coordenar o pensamento, a fria mão agarrou-me, feroz, pelo punho, sacudindo-o com
aspereza, ao mesmo tempo em que a voz inarticulada dizia normalmente:Levanta-te! Não
te ordenei que te levantasses? Quem és tu? - perguntei.
- Não tenho nome nas regiões onde habito - respondeu a voz, funebremente. - Eu era
mortal, mas sou agora demônio. Eu era implacável, mas agora sou compassivo. Meus
dentes matraqueiam enquanto falo, embora não seja por causa da frialdade da noite, da
noite sem fim. Essa hediondez, porém, é insuportável. Como podes tu dormir tranqüilo?
Não posso repousar por causa do clamor dessas grandes agonias. Esse espetáculo é
superior às minhas forças. Põe-te de pé! Sai comigo para a noite e deixa que eu te
escancare os túmulos. Não é esta uma visão de horror? Contempla!Olhei, e o vulto
invisível que ainda me agarrava pelo punho, fez com que se abrissem todos os túmulos da
humanidade, e de cada um saiu o fraco palor fosfórico da podridão; e então eu pude ver,
dentro dos mais absconsos recessos, pude ver os corpos amortalhados nos seus tristes e
solenes sonos com o verme.
Mas, ai! Os que dormiam verdadeiramente eram muitos milhões menos do que aqueles
que não dormiam absolutamente; e debatiam-se, sem força; havia uma agitação geral e
confrangedora; e das profundezas das covas incontáveis se elevava o ruído roçagante e
melancólico das mortalhas dos sepultos. E entre aqueles que pareciam tranqüilamente
repousar vi que grande número havia mudado, em maior ou menor proporção, a rígida e
incômoda posição em que haviam sido primitivamente enterrados. E a voz de novo me
disse, enquanto eu contemplava:Não é isto, oh!, não é isto uma visão lastimável?
Mas antes que eu pudesse encontrar palavras para replicar, o vulto largou-me o punho,
as luzes fosfóricas se extinguiram e as tumbas se fecharam com súbita violência,
enquanto delas se erguia um tumulto de clamores desesperados: e ele disse de novo: “
Não é isso, meu Deus!, não é isto uma visão lastimável?”
Fantasias como estas que se apresentavam à noite estendiam sua terrífica influência
muito além de minhas horas de vigília. Meus nervos se relaxaram inteiramente e me
tornei presa de perpétuo horror. Hesitava em cavalgar, em passear ou em praticar
exercício que me afastasse de casa. Na realidade, não ousava afastar-me da imediata
presença daqueles que sabiam de minha propensão à catalepsia, temendo que, ao cair
num de meus costumeiros ataques, viesse a ser enterrado antes de que minha
verdadeira condição fosse certificada.
Duvidava do cuidado, da fidelidade de meus mais queridos amigos. Receava que, em
algum transe de maior duração que a habitual, fossem eles induzidos a considerá-lo como
definitivo. Eu mesmo cheguei a ponto de temer por causar muito incômodo, ficassem eles
satisfeitos em considerar qualquer ataque muito demorado como suficiente excusa para
se verem livres de mim de uma vez por todas. Era em vão que eles procuravam
tranqüilizar-me com as mais solenes promessas, mais sagrados juramentos de que em
nenhuma circunstância eles me enterrariam sem que a decomposição estivesse
materialmente adiantada, que se tornasse impossível qualquer ulterior preservação. E
mesmo assim meus terrores mortais não queriam dar ouvidos à razão, não queriam
aceitar consolo.
Iniciei uma série de cuidadosas precauções. Entre outras coisas, mandei remodelar o
jazigo da família, de modo a facilitar o ser prontamente aberto de dentro. A mais leve
pressão sobre uma comprida manivela que avançava bem dentro do túmulo, causaria a
abertura dos portais de ferro. Havia também dispositivos para a livre admissão de ar e da
luz e adequados recipientes para comida e água, dentro do imediato alcance do caixão
preparado para receber-me.
O caixão estava quente e maciamente acolchoado e provido de tampa construída de
acordo com o sistema da porta do jazigo, com o acréscimo de molas tão engenhosas que o
mais fraco movimento do corpo seria suficiente para abri-lo .
