Inabilidade total com números e não decorar regras de gramática nem fórmulas complica um pouco o vestibular…
Confundo 9 com 6 ou com o 4, 1 com 7, 5 com 2, 8 com 3 e esqueço que existem sinais entre eles.
Não decorei a data de nascimento do meu pai, mãe, irmã (nunca lembro direito minha idade e nunca sei de cor se nasci dia 6 ou 7 de julho) e exijo de mim que saiba cada fórmula que a prova do vestibular exige, e as várias muitas formas de representar matematicamente um número.
Taí.
De cor.
Tenho problemas em decorar as coisas, números principalmente, apesar de ter aprendido muito bem que só consigo fazer, lembrar as coisas direito se minha vontade me move: Um mecanismo bizarro que vai além do usual lembrar só de coisas ruins ou boas.
De cor.
De coração.
Vindo do coração.
Basta querer??? Como aquela coisa da Esfinge, de saber, querer, ousar, calar??? Alguma coisa está faltando, então.
Inabilidade com números talvez seja a ponta do Iceberg.
Se algo vai contra minha vontade -geralmente eu mesmo com as infinitas ondas de auto-boicote disfarçadas de racionalidades- todo o processo se desvirtua. Mas isso não deveria atrapalhar interpretar números, deveria ajudar!!! Números significam nada para emoção, desejo, instinto. É algo essencialmente lógico, racional, e de valores impostos objetivamente.
Eu vejo 1+1. Pra mim é igual a 11…
Disseram que é 2.
Tudo bem. É 2.
Mas quando eu estiver concentrado resolvendo equações não vou lembrar que 1+1=2 e vai sair lá 11. Com sinal trocado, ainda.
Dizem que 0,5 vezes 2 é igual a 1. Eu não vejo sentido nisso. Se eu estiver bem esperto, vejo que 0,5+0,5=0,10. Mas nas alternativas A, B, C, D, e E não tem essa resposta.
É mais que momento pra ver um psi. Deveria ter feito isso quando estava lá no jardim aprendendo números e o alfabeto, que aliás foi uma árdua batalha.
Apagar da mente momentos inteiros é fácil, lembrar do que é gostoso ou terrível ou inútil também, mas lembrar do que é lógico???
Tu és o que tu lembras de ti num dado momento.
Não sei minha altura, peso, se calço 44 ou mais ou menos, não sei quanto tem na carteira, e demoro anos para decorar um número de telefone. Sei que sou “mais ou menos alto”, peso “menos que deveria”, tenho “o suficiente” na carteira e no banco, e sem a agenda e calendário do celular estou perdido. Atribuo valores diferente dos numéricos, e hoje em dia isso não é prático.
Meu relógio no KDE de casa e no trabalho é inexato, e diz as horas por extenso: tá escrito lá que é “nove e dez”. Relógio de ponteiros, só pra saber a tabuada do cinco, e digital no formato 24 horas é um suplício. Tem que calcular a hora.
E a ausência de noção espacial andando por aí??? É comum o Juan andando perdido por aí. Conhecer nada da cidade e cada rua ser um turismo deslumbrante para o Juan, que mora em Porto Alegre faz 24 anos é outra coisa a ser vista.
Desta vez, estudar neste período da minha vida tem envolvido muitas coisas agora despertas que estavam quietas no fundo da mente e coração. Intencionalmente revolvidos, agora tenho que enfrentar as quimeras que se ergueram, sem trégua.
Nada para mim caiu do céu. Ergui o que tenho e o que sou pela minha vontade e ímpeto. Aprendi a ter gosto por desafios, e os mais difíceis, sem dúvida, são os que envolvem nós mesmos. Depois vem o que envolve a nós mesmos e outra pessoa, e depois vem o que envolve a nós mesmos e outras pessoas.
Como disse Dixie “Flatline” McCoy Pauley: “Wonderful, I never did like to do anything simple when I could do it ass-backwards.”
(O desenho e fotos do supliciado é coisa do Gabriel Baruffi, aka Mufa. Thx!!!)