Por quê do Opius Dei???
Antes de tudo:
Não sou ateu.
Não, também não sou um fanático evangélico.
Não, não sou da Opus Dei. Nem da Agnus Dei, nem da Glorificum Dei, enfim, não dei pra ninguém.
Busco a mesma religião que a de Cristo na época que ele andava por aqui.
Putz… Não. Não sou judeu. Jesus não era judeu.
A frase “A religião é ópio do povo” do Marx todo mundo conhece. E aqui eu a uso não só no sentido de que a religião não passa de um ópio para abrandar a lida debaixo do sol, mas de que esse efeito é pleno e eterno e infinitamente amplo.
Também não quero abusar subliminarmente do ateísmo do Marx.
Vamo lá: “(…) (Marx) Queria com isto afirmar que esta existe para encobrir o verdadeiro estado das coisas numa sociedade, tornando os indivíduos mais receptivos ao controle social e exploração. Concomitantemente, afirmava que a religião era “a alma de um mundo sem alma”, querendo assim dizer que a experiência religiosa surgia como uma reação normal de busca de sentido numa realidade social alienante…” (Da magnífica Wikipedia, sobre ateísmo.http://pt.wikipedia.org/wiki/Ate%C3%ADsmo)
Até aí corretíssimo. A religião desde sempre é usada para controle social e para acobertar a aridez da realidade. Não seria uma espécie de droga liberada à medida que a demanda exige??? A droga do “Obedeça!!!” ???
Meu objetivo é aliar as objeções do ateísmo frente a devoção a algo incorpóreo com as objeções de um teísta frente a uma pessoa que não crê “em algo maior”…
Parece piada, mas funciona muito bem, aliar dois extremos, porque em um determinado ponto os opostos quando exaltados assemelham-se. Digamos que a ciência e a religião nunca irão se unir, mas sempre se complementarão, em uníssono, entre tapas e beijos.
E o Ópio do povo no sentido limitado de ser algo que “amaina” o homem. Religião não serve pra isso. “Religare” vem do latim ligar novamente, segundo o credo criacionista de voltar a falar diretamente com Deus, num tete-a-tete igual para igual. E aonde é que tá nesse contexto que praticar o religare vai me dar um emprego, ou um carro importado, ou uma mulher bem gostosa??? Não!!! Vai te dar é muita dor de cabeça, perseguições, frustrações e o diabo a quatro, porque o mundo se opões àqueles que praticam o religare.
Mais Marx (eu adoro esse cara):
“O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condi;cões desalmadas. É o ópio do povo.”
-Ah, então religião é uma forma de protestar…
É, naquelas… Nesse sentido seria protestar contra a realidade.
(Sim, esse blog é coisa de louco. Mais temas -aparentemente- polêmicos, preconceituosos, libidinosos, constrangedores, tântricos, ofensivos, futebolísticos e principalmente paradoxais adiante)
Protestar a realidade porque na concepção Cristã a humanidade já foi perfeita uma vez. Derepente (veja mais na incrível *alegoria* do começo do fim em Gênesis) a humanidade não pode mais gozar da perfeição e do tete-a-tete VIP com Deus porque violou por livre vontade uma diretriz que dava a liberdade de escolha entre saber o mal e viver bem o bem eterno.
Então houve uma época em que não morreríamos??? Sim!!! A gurizada não tinha pressa pra nada.
Então houve um tempo em que tudo era certinho e as abelhas não tinham ferrão e o Leão comia só capim??? É… Naquelas… Não é que nem os desenhos das Testemunhas de Jeová, mas era tudo certinho. Sim!!!
Então a fisica quântica pegava solta??? Sim!!! Ela e só ela e nada mais que ela!!! Uhú!!!
Bom, isso explica a insatisfação do homem em morrer. Em acabar. Em ter limitações.
O credo Cristão tenta explicar que as restrições são para que os usuários do sistema não tenham privilégios de admin só para detonar o kernel e acabar com o sistema - e nós junto - caso fosse o caso. Imagina se tu fosses capaz de alterar a realidade ao seu bel-prazer. Muito legal, né. E agora imagina duas pessoas-deus. E agora imagina seis bilhões de deuses imperfeitos e egoístas mudando tudo que tu mudou que alguém mudou que alguém mudou…
Perpetuar a imperfeição é perpetuar o mal e isso não rima com a concepção do Deus que é Todo-Amor.
E por isso e para tanto ele se fez carne, se matou por aqui entre os homens, deu seu sacrifício Dele mesmo para Ele mesmo em prol da humanidade, e ressussitou para mostrar que é possível, e para que pudéssemos ter a chance de um dia voltarmos a ser VIP com Deus.
Religare.
Nosso Opius Dei fica com a sucinta explicação. Que é uma chapação só ser Cristão numa terra onde o Demônio governa (veja Gênesis e me diz quem “Tem autoridade sobre o ar atmosférico e a terça parte caída dos anjos e etc”). É loucura total, suicídio, masoquismo, falta do que fazer etc seguir de fato o credo Bíblico.
E que é um efetivo psicotrópico ao usuário com bom senso.
Embriagar-se do Espírito Santo acho que seria um termo beeem louco pra definir a cátarse do Opius Dei.
Outra coisa seria racionalizar a devoção.
Opius Dei.
Fumar maconha com páginas do Apocalipse??? Não, aí já não é Opius Dei, é um maconheiro tri afim e sem seda.
Talvez se ele lesse não fumaria, e se fumou, lesse noutra Bíblia. Ele iria parar de fumar. Porque lá, mora um troço muito mais doido que Cannabis, que Peiote, que pele de sapo, que cristal, que E, que Ketamina, que Dex, bem mais. Um ópio perfeito, o Soma do Huxley, a Ambrosia dos deuses gregos.
E seus efeitos colaterais igualmente eternos.