Além de tudo isto, havia suspenso do teto do túmulo, um grande sino, cuja corda, como
determinei, deveria ser enfiada por um buraco do caixão e amarrada a uma das mãos do
cadáver. Mas, ah!, de que vale a vigilância contra o Destino do homem? Nem mesmo
aquelas tão engenhosas seguranças bastaram para salvar das extremas agonias de ser
enterrado vivo um desgraçado condenado de antemão a essas mesmas agonias!
Chegou uma época - como muitas vezes havia chegado antes - em que me achei
emergindo de total inconsciência para o início de um fraco e indefinido senso da
existência. Vagarosamente. Numa gradação tardia, aproximou-se a nevoenta madrugada
do dia psicológico. Um torpor incômodo. Um sofrimento apático de obscura dor. Nenhuma
atenção, nenhuma esperança, nenhum esforço. Em seguida, após longo intervalo, um
zumbido nos ouvidos; depois disso, após um lapso de tempo ainda mais longo, uma
comichão ou sensação de formigueiro nas extremidades; depois, um período
aparentemente eterno de aprazível quietude, durante o qual sentimentos despertos lutam
dentro do pensamento; depois, um breve e novo mergulho no nada; depois, uma súbita
revivescência. Afinal o rápido tremer de uma pálpebra, e, imediatamente após, um choque
elétrico do terror, mortal e indefinido, que arroja o sangue em torrentes das têmporas
para o coração. E agora, o primeiro positivo esforço para pensar. E agora, a primeira
tentativa de recordar. E agora, um êxito parcial e evanescente. E agora, a memória já
recuperou de tal modo seu domínio que, até certa medida consciente de meu estado.
Sinto que não estou despertando de um sono comum. Lembro-me de que estive sujeito à
catalepsia. E agora afinal, como que inundado por um oceano, meu espírito trêmulo é
dominado pelo perigo horrendo, por aquela espectral e tirânica idéia fixa.
Permaneci imóvel alguns minutos, depois que essa imagem se apoderou de mim. E por
quê? Eu não podia armar-me de coragem para mover-me. Não ousava fazer o esforço
necessário para certificar-me de minha sorte, e, contudo, havia algo no meu coração que
me sussurrava que ela era fatal. O desespero - como de nenhuma outra desgraça que
jamais salteou o ser humano - só o desespero me impeliu, após longa irresolução, a
erguer das pálpebras de meus olhos. Ergui-as.
Estava escuro, totalmente escuro. Senti que o ataque tinha passado. Senti que a minha
doença há muito desaparecera. Senti que me achava agora completamente, em pleno uso
de minhas faculdades visuais. E contudo, estava escuro, totalmente escuro, daquela
escuridão intensa e extrema da noite que dura para sempre.
Tentei gritar, e meus lábios e minha língua seca moveram-se convulsivamente, em
comum tentativa, mas nenhuma voz saiu dos cavernosos pulmões, que, como oprimidos
sob o peso de esmagadora montanha, arfavam e palpitavam com o coração a cada
trabalhosa e penosa respiração. O movimento das mandíbulas, no esforço de gritar bem
mostrava-me que elas estavam amarradas, como se faz usualmente com os mortos. Senti
também que jazia sobre alguma coisa sólida e que a mesma coisa também me comprimia
estreitamente em ambos os lados. Até então eu não me atrevera a mover qualquer dos
membros; mas agora, violentamente, levantei os braços que tinham estado até então
sobre o peito, com as mãos cruzadas. Eles bateram de encontro a uma madeira sólida,
que se estendia sobre uma altura de não mais do que seis polegadas de meu rosto. Não
podia mais duvidar de que repousava dentro de um caixão.
E então, entre todas as minhas infinitas aflições, senti aproximar-se suavemente o anjo
da Esperança, pois pensei nas precauções que havia tomado. Retorci-me e fiz esforços
espasmódicos para abrir a tampa: não se movia. Tateei os punhos à procura da corda do
sino: não foi encontrada. E então o anjo confortador voou para sempre e um desespero
ainda mais agudo reinou triunfante, porque clara se tornava a ausência das almofadas
que eu tinha tão cuidadosamente preparado, e depois, também, chegou-me subitamente
às narinas o forte e característico odor da terra úmida. A conclusão era irresistível. Eu
não estava dentro do jazigo. Fora vítima de um de meus ataques enquanto me achava
fora de casa e então alguns estranhos, quando ou como não me podia recordar, me
enterraram como a um cachorro, trancado dentro dum caixão e lançado no fundo, bem
no fundo e para sempre, de alguma cova ordinária e sem nome.
Quando essa terrível convicção se fixou à força nos recessos mais íntimos de minha alma,
esforcei-me mais uma vez por gritar bem alto. E essa segunda tentativa deu resultado.
Um longo, selvagem e contínuo grito, ou bramido de agonia, ressoou através dos domínios
da noite subterrânea.
- Eei! Ei! Olha aqui! - respondeu uma voz grosseira.
- Que diabo é isso agora? - disse um segundo.
- Acabe com isso! - gritou um terceiro.
- Que pretende você berrando desse jeito, como um danado? - disse um quarto.E nisso fui
agarrado e sacudido sem cerimônia durante muitos minutos por uma turma de sujeitos
mal-encarados. Não me despertaram do meu sono, porque eu estava bem desperto
quando gritei mas me fizeram recobrar a plena posse de minha memória.
Essa aventura ocorreu perto de Richmond, na Virgínia. Acompanhado por um amigo que
eu tinha avançado, seguindo uma expedição de caça, algumas milhas ao longo das
margens do rio Jaime. A noite se aproximou e fomos surpreendidos por uma
tempestade. O camarote duma pequena chalupa, ancorada no rio e carregada de terra
pastosa para jardim, oferecia-se como o único abrigo disponível. Arranjamo-nos o melhor
que pudemos para passar a noite a bordo. Adormeci em um dos dois únicos beliches da
embarcação. Os beliches duma chalupa de sessenta ou setenta toneladas quase não
precisam ser descritos. Aquele que eu ocupava não tinha colchão de espécie alguma. Sua
largura extrema era de dezoito polegadas. A distância até o tombadilho, por cima da
cabeça, era precisamente a mesma. Fora com excessiva dificuldade que me apertara
dentro dele. Apesar de tudo, adormeci profundamente, e toda aquela minha visão, porque
não era sonho, nem pesadelo. surgiu naturalmente das circunstâncias de minha posição,
do meu habitual pensamento impressionado e da dificuldade, a que já aludi, de recuperar
os sentidos e especialmente a memória durante muito tempo depois de despertar de um
sono. Os homens que me sacudiram eram da tripulação da chalupa e alguns
trabalhadores contratados para descarregá-la. Da própria carga é que provinha aquele
cheiro de terra. A ligadura em torno de meus queixos era um lenço de seda em que havia
enrolado minha cabeça, na falta de meu costumeiro barrete de dormir.
As torturas experimentadas, porém, eram, sem dúvida, completamente idênticas, no
momento, às duma verdadeira sepultura, eram pavorosas, eram inconcebivelmente
hediondas. Mas do Mal se origina o Bem, porque aqueles paroxismos operaram
inevitavelmente revulsão no meu espírito. Minha alma adquiriu tonalidade, têmpera.
Viajei para o estrangeiro. Fiz vigorosos exercícios. Aspirei o ar livre do Céu. Pensei em
outras coisas que não na morte. Descartei-me de meus livros de medicina. Queimei
Buchan, não li mais os Pensamentos Noturnos, nem aranzéis a respeito de cemitérios,
nem estórias de fantasmas como esta. Em resumo, tornei-me um novo homem e vivi vida
de homem. Desde aquela memorável noite afugentei para sempre minhas apreensões
sepulcrais e com elas esvaneceu-se a doença cataléptica, da qual, talvez, tivessem sido
menos a conseqüência que a causa.
Há momentos em que, mesmo aos olhos serenos da razão, o mundo de nossa triste
Humanidade pode assumir o aspecto de um inferno, mas a imaginação do homem não é
Carathis para explorar impunemente todas as suas cavernas. Ah! A horrenda região dos
terrores sepulcrais não pode ser olhada de modo tão completamente fantástico, mas,
como os Demônios em cuja companhia Afrasiab fez sua viagem até o Oxus, eles devem
dormir ou nos devorarão, devem ser mergulhados no sono ou nós pereceremos.

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Wednesday, March 21, 2007

Hã… Se eu acredito no Inferno???

Relato rápido:

Tava no ônibus, Padre Réus lotadão, seis da tarde, depois de ir numa academia ver uns cheques pendentes lá…

Fiquei sentado no fundão, ouvindo um set novo do Josh Wink @ Bionaut em janeiro.

Uma guria sentou do meu lado e abriu um livro pra ler.

*Certamente* espiei pra ver o que era… Geralmente é livro de auto-ajuda, coisa do deplorável Dan Brown ou troço espírita: Dessa vez foi de tudo um pouco.

Era o “A Revelação divina do Inferno” duma tal de Mary Braxter, um relato duma mulher que foi pro inferno arrebatada em espírito para que fosse revelado como o inferno funciona.

Fiquei lendo: A guria lia devagar demais, demorava pra virar a página.

Tavam falando que havia um lugar pior que aquele, que era quente e que havia punições específicas pra cada tipo de pecado.

A guria lia devagar *mesmo*, e comecei a pensar numa coisa:

Será que essa louca ae acredita sessas coisa que inferno existe, e é embaixo da terra, e quem é bom e morre vai pro céu e quem é mau e morre vai ser cutucado com tridente num lugar quente dos inferno…

Tirei o fone dos ouvidos. Pausei a música. Cutuquei a guria.

-Tu acredita nisso?
-Hã? Nisso? E aponta pro livro.
-É, no Inferno, e que a gente morre e pode ir pra lá direto e tal.
-Hã… Nisso aqui???
-É. No Inferno.
-Hã… É… Hum… Eu… Hã… Ahã???
-Então tu acredita que Deus, na sua eterna benevolência permite que haja um lugar para onde os que pecaram sofram eternamente, o Deus que-deu-seu-filho-unigênito-para-to-aquele-que-nele-crê-não-pereça-mas-tenha-vida-eterna fica no céu com seus remidos que sabem que há um lugar que pessoas sofrem para sempre?

Isso não é amor.

A guria se incomodou. Estava atordoada, gaguejante, insegura, não sabia de porra nenhuma nem que igreja pertencia:

-Tá, e de que congregação tu pertence?
-Hã, eu??? Eu sô cristã…
-Tá, mas evangélica da Universal, Quadrangular, Assembéia de-
-Essaí!!! Não, é uma coisa parecida…
-É, esses caras têm uma dificuldade em explicar o Inferno. Acham que quando o cidadão morre ele vai de cara pra cima ou pra baixo, o que torna desnecessário a Segunda Vinda de Cristo para o Julgamento e conflita com a Segunda Morte.
-É, mas quando Jesus vier, ele vai julgar a todos, justos e injustos…
-Mas pra quê, se eles já tão no céu ou no Inferno, e os que estão vivos vão morrer e serem condenados ou absolvidos automaticamente???
-Tá, mas Deus dá uma chance pra gente, se tu pecar a vida inteira e pedir perdão na hora, ele perdoa!!!

Não me respondeu porra nenhuma de nada. 

E ela me explicou o que o livro dizia. Nessas alturas ela dizia que “essas coisas era o que o livro diz, pelo menos ” tentando se isentar da culpa de acreditar em algo eventualmente errado -ela não acreditava em mais nada- e que o inferno é grande, e tem o formato de um corpo humano e que tem cheiro de carne queimada e de peido:

-Olha só, esse capítulo fala do braço esquerdo, esse do direito, e a perna esqu-
-Escuta, isso é figurado, não é literal, viu.
-Isso é o quê??? Bom, esse é o primeiro livro cristão que eu tô lendo…

O ônibus tava muito cheio de gente, todos de ouvidos no assunto. A guria tinha percebido, e talvez tivesse sentindo o peso de ter que pregar a Palavra ali mesmo.

Ora, se tu venera Deus, tem que saber algo Dele, ora essa.

Quem sabe faz ao vivo. E ela não soube.

Perguntei se ela conhece Dante Aligheri. Não. Tomás de Aquino. Não. Que o apóstolo Paulo escreveu sobre a Segunda Morte e que no Apocalipse diz que fogo consumirá e *acabará* com o Diabo e cia. Não.

Disse que certamente alguém mais sábio na Igreja dela saberia, e perguntei se havia algum pastor na Igreja dela lá que fosse Teólogo…

Me olhou com cara de quem não sabe nem o que tá fazendo ali.

Mas tava lendo a porra de livro que diz que a gente vai em carne e osso pro céu e em carne e osso pro inferno, e que não sabia o que era Hades, o termo Grego usado no Novo Testamento para inferno, e nem sabia o que era Alma, Espírito, e nem sabia se era tudo a mesma coisa ou não.

Não sabia o que Jesus quis dizer com “Prepare-se para a transformação”, quando foi inquirido a respeito do Céu, que vai ser etérico e não físico!!!

Deus, esse tipo de gente me consterna!!! Será que executam Tua Obra Santa da forma correta, sem nem mesmo saber o mecanismo da vida, da morte e da Redenção???

Bom, minha parada tava chegando e eu tinha que perguntar de novo: Ela não tinha respondido.

-Tu acredita que Deus sendo tão bom estaria curtindo a Eternidade com os santos sabendo que enquanto isso pessoas sofrem para sempre???

Isso não é amor.
É eternizar o pecado e fazer o pecado eterno é fazer o Diabo eterno, o que é avesso de tudo, para sempre e portanto inpossível.

-É, mas uma vida de festa e sem Deus faz com que a gente não seja salva.

Não respondeu minha pergunta. Espero que responda para ela mesma, o que é mais difícil.

Depois eu fui notar que a guria não sabia de nada, e que não me respondeu nada, e que nem sabia o nome da Igreja que tava indo. 

Que servo de Deus é esse que não sabe a Palavra e que… Bah, não sabe cacete nenhum de nada?!?!

Dá muita gana isso!!! 

Não sei o nome dessa guria, nem quero saber e não quero encontrar ela nunca mais.
Gente burra lendo coisas para gente burra. Um arremedo da Divina Comédia, porém infinitamente mais medíocre, torpe e anti-cristão.

Pelo menos induzi nela a dúvida, que leva a busca da Verdade.

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Tuesday, January 16, 2007

Memnoch

O quê, ele vai ler Anne Rice, a que faz os vampiros se retorcerem com seus horrores de romances ridículos sobre eles, colocando aquela purpurina e amor impossíveis nos mortos que têm que roubar calor dos que ainda possuem???

É. Isso faz parte do princípio suddendevice, o dispositivo aleatório repentino.

Bah, isso merece muitos posts de explicações…

Por enquanto, taí. Se gostou, compre… 

 

Memnoch: as Crônicas Vampirescas 

Mais um volume que faz parte das Crônicas Vampirescas. Lestat encontra com Memnoch, que afirma ser o diabo em pessoa. Ele coloca o imortal diante da oportunidade de voltar no tempo, conhecer a criação, visitar o purgatório e escolher entre céu e inferno. 

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Saturday, December 23, 2006

O Livro dos sonhos

Bom, esse é o prefácio do Livro dos Sonhos, do Neil Gaiman.
Só esse começo dá uma idéia da excelência dessa coletânea de contos que deixam qualquer um abismado de tão reais, sensíveis e fantásticos.

Eu não consigo entender como uma única pessoa (o Sr. Gaiman) consegue reunir escritores tão bons assim. Como é possível juntar simplesmente o melhor dos melhores dos escritos???

Não preciso nem dizer que é leitura obrigatória…
Aliás, ninguém aí leu Coraline??? Ou Anansi Boys??? Tenho muito medo de serem deslizes na carreira do Sr. Gaiman. :(

Tái o prefácio, por Frank McConnel:



Como os deuses morrem? E quando morrem, o que acontece com eles então?

Você pode também perguntar: como os deuses nascem? Todas as três questões são na verdade a mesma. E todas elas têm uma suposição em comum: a de que é mais difícil a humanidade viver sem deuses do que você se matar prendendo a respiração.

(É claro que você pode ser o tipo de racionalista arrogante que resmunga que o homem moderno finalmente se libertou da antiga servidão à superstição, à fantasia e à veneração. Se for o caso, volte imediatamente ao lugar onde comprou este livro, devolva-o e tente receber seu dinheiro de volta. E, aliás, não se incomode em ler Shakespeare, Homero, Faulkner, ou, no que se refere a isso, Dr. Seuss.)

Nós precisamos de deuses - Tor, Zeus, Krishna, Jesus ou, bem, Deus -nem tanto para adorá-los ou nos sacrificarmos por eles, mas porque eles satisfazem nossa necessidade — diferente daquela de todos os outros animais - de imaginar um significado, um sentido para nossas vidas, para satisfazer nossa ânsia por acreditar que a confusão e o caos da existência cotidiana, afinal, realmente levam a algum lugar. E a origem da religião e também da arte de contar histórias - ou não são elas a mesma coisa? Como disse Voltaire a respeito de Deus: se ele não existisse, seria preciso inventá-lo.

Escutem uma especialista no assunto.

“Há apenas dois mundos - o seu mundo, que é o mundo real, e outros mundos, a fantasia. Mundos como este último são mundos da imaginação humana: a realidade, ou a falta dela, não é importante. O importante é que eles estão lá. Esses mundos proporcionam uma alternativa. Proporcionam uma fuga. Proporcionam uma ameaça. Proporcionam sonhos e força. Proporcionam refúgio e dor. Eles dão significado ao seu mundo. Eles não existem, então são tudo o que importa. Você entende?”

Quern fala é Titânia, a bela e perigosa Rainha elas Fadas, na novela em quadrinhos de Neil Gaiman, Os Livros da Magia, e eu não conheço uma explicação melhor e mais sucinta do que essa — desde Platão, passando por Sir Philip Sidney, até Northrop Frye — para o motivo pelo qual nós não apenas precisamos de histórias, como as lemos e escrevemos. 0 motivo pelo qual nós, como raça humana, inventamos deuses. E dita por uma deusa em uma história.

Os Livros da Magia foi escrito ao mesmo tempo em que Gaiman também criava sua obra-prima - até agora a sua obra-prima, porque Deus ou os deuses sabem o que ele fará a seguir — Sandman. E uma história em quadrinhos que muda a sua opinião a respeito do que são os quadrinhos e do que eles podem fazer. E uma minissérie - como as de Dickens e Thackeray - que, diante de qualquer julgamento honesto, é uma história tão atordoante quanto qualquer ficção de grande destaque (leia-se: academicamente respeitável) produzida na última década. E a verdadeira invenção de uma mitologia autêntica e plenamente convincente para o homem pós-moderno e pós-mitológico: um novo modo de fabricar deuses. E é a inspiração brilhante para as histórias brilhantes deste livro.

Assim como as coisas mais extraordinárias, Sandman tinha começos comuns (lembrem-se de que Shakespeare, até onde podemos afirmar, só planejava administrar um teatro, ganhar algum dinheiro e voltar para sua provinciana cidade natal). Em 1987, Gaiman foi convidado por Karen Berger da DC Comics para ressuscitar um dos personagens da DC da “era dourada” da Segunda Guerra Mundial. Após uma certa disputa, eles se decidiram por Sandman. 0 Sandman original, do final dos anos 30 e 40, era um tipo de Batman suave. O milionário Wesley Dodds, durante a noite, punha uma máscara de gás, chapéu de feltro e uma capa, então caçava marginais e os atingia com sua pistola de gás, deixando-os desacordados até que os policiais os recolhessem na manhã seguinte - o que dificilmente daria uma lenda de vulto.

Então Gaiman descartou praticamente tudo, exceto o título. Sandman - o personagem encantado de histórias infantis que faz dormir, que traz os sonhos, o Senhor dos Sonhos, o Príncipe das Histórias -, inegavelmente uma lenda de vulto.

Entre 1988 e 1996, em setenta e cinco edições mensais, Gaiman tramou um intrincado, divertido e profundo conto sobre contos, uma história sobre o motivo pelo (qual as histórias existem. Sonho — ou Morpheus, ou ainda Lorde Moldador -, esquálido, pálido, trajando preto, é a figura central. Ele não é um deus, é mais velho que todos os deuses, é a origem deles. Ele é a capacidade humana de imaginar significados, de contar histórias: uma projeção antropomórfica de nossa sede por mitologia. E, como tal, ele é maior e menor do que os humanos cujos sonhos ele molda, mas cuja ânsia, afinal, é o que o molda. Como diria Titânia, ele não existe, então ele é tudo o que importa. Dá pra entender?

Grandioso o bastante, você poderia pensar, para conceber uma narrativa cujo personagem principal é a narrativa. Dentre os poucos escritores que ousaram tanto está James Joyce, cujo Finnegans Wake* é essencialmente um imenso sonho que engloba todos os mitos da raça humana (“wake” - “dream”:** pegaram?). E, embora Gaiman provavelmente fosse muito modesto para levantar a comparação, eu estou convencido de que o trabalho de Joyce foi uma influência marcante durante todo o processo de composição. A primeira palavra da edição inicial de Sandman é “Acorde”, a palavra final do último grande ciclo de histórias de Sandman é “Acorde” - o título do último ciclo de histórias é, naturalmente, “O Despertar”. (Todos os títulos das histórias de Gaiman, aliás, são versões de clássicos, de Esquilo a Ibsen, e por aí vai. Britânico, crescido entre os jogos de palavras britânicos, ele não consegue resistir a brincar de esconde-esconde com o leitor — exatamente como Joyce.)

Aquilo era grandioso o bastante. Mas tendo inventado Sonho, a urgência humana de produzir significado personificado, ele criou a família de Sonho, e esta invenção é absolutamente original e, parafraseando o que príncipe Hal diz de Falstaff, inteligente, ela própria, e causa da inteligência de outros homens.

A família chama-se os Perpétuos, e tem sete membros. Por ordem de idade — de “nascimento”, como veremos, não seria um termo apropriado — Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio (cujo nome costumava ser Deleite). Eles são os Perpétuos porque são estados da própria consciência humana, e não podem deixar de existir até que o próprio pensamento deixe de existir. Eles não “nasceram” porque, como a cons­ciência, nada pode ser imaginado antes deles. O upanixade, a mais antiga e sutil das teologias, tem algo a dizer sobre isso.

Estar totalmente consciente é ter consciência do tempo e da linha do tempo: do destino. Saber isso é saber que o tempo deve ter um fim: imaginar a morte. Confrontados com a certeza da morte, nós sonhamos, imaginamos paraísos onde as coisas não são bem assim: “A morte é a mãe da beleza”, escreveu Wallace Stevens. E todos os sonhos, todos os mitos, todas as estruturas que erguemos entre nós e o caos, simplesmente porque são coisas construídas, devem inevitavelmente ser destruídas. E nos voltamos, desesperados por nossa perda, para a destrutiva mas deliciosa alegria do momento: nós desejamos. Todo desejo é, obviamente, a esperança de obter uma satisfação impossível com a natureza básica das coisas, um deleita ilimitado. Então, desejar vem sempre antes de desesperar, perceber que o desejo de alegria é, afinal, somente o delírio de nossa auto-ilusão mortal de que o mundo é grande o bastante para se acomodar na mente. E voltamos a novas histórias - a sonhos.

Essa é uma versão superesquematizada da linhagem dos Perpétuos, quase uma alegoria medieval. Porque eles são personagens reais: tão reais quanto os humanos com quem estão interagindo constantemente em Sandman. Destino é uma figura encapuzada, monástica, quase desprovida de afeto. Morte — ideia brilhante de Gaiman - é uma jovem mulher inteligente e arrebatadoramente bela. Sonho - é Sonho, sombrio, um tanto pretensioso, um tanto neurótico. Destruição é um gigante ruivo que adora rir e fala como um irlandês. Desejo — outra jogada brilhante — é um ser andrógino, tão sensual e assustador quanto uma fêmea dominadora. Desespero, sua irmã gêmea, é uma velha megera nua, extraordinariamente feia, atarracada e gorda. Delírio, conforme diz o nome, quase nunca é descrita do mesmo modo: tudo que podemos dizer com certeza é que ela é uma jovem de cabelos multicoloridos ou completamente calva, que vesle farrapos e fala somente frases sem lógica, que às vezes atingem a anti-sabedoria surrealista de, digamos, Rimbaud.

Contudo, os Perpétuos são uma alegoria, esplêndida, da natureza da consciência, de estar no mundo. E nunca é demais enfatizar que esses seres, maiores e menores que os deuses, importam apenas em função das pessoas comuns com cujas vidas e paixões eles interagem. A mitologia de Sandman, em outras palavras, apresenta-nos um círculo completo de todas as religiões clássicas. “No princípio, Deus criou o homem?” Muito - e exatamente — pelo contrário.

E Sonho, o Senhor da Tradição de Contar Histórias, está no centro disso tudo.

Nos começamos e terminamos nossa existência com histórias porque somos o animal contador de histórias. Sandman está junto a Finnegans Wake, e tambem a Friedrich Nietzsche, Carl G. Jung e Joseph Campbell, quando insiste que todos os deuses, todos os heróis e mitologias são o teatro de sombras do drama humano. O conceito dos Perpétuos — e particularmente de Sonho - é uma esplêndida “máquina de contar histórias” (uma frase da qual Gaiman gosta muito). Os personagens do irrestrito oceano de mitos e os personagens do chamado mundo “real” - eu e você quando não estamos sonhando — podem se misturar e interagir com esse universo: como eles se misturam e interagem com você e comigo quando estamos sonhando. A crítica literária tem afirmado com frequência que nossa época é empobrecida pela sua incapacidade de acreditar em alguma coisa além das frias equações científicas. (Por isso Destruição, o quarto dos irmãos, deixou os Perpétuos no século XVII - no início da Idade da Razão.) Mas nossos melhores escritores, incluindo Gaiman, sempre acharam meios de reanimar a vitalidade dos mitos, até mesmo com base em sua irrealidade. Credo, quia impossible est, escreveu Tertuliano, no século III, a respeito do mistério cristão: “Eu acredito nisso, porque isso é impossível”. Boa teologia, talvez, excelente teoria ficcional, com certeza.

Agora que Sandman acabou, e seu criador foi adiante, ele continua servindo como uma máquina de contar histórias. A DC Comics e a Conrad Livros, no Brasil, nos proporciona com O Livro dos Sonhos uma série escrita a várias mãos, usando as suposições e os personagens inventados em Sandman. E o volume agora em seu poder, concebido por talentosos escritores de destaque (ou seja, não escritores de histórias em quadrinhos), todos expandindo e elaborando o mito de Sandman, é talvez o primeiro e rico fruto da nova técnica de Gaiman para inventar deuses.

De te fabula, diz o ditado latino: a história, qualquer que seja, é sempre sobre você. Essa é a antiga sabedoria que Sandman transforma em nova: é por isso, finalmente, que nós lemos. E — e eu não conheço maior elogio — outra percepção da sublime visão de Wallace Stevens sobre a ficção em seu grande poema, “Esthétique du Mal”:


E além do que se vê e se ouve e além

do que se sente, quem poderia ter pensado em criar

tantos egos, tantos mundos sensuais,

como se o ar, o ar do meio-dia, fosse preenchido

pelas mudanças metafísicas que ocorrem

simplesmente na vida e onde vivemos.

Posted by juan aka suddendevice at 16:12:12 | Permalink | No Comments »

Friday, October 20, 2006

Nosso opiusdei está prestes a entrar numa nova fase, onde conheceremos melhor a razão do prazer, do pecado, do bondade e do sacrifício; e conhecer a falta de razão nessas coisas.

A degustação começa de forma excelente:

Alguém aí sabe quem é essa?

Conheceis vós a velha soberana do mundo, que sempre caminha e nunca se cansa ?
Todas as paixões deregradas, todas as voluptuosidades egoístas, todas as forças desenfreadas da humanidade e todas as fraquezas tirânicas precedem a proprietárta avarenta do nosso vale de lágrimas, e, com a foice na mão, estas operárias infatigáveis fazem a eterna colheita.

A rainha é velha como o tempo, mas esconde o seu esqueleto sob os restos da beleza
das mulheres que ela rouba à sua juventude e aso seus amores.

A sua cabeça é coberta de cabelos frios que não lhe pertencem.Desde a cabeleirade Berenice, toda brilhante de estrelas, até os cabelos encanecidos precocemente que o algoz cortou da cabeça de Maria Antonieta, a espoliadora das frontes coroadas enfeitou-se com os despojos das rainhas.

O seu corpo pálido e gélido está coberto de enfeites desbotados e mortalhas de trapos. Suas mãos ósseas e cheias de anéis seguram diademas e ferros, cetros e ossos, pedrarias e cinzas.

Quando ela passa, as portas se abrem por sí mesmas; entra através das paredes; penetra até nas alcovas dos reis; vem surpreender os despojadores do pobre nas suas mais secretas orgias, assenta-se à sua mesa e lhes dá de beber, sorriaos seus cantos com seus dentes sem gengivas, e toma o lugar da cortezã impura
que se esconde sob as suas saias.

Gosta de andar junto dos voluptuosos que se adormecem; procura as carícias como se esperasse aquecer-se nos seus abraços, porém gela tudo o que toca e não se aquece nunca.
Todavia às vezes diríamos que está com vertigem; ela não passeia mais com lentidão,corre; e se os seus pés não são muito rápidos chicoteia as ancas de um cavalo pálidoe o lança todo estafado através das multidões. Com ela galopa o assassinato numcavalo russo, o incêndio estremecendo sua cabeleira de fumaça, voa diante dela,
movendo suas asas vermelhas e negras, e a fome e a peste a seguem passo a passo,em cavalos doentios e descranados, catando as raras espigas que ela esquece, paracompletar sua ceifa.

Depois deste cortejo fúnebre, vêm duas crianças irradiantes de sorriso e de vida,a inteligência e o amor do século futuro, o duplo gênio da humanidade que vai nascer.

Diante deles as sombras da morte recuam como a noite diante das estrêlas da aurora;
lavram a terra com ligeireza e semeiam nela, à mãos-cheias, a esperança de umoutro ano.

Porém a morte não virá mais, implacável e terrível, roçar, como mato sêco,as espigas maduras do século vindouro; ela cederá o lugar ao anjo do progresso que despreenderá suavemente as almas de sua cadeia mortal para deixá-las subir para Deus.

Quando os homens souberem viver, não morrerão mais, transformar-se-ão como acrisálida que torna uma borboleta brilhante.

Os terrores da morte são filhos de nossa ignorância, e a própria morte não é tão horrenda senão pelos restos de que se cobre e as côres sombrias com que se rodeiamsuas imagens.

A morte é verdadeiramente o trabalho da vida.

Existe na natureza uma força que não morre, e esta força trasnforma continuamente os sêres para os conservar. Ela é a razão ou o verbo da natureza.

Existe no homem também uma força análoga à da natureza, e esta força é a razão ou verbo do homem. O verbo do homem é a expressão da sua vontade dirigida pela razão.

Este verbo é onipotente quando é razoável, porque então é análogo ao próprio verbo de Deus.

Pelo verbo da sua razão, o homem faz-se conquistador da vida e pode triunfar a morte.

Os entes humanos que morrem sem ter entendido e sem ter formulado a palavra da razão,
morrem sem esperança eterna.

Para lutar com vantagem contra o fantasma da morte é preciso ter-se
o homem identificado com as realidades da vida !

 

Posted by juan aka suddendevice at 03:12:08 | Permalink | No Comments